| ESPECIAL | |
| ENTREVISTA | |
Agora é Lula! Agradecendo a grande vitória dada ao PT pelo povo acreano, Sibá convoca a militância para ir às ruas defender a reeleição do presidente |
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Mas nem tudo são flores. Ele reconhece que a situação chegou a tal ponto por causa da tolerância, por isso defende a expulsão sumária de todos os envolvidos com o escândalo da compra do “Dossiê Tucano” e a saída de Ricardo Benzoini da presidência do partido. Propõe a convocação imediata de um congresso extraordinário do PT nacional para fazer uma autocrítica de tudo que aconteceu, acabar com a tolerância aos abusos e tráfico de poder, além de redefinir sua proposta por um Brasil mais socialmente justo e economicamente sustentável. Página 20: Qual tem sido a chave do sucesso político da Frente Popular do Acre e que não se repete no restante do Brasil? Sibá: A primeira coisa é que desde a gestão de Jorge Viana na prefeitura e em seus dois mandatos de governador nós já mostramos à população que acreditamos e trabalhamos pelo desenvolvimento do Acre, coisa que não se via antes. Mas, politicamente, a nossa força está na unidade, ou seja, em 1990 foi criada uma frente popular em cada Estado do Brasil e a única que permanece trabalhando com todo mundo junto é a nossa aqui do Acre. P 20: Mas como foi construída essa coesão nesses últimos 16 anos? Sibá – Sempre fomos abertos ao debate, mas é preciso lembrar que antes de 1990, embora estivéssemos organizados em todo o Acre, só conseguimos eleger Ivan Melo para deputado estadual em 1982, a Marina na capital e mais cinco vereadores - três em Xapuri e dois em Brasiléia. Nossa derrota estava nos enfrentamentos entre as tendências internas Articulação, Caminhando e Libelu, que entenderam a necessidade de deixar as diferenças de lado para lutar pelo fortalecimento do partido e da luta popular no Acre. P 20 : Só a partir daí criaram-se condições para formar a Frente. Sibá – Exatamente. Isso permitiu que nos fortalecêssemos ao coligar o PT com o PC do B, PV e PSB. Desde então a frente teve um máximo de 12 partidos e um mínimo de cinco, mas os quatro que começaram permencem juntos até hoje. Em 92 e 98 o PSDB estava conosco, mas a entrada do PMN, em 98, marcou o início do nosso reforço parlamentar elegendo a partir daí nove deputados estaduais e cinco federais. Demonstrando sua confiança em nosso projeto, o povo acreano nos deu 16 deputados estaduais mais seis federais e garantiu nossas duas vagas de senador. Somos o único partido de esquerda que consegue eleger três governos de Estado, isso sem contar nossas 18 prefeituras. Há 16 anos não podíamos sonhar com tanto. Aquela unidade nascida em 1990 merece uma maior atenção e uma reflexão sociológica por ter criado uma nova era política no Acre, um exemplo para o Brasil. P 20: Isso causou transformações internas e externas com relação ao partido e ao Estado. Sibá – Com toda certeza. O Acre, que era tão mal falado por assuntos que nem vale a pena relembrar, hoje tem em Jorge, Marina e Tião três lideranças nacionais que se transformaram em referência respeitada internacionalmente por conta do avanço de suas idéias com relação à saúde, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Apesar disso, não há soberba, os integrantes da frente mantêm sua humildade e seu espírito de trabalho em favor do Acre e do Brasil. Acredito que isso gerou a confiança necessária para que a população nos desse mais essa oportunidade de continuar levando o Acre pra frente. P 20: Novos nomes surgiram na política do Estado e outros evoluíram fortemente nesses anos. Para onde vamos? Sibá – Vamos para frente. Uma frente que se deu o luxo de criar novas lideranças, o que não era feito pelos partidos tradicionais, que por não se renovarem cansaram a população. Na frente não há banco de reserva, todo mundo participa do jogo e todos os partidos recebem apoio para crescermos juntos. O Petecão, por exemplo, não podia continuar sendo deputado estadual, precisava subir para a Câmara Federal, evoluindo politicamente e abrindo espaço para novas lideranças. Edvaldo dedicou oito anos de trabalho à liderança do governo na Assembléia e precisa exercer novas funções, possivelmente como presidente da mesa diretora. O PSB e outros precisam espaço para crescer. P 20: Mas uma trajetória dessas também exige sacrifícios. Sibá – E muitos. Poucas pessoas avaliam a grandeza de Jorge Viana, que abriu mão de uma candidatura garantida para a Câmara Federal para assegurar sua sucessão e a continuidade do projeto da frente com a eleição de Binho. Isso fez com que o amor e o carinho do povo do Acre com Jorge crescessem mais ainda. Tião é o terceiro senador mais votado do país. Tudo isso prova que uma corrente política tem de fundamentar seu trabalho num projeto voltado para o desenvolvimento e o progresso da sociedade e não em projetos de interesse pessoal, como se fazia tradicionalmente. P 20: A oposição festejou a escolha de Binho considerando que, por não ser político de palanque, seria derrotado. Sibá – Esse foi o erro deles. Não entenderam que as qualidades de Binho superam os valores dos políticos tradicionais e que, além disso, sua candidatura fez cada militante ou simpatizante da frente responsável por garantir a continuidade de tudo de bom que está acontecendo no Acre. Nós não apostamos no personalismo, mas num projeto de governo, no voto ético de eleitores conscientes que votam numa proposta a ser realizada e cobram resultados. O