Peço licença aos meus leitores para prestar minha
homenagem a um ser humano chamado Zé
A forma animalesca como foi o assassinato de José Alexandre Leitão mostra claramente que este é mais um crime de homofobia. Independentemente da ligação da vítima com os acusados ou qual o motivo do crime, o que se nota é que quando a vitima é gay o ato criminoso é seguido de requintes de crueldade. Isso é, sim, homofobia, pois é um ingrediente que azeda a alma de alguns, mesmo que inconscientemente.
Homofobia é cruel e é perversa e não é exclusividade do Acre. Em todo o Brasil e no mundo, os crimes contra gays são sempre bárbaros.
E essa barbaridade não pode ser notada apenas quando ela leva ao óbito. Na vida dos homossexuais, essa barbaridade é praticada diariamente, movida pelo preconceito, pela indiferença e pela intolerância. Aos homossexuais não são dados direitos, só deveres.
Se esses assassinatos chocam toda a sociedade acreana, de igual forma a recente derrota, na Câmara Municipal de Rio Branco, do projeto de lei que instituía o dia 17 de maio como “Dia Municipal contra a Homofobia” também deveria chocar e indignar essa mesma sociedade. Derrotas como essa é que fazem vítimas como José Alexandre, Francisco Dantas e o professor Aldemir Pereira.
É necessário e urgente que o Senado faça o que a Câmara Federal já fez: aprovar a homofobia como crime (PLC 122-2006). Atualmente, a lei em vigor pune apenas a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição para a discriminação contra homossexuais.
Por ocasião da aprovação da PLC 122, inclusive, tivemos que experimentar a ira de cerca de mil evangélicos que, sem espírito cristão, tentaram invadir o Senado, numa atitude de protesto. Atos tão reacionários quantos os praticados pela Ku Klux Kan, conhecida por matar negros violentamente, por considerar que a proibição da segregação racial fere a liberdade de expressão.
Liberdade é respeito!
Os que agem de forma contrária tentam instituir um apocalipse particular.
A verdade é que, se nada for feito em favor do respeito à vida e à dignidade de seres humanos cuja orientação sexual “difere” do padrão estabelecido, temos mesmo é que rezar. Pois, para os gays, o apocalipse já começou. E não por mãos divinas!
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