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Corrupção já envolve 600 madeireiras Devastação causada pela corrupção em Mato Grosso leva ministra Marina Silva a estimar redução do desmatamento este ano |
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Brasília – Embora tardiamente, o governo do presidente Lula começou a limpar a sujeira que a corrupção na área ambiental causou à floresta amazônica, que teve sua devastação ampliada em 6% no ano passado em relação ao ano anterior, com derrubada de mais de 23 mil quilômetros quadrados de florestas, correspondente ao território do Estado de Alagoas. Depois das dezenas de prisões realizadas pela Polícia Federal na quinta-feira, ontem descobriu-se que já chegam a 600 o número de madeireiras do Mato Grosso - estado que mais desmatou em 2004 - envolvidas com a quadrilha formada pelos servidores públicos do Ibama, empresários do ramo madeireiro, contadores e despachantes, que nos últimos 14 anos roubaram o equivalente a R$ 890 milhões em madeira extraída ilegalmente em desmatamentos naquele estado. Desbaratada através da Operação Curupira, da Polícia federal, a quadrilha vendia guias em branco de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) por cerca de R$ 2 mil para despachantes que criavam empresas-fantasmas. Foram descobertas 431 madeireiras que declaravam endereços falsos, até de cemitérios e postos de combustíveis. Os servidores denunciados recebiam propina de R$ 3 mil a R$ 5 mil para vistoriar as empresas e “legalizá-las”. As ATPFs são documentos que comprovam a origem legal da madeira, ou seja, se ela vem de um desmate autorizado. O documento é expedido pelo Ibama para as empresas em situação regular que possuem planos de manejo florestal. A quantidade de madeira extraída e a devastação da floresta no Mato Grosso chegou a tal nível que levou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a prever ontem que o ritmo do desmatamento na Amazônia deve diminuir a partir de agora, com o desmonte da quadrilha que tinha ramificações em Rondônia, no Amazonas, no Paraná, em Santa Catarina e no Distrito Federal. “Assim, queremos fazer com que o desmatamento no Mato Grosso, um dos maiores - representando 48% do desmatamento da Amazônia -, possa efetivamente cair neste ano”, afirmou a ministra, referindo-se à Operação Curupira, que havia prendido até ontem 95 pessoas, entre os quais o diretor de Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel, e o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso, Moacir Pires. Segundo informou a ministra Marina Silva, estima-se que a quadrilha tenha retirado ilegalmente quase dois milhões de metros cúbicos de madeira. A ministra afirmou que esse era um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo servidores públicos na Amazônia. “Esses servidores foram todos exonerados, afastados, estão sendo punidos, alguns presos”, disse. |
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| Com Moisés Alencastro |
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| Com Leonildo Rosas |
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