personalismo tem prazo de validade muito curto, nós apostamos num projeto de longo prazo, Jorge deixou isso claro e o povo do Acre entendeu e nós vencemos. P 20: Agora é Binho? Sibá - Jorge teve de reconstruir a administração do Estado e criar uma infra-estrutura básica para o desenvolvimento econômico e social que será promovido pelo novo governo que começa em janeiro. Binho vai valorizar coletivo, ou seja, os partidos e bancadas, evitando com isso as negociações isoladas com parlamentares, até porque a tendência nacional é de reforçar a fidelidade partidária. P 20: E quanto ao relacionamento com a comunidade? Sibá - Vai trabalhar com a sociedade organizada, especialmente o terceiro setor, composto por associações, cooperativas e ONGs, para garantir o atendimento das necessidades da população, aonde o governo não consegue chegar ou atuar com eficiência desejada. Isso significará o retorno da participação popular nas ações de governo. Participação com direito a voz, voto e decisão para solucionar problemas fundamentais que ainda atrapalham o desenvolvimento e a justiça social. Ele vai dar um novo direcionamento ao governo, fazendo muito mais com menos recursos. P 20: Quanto à administração pública? Sibá – Vai trabalhar a descentralização administrativa de vários setores, a exemplo do que fez na educação, com ações como o dinheiro na escola, onde os diretores resolvem seus problemas com rapidez e eficiência. Acredito que isso vai ser multiplicado na saúde, segurança e produção, mas será feito gradativamente porque os gestores precisam ser preparados para isso. P 20: Apesar de a frente conseguir uma vitória massacrante, Lula foi derrotado no Acre... Sibá – Jorge Viana termina seu governo com 80% de aprovação da população, nossos 18 prefeitos contam com boa aprovação popular, nossas bancadas parlamentares cresceram, mas desde 1989 sempre tivemos dificuldades em conseguir uma boa votação para Lula no Acre. Embora ele tenha feito muito para nosso Estado, a população parece considerar suas realizações como sendo de Jorge Viana, coisa diferente do que acontece lá nos outros Estados, especialmente no Nordeste. P 20: Só isso? Sibá - Reconheço que a gota d’água foi mesmo o dossiê do PSDB. O Benzoini não tinha o direito de tomar uma decisão daquele porte em São Paulo sem comunicar ao presidente Lula, que é a nossa candidatura prioritária. Acho que ele perdeu credibilidade e confiança, por isso deve sair da presidência do partido. Também defendo a expulsão sumária de todos os envolvidos nesse escândalo. Proponho a realização de um congresso extraordinário do partido porque esses episódios não podem ser considerados águas passadas, precisamos fazer uma autocrítica, reconhecer erros, punir culpados e acabar com a tolerância. Mais ainda, reavaliar e reforçar nosso projeto para um Brasil mais desenvolvido e socialmente justo. P 20: E se Lula não conseguir sua reeleição? Sibá – Isso será péssimo para o Brasil e trágico para o Acre. Precisamos lembrar que, depois do saudoso Juscelino Kubitschek, Lula foi o primeiro presidente a promover uma política de distribuição de renda para a população mais pobre de nosso país. Ao mesmo tempo construiu as bases para o crescimento futuro do país, desafiando e vencendo grandes forças do mundo e tornando-se uma liderança internacional. A produção de riquezas cresceu menos de 3% ao ano, mas não caiu e ganhou sustentabilidade para continuar crescendo cada vez mais. O dólar está estabilizado e não vivemos assustados com a crise do petróleo porque produzimos tudo que consumimos. Lula democratizou o acesso às universidades - hoje, mais de 250 mil jovens carentes estão fazendo o terceiro grau graças a esse apoio. Pelo menos 70 milhões de pessoas vão tirar seus negócios informais da clandestinidade graças à aprovação da Lei Geral das Microempresas, que há mais de dez anos estava engavetada no Congresso. Lula fez o melhor que pôde pelo Brasil. P 20: Mas não venceu no Acre Sibá – Lula é um amigo do Acre. Ele veio de Brasília inaguruar o programa de Luz no Campo e outras realizações em Manoel Urbano. Geraldo Alckmin mal sabe onde fica o Acre e nem imagina onde é Assis Brasil. FHC humilhou os petroleiros e deixou os servidores públicos sem reajuste salarial, Lula já organizou o plano de carreira da maior parte da categoria e concedeu reajustes possíveis. Preocupado com a segurança do país, dobrou o número de policiais federais dando liberdade para que trabalhem, tanto que multiplicou-se o número de prisão de quadrilhas que roubavam o Brasil. Apesar de o Acre representar apenas 0,35% do eleitorado brasileiro, sua vitória aqui tem um caráter simbólico muito importante, por isso iremos para as ruas para mostrar à população por que é tão importante reeleger Lula, e tenho certeza de que ele vai vencer o segundo turno no Acre. P 20: Como vão as alianças para o segundo turno? Sibá – Elas estão sendo trabalhadas com muito cuidado, de modo a garantir a governabilidade sem comprometer a qualidade do próximo governo de Lula. Acreditamos no bom senso das pessoas. Por exemplo, eu estou apostando que Flaviano Melo, agora eleito federal e que conta com bastante prestígio no cenário nacional, deveria iniciar um diálogo com o PT para que o PMDB apóie Lula, repensando assim sua ação política em favor do Acre. Flaviano é um homem de bom-senso e sei que entende que é necessário deixarmos as diferenças de lado para trabalhar pelo desenvolvimento de nosso Estado. |
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