COTIDIANO

Salve uma vida: doe sangue e ajude o Hemoacre


Edmilson Ferreira

O Hemoacre pede socorro: no último mês de outubro foram coletadas apenas 492 bolsas de sangue enquanto no mesmo período de 2003 foram 750 bolsas – 250 a mais que em 2004.

Para complicar, o pronto-socorro passou a operar com Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), o setor que mais consome sangue em um hospital – elevando para três o número de UTIs que utilizam do sangue produzido pelo Hemoacre. Há pouco tempo, apenas a Fundação Hospitalar e o Hospital Santa Juliana possuíam UTI.

“Caiu a coleta e aumentou a demanda. Não sei por quais motivos, mas é possível que o aumento da incidência da dengue, malária e pela prevalência da hepatite estejam influenciando na doação”, disse Rita Uchoa, diretora do Hemoacre. Ontem, o centro dispunha de reduzidíssimo estoque de sangue O positivo, o que deve prejudicar o abastecimento de final de semana, quando a procura cresce muito em função de acidentes, esfaqueamentos, problemas diversos.

A queda nas doações pode também estar ligada à fatores culturais, como a crença na obrigação do jejum para fazer a coleta. Rita diz que isso não é problema a não ser que o doador tenha ingerido muita comida gordurosa. No ato da doação, é preciso apresentar documentos com fotografia, como a cédula de identidade, carteira de trabalho, carteira de motorista ou reservista.

CAÇA AO SANGUE BOM – O descarte é outro grande problema. Cerca de 50% das bolsas são jogadas no lixo porque o sangue apresenta má qualidade. Esta semana o Hemoacre inicia uma caça ao sangue bom percorrendo principalmente estabelecimentos comerciais e de ensino, como o curso de Medicina da Ufac, onde acredita que encontrará jovens com sangue menos atingindo por complicações. “A tendência é que entre os mais jovens o sangue esteja em melhor qualidade”, disse Rita.

As mulheres são outro alvo do Hemoacre. Historicamente, o sexo feminino cuida-se melhor que o masculino, sempre realizando exames para saber como anda a saúde. Em maio passado, uma campanha atraiu as mulheres para a doação de sangue. No entanto, o número de doadoras ainda é muito baixo: nada menos que 85% são homens. O Acre não atingiu os 2% de doadores do total de sua população, conforme estabelece a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A caça ao melhor sangue inclui telefonemas aos mais de sete mil doadores cadastrados, mas há dificuldades porque muitos telefones trocaram de número, as pessoas mudaram de endereço. Em elevado estágio de modernização, o Hemoacre tornou-se um centro de excelência na hemoterapia na região Norte e para os convictos a doação é um dos atos mais importantes de suas vidas: “faço doação sempre”, resumiu o policial militar José Hendensen Cortez de Moura.

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de novembro de 2004
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