ESPECIAL
   ENTREVISTA

 

ONG incentiva adoção no Acre

Representante de instituição internacional visita o Educandário Santa Margarida

No início da década de 80, uma família italiana acolheu uma criança abandonada através de adoção. O gesto serviu para que outras famílias abraçassem a causa a em 1986 foi fundada a organização não governamental (ONG) com a denominação de “Associazione Amici dei Bambini” ou associação dos amigos das crianças, com a missão de fazer com que cada criança abandonada, pudesse viver e crescer no meio de uma família e se sentir verdadeiramente um filho.

Atualmente a ONG está presente na 12 países: Itália (sede mundial) Bulgária, Romênia, Ucrânia, Albânia. Maldovia, Bosnia Herzegovina, Kosovo, Marrocos, Brasil, Peru e Colômbia.

O representante da “Amici dei Bambini” no Brasil, Antônio Carlos Berlini, está em visita oficial de três dias em Rio Branco-Ac. Ele está visitando as instituições que prestam ajuda às crianças carentes.

Em solo acreano seu primeiro compromisso de agenda foi uma visita ao Educandário Santa Margarida e como não era esperado pela direção da casa, ficou surpreso com o que viu. Tudo caprichosamente limpo e as crianças bem cuidadas.

Após visitar todas as instalações e Antônio Carlos concordou em nos conceder uma entrevista.

A que se destina a instituição Amici dei Bambini?

É voltada única e exclusivamente para a reintegração de crianças à família de origem e a prevenção do abandono dessas crianças. Além de intermediar a colocação dessas crianças no seio de uma família substituta, se for o caso.

Que trabalho a ONG está prestando às crianças brasileiras?

Aqui no Brasil já estamos presentes em oito Estados. É bom lembrar que praticamente a instituição nasceu no Brasil e depois foi com sede para a Itália. Estados como o Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Belém do Pará e Mato Grosso contam com projetos de desenvolvimento voltados para as crianças carentes .

O senhor já havia visitado o Estado do Acre antes?

Não. Viemos ao Acre agora pela primeira vez a convite da psicóloga do Ministério Público Estadual doutora Valeska Machado, feito durante um seminário internacional. Na ocasião ela nos cientificou de um Estado com estrema necessidade nessa área.

O senhor está agora no Educandário Santa Margarida. Qual a avaliação que o senhor fez dessa instituição e o que a ONG Amici dei Bambini pode oferecer ao Acre, mais especificamente às crianças do Educandário?

Eu acho que a realidade do Educandário Santa Margarida não é diferente das outras entidades semelhantes espalhadas pelo país. A situação nos mostra as mesas necessidades. A falta de apoio público, até porque muitas vezes o Estado não tem condições de bancar com tudo que é necessário.

Por outro lado, vemos que o Educandário está no caminho certo. Ou seja, no meio-termo entre o poder público e buscando dentro da sociedade civil organizada os recursos necessários para atender suas demandas. Temos que reconhecer que o abandono dessas crianças não é um problema só do Estado, e sim da própria sociedade.

De cada um de nós. Esse abandono tem que ser tratado como uma emergência da fome, da guerra, do terremoto e da saúde. Existe a emergência do abandono que só pode ser tratada de uma maneira. É própria comunidade tem que voltar seus olhos para os problemas e criado condições de suprir suas necessidade. O Estado pode dar assistência social, mas na questão da família, só a sociedade pode dar...

Diante dos fatos expostos, que tipo de parceria pode ser feita entre o Educandário Santa Margarida e instituição que o senhor representa?

Nessa primeira fase da visita estamos apenas levantando as necessidades de todas às realidades. O que vimos no Educandário foi apenas uma das muitas realidades que iremos nos deparar durante os três dias que estaremos no Acre. Vamos visitar outras instituições e organizações, tanto do Estado quanto do Município ou de entidades civis e só então irmos ficar sabendo até onde podemos ir... (Assecom/Sejusp)

 

 
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Rio Branco-AC, 5 de novembro de 2004
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