| VARIEDADES | |
O encontro com a música de Leo Gandelman |
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Aos 48 anos, o carioca de Laranjeiras que mostrