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POLÍTICA

Usina Álcool Verde em debate

Cultivo de cana-de-açúcar para fabricação de etanol ocupará somente áreas degradadas do Estado

Marcos Vicentti
Plantio de cana já vem sendo feito em áreas consideradas degradadas


A usina Álcool Verde, que produzirá, em sua primeira planta, etanol e energia elétrica, está localizada na Zona 1 do Zoneamento Ecológico e Econômico do Acre, ocupando, para o cultivo de cana-de-açúcar, parte dos 10% das áreas já degradadas do Vale do Acre. “Vai ocupar exclusivamente áreas de pastagem”, lembrou Mauro Ribeiro, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seap). Existe, segundo Ribeiro, uma “mancha de pastagem” de 84 mil hectares em um raio de 30 quilômetros – distância segura para viabilidade do negócio –que podem ser aproveitados pelos canaviais. “A cana é 4 ou 5 vezes mais rentável que a pecuária e possui taxa de retorno interno de mais de 10%”, completa o secretário.

A usina possui em sua composição societária vinte acionistas do Acre, além do Grupo Farias, família Biaggi e Governo do Estado, detentores da maior parte das ações. São empresários acreanos que adquiriram ações da empresa comandada pelo Grupo Farias. Os empresários locais administram 25% do bolo societário, percentual previsto desde o início do projeto quando o Governo do Acre comprou a massa falida da Alcobrás, que deu origem à Alcool Verde.

O Grupo Farias possui 60% das ações, o Governo do Acre, 5%; o Grupo Santa Elisa, da família Biaggi, 10%. A capitalização das cotas do governo acreano está sendo revertida em pesquisa científica e tecnológica e capacitação de extrativistas e agricultores.

O negócio que tem vários aspectos positivos: recupera um patrimônio que se encontrava aos escombros; cria uma cadeia de produção, gerando trabalho e renda para milhares de pessoas, e é ambientalmente correto porque produzirá energia renovável. Na área de 11,5 mil hectares que eram da usina foram criados dois projetos de assentamento. A perspectiva é que os negócios caminhem de modo muito mais executivo a partir do primeiro corte, quando os agricultores começam a receber pela produção. Mesmo ainda em fase de implantação, o negócio já mostra seu potencial: da área de cana-de-açucar necessária ao início da operação das caldeiras já foi plantado 1.850 hectares e a previsão de funcionamento para 2008 está mantida. “A produtividade no Acre é igual ou superior à média nacional, de 80 toneladas de cana por hectare”, disse o pesquisador Judson Valentim, que estuda o tema.

Há mais de vinte variedades de cana sendo plantadas na área da usina e nas terras dos agricultores parceiros - a empresa fornece as mudas, faz o acompanhamento e ao final, no corte, comprará a produção. No ínicio as mudas (em talos) chegavam de carretas do Mato Grosso, numa longa e difícil viagem de 1,9 mil quilômetros.

A produção de cana-de-açúcar no Acre deverá ampliar a oferta de créditos de carbono no Estado, segundo projetou, durante visita ao Estado, Maurílio Biagi, sócio da Álcool Verde. Para Biaggi, um dos mais importantes incentivadores do negócio, a cultura gera energia renovável e o álcool, um dos produtos extraídos da cana, é um combustível não poluente. Há uma tendência mundial de substituição dos combustíveis fossilizados por causa principalmente dos prejuízos ao ambiente e pela escassez: as reservas de petróleo estão diminuindo no mundo inteiro -e, por isso, a necessidade de se produzir combustíveis alternativos. O bagaço irá alimentar a caldeira que movimentará um gerador de 2,5 mil KWA, energia suficiente para manter a usina. O excedente será vendido para a Eletroacre distribuir em sua rede.

Devem ser produzidos em média 147 quilos de açúcar por tonelada de cana. A empresa promoveu a recuperação da nascente do rio Iquiri, que corta a região fundiária da usinare. A mata ciliar também está sendo reflorestada com espécies regionais.

Manifestações favoráveis foram maioria durante audiência pública

Os canaviais passam por renovação a cada cinco ou seis anos, utilizando leguminosa para sua recuperação, o que deve fomentar a plantio de outras culturas. Durante audiência pública em Capixaba para avaliar o licenciamento ambiental da usina, os executivos do Grupo Farias fizeram deixar claro que negócios da companhia envolvem novas posturas sociais e ambientais, daí sua identificação com o Acre atual.

Uma audiência pública realizada no mês passado com a presença de mais de 390 pessoas, em geral trabalhadores, produtores rurais, lideranças políticas e interessados no empreendimento, discutiu o licenciamento ambiental da usina.

A audiência foi conduzida pela presidente do Imac, Cleísa Cartaxo. Segundo ela, o processo de licenciamento está cumprindo as exigências legais. O titular da Seap, Mauro Ribeiro, avaliou o debate como muito proveitoso porque tirou dúvidas e possibilitou ao público melhor conhecimento sobre o negócio. “As manifestações foram francamente favoráveis”, disse Ribeiro acerca dos questionamentos feitos pelos participantes da audiência.

O cultivo de cana e a produção de etanol está gerando 400 empregos com carteira assinada. No futuro próximo, serão empregados pelo menos 1.000 trabalhadores. Todo o corte será mecanizado.

 
 
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Rio Branco-AC, 5 de outubro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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