OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin

 

A competição e a inveja no trabalho

Se é que existem situações realmente difíceis de suportar e lidar, algumas delas com certeza são a competição e a inveja no local de trabalho. Isso porque costumamos permanecer várias horas seguidas nos dedicando a atividades laborais imprescindíveis ao nosso sustento. Além dos desafios inerentes ao exercício de qualquer profissão, soma-se o desgaste oriundo dos relacionamentos conflituosos no trabalho. Penso que tal seja inevitável, pois as diferenças estão presentes em toda à parte. O mais complicado talvez seja encontrar um meio de sinalizar o desconforto causado pelos invejosos para os próprios, já que nunca se reconhecem dessa forma, acreditando sempre que o problema está no seu desafeto e não em si mesmos.

Em quase todos os locais de trabalho existem pessoas que efetivamente trabalham, e aquelas que apenas ocupam cadeiras realizando nada de produtivo, empenhadas somente em fiscalizar o serviço alheio. Lógico que elas precisam encontrar defeitos, algo que sirva para diminuir o outro, caso contrário não conseguem suportar a própria consciência apontando o dedo para as virtudes do colega de trabalho. Quando se arrisca a fazer alguma coisa, o invejoso vai estabelecendo comparações para comprovar uma superioridade que há muito sabe não possuir. Instaura-se uma competição profissional, mas o que ele não percebe é que muitas vezes compete sozinho. O outro pode nem estar percebendo a situação, afinal, sempre procurou trabalhar dando o melhor de si, sem se preocupar em ferir quem quer que fosse.

A coisa passa dos limites quando o invejoso propositadamente tenta prejudicar o colega induzindo-o a erro, falando mal dele pelas costas, sonegando informações importantes alegando esquecimento, ou menosprezando tudo o que o colega considera importante e caro. Tenho conhecimento de muita gente que chegou a perder o emprego em função de intrigas invejosas. Tais situações podem efetivamente complicar a vida de quem se dispõe a trabalhar sem considerar que fazemos parte de um complexo sistema de relações, em que a competição e a inveja necessitam ser administradas para que possamos preservar nossos postos de trabalho.

Pensou que eu fosse dizer outra coisa, não é mesmo? Lamento muito. Infelizmente não há como dar fim nesse tipo de pessoa. Invejoso é como capim, em qualquer lugar se encontra um monte. Precisamos aprender a administrar a inveja e a competitividade profissional. Como? Procurando não dar importância aos comentários maldosos que o colega faz só para nos estragar o dia. Guardando segredo acerca de informações íntimas que possam nos deixar vulneráveis a chantagens e aborrecimentos. Evitando comentar sobre aquisições materiais ou conquistas pessoais com aqueles que de antemão já sabe que “morrem de inveja de você”. Trate o invejoso com um respeitoso distanciamento. Se o ignorar, provavelmente ele irá fazer de tudo para que você o note, nem que seja lhe prejudicando. Se procurar ser seu amigo corre o risco de ser apunhalado pelas costas. Invejosos quase não têm amigos, pois não sabem amar. Seu sentimento é destrutivo até consigo mesmo. Nunca conseguem estar realmente satisfeitos com seu desempenho e realizações. A grama do vizinho é sempre mais verde que a sua. Respeitoso distanciamento essa é a solução para continuar sobrevivendo num ambiente profissional adverso, competitivo e invejoso. E que Deus nos proteja!

(e.mail: mrghtin@jau.flash.tv.br) é psicóloga e escritora. Visite o blog da autora: www.mariareginacanhosvicentin.zip.net e deixe seu comentário.

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de junho de 2007
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Da Redação
 
 
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