| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Raimundo Ferreira de Souza * |
||
Ladrões de cemitérios Gatunos, ladrões, ou ainda, como se diz meio a malandragem, elementos que “arrocham” pra ganhar a vida. São pessoas que acham que as outras podem lhes proporcionar as condições necessárias e suficientes para sua sobrevivência, sustento dos vícios e ainda esbanjar com supérfluos, desprendendo o menor esforço possível. Em cada camada da sociedade, essa atividade ilícita ganha denominações diferente, em alguns casos, podendo ser confundida com trabalho honesto, ou mesmo camuflada como esperteza ou vivacidade de algum cidadão. Meio à caserna, por exemplo, as ações de furto são entendidas como algo “divertido” e, não havendo comprovações legais, são denominadas de “desaperto”. Meio aos empresários, já passam a ser “desvios”, “caixa dois”, ou ainda, “desfalques”. Meios aos políticos, já são rotulados de “uso indevido”, “verba de assessoria”, “assistência social”, “serviço social”, ou ainda, “despesas com campanha”. Meio as altas rodas, pode ser chamado de “calote”, “tombo”, ou ainda, “golpe”. Na categoria “gatunos tipicamente acreanos”, já conhecemos especialista em roubar roupa em varal, tênis e sandálias em escada, botijões de gás, bijuterias de madame, som de carro, frutas e verduras em feiras-livre, cachorros de raça, galinhas, vinho de padre, objetos de igreja, e outra categoria, que ultimamente parece ter se especializado em roubo a aproveitamento de objetos funerários. Pois, independente do objeto (letreiros, portas-retratos, estátuas, imagens de Santo, castiçais, vasos, jarros, flores, coroas, parafina, símbolos, fotografias entre outros), e do material constituído (bronze, metal, ferro, mármore, madeira, plástico, louça e outros), os larápios resgatam e comercializam. Possivelmente, os ossos humanos, ainda estão a salvo, porque os ladrões não descobriram um mercado consumidor. Pelo que constatamos no último dia de veneração aos mortos, dois de novembro, os cemitérios da capital estão completamente desguarnecidos, seus habitantes sendo saqueados e sem as devidas condições de autodefesa. Se as autoridades vivas não tomarem providências urgentes, até as construções em alvenaria (tumbas e muros), podem ser quebradas e vendidas como concreto para a construção civil. As ações dos vândalos junto às tumbas, lápides e capelas, estão sendo realizadas na maior tranqüilidade, mesmo porque, os ocupantes não reagem, não ligam para o cento e noventa, e não acordam, ou seja, os ladrões dispõem de tempo suficiente para retirar as peças sem danificar, até porque o mercado consumidor exige qualidade das mercadorias, e alguns objetos que não têm utilidade comercial, eles simplesmente danificam. Nem na últimas morada, os cidadãos, ou melhor os ex-cidadãos, conseguem descansar em paz. Sobre a comunidade residente, sete palmos abaixo do nível do solo nos cemitérios, não sabemos o que pensam a respeito desse saqueamento às suas últimas moradas. Quanto aos parentes e amigos das pessoas que se foram, vai o nosso apelo às autoridades, para recomendar prioridade na vigilância constante, às cidades-dos-pés-juntos da capital, tanto pela questão do roubo propriamente, como também, pelo desrespeito à memória dos mortos. Não podemos admitir que esses ladrões pés-de-chinelo, satisfaçam seus intentos delituosos e malignos, comercializando objetos da veneração de pessoas que, com todo sentimento de fé e adoração, depositam nas sepulturas, objetos em memórias de seus entes queridos. Os parentes e amigos vivos agradecem a providência que possa ser tomada no sentido de pegar e punir os executores dessa pratica, e os mortos, a seus modos, certamente se sentirão agradecidos e respeitados. |
||
|
||
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
| ANCELMO GÓIS |
| Com Ancelmo Góis |
|
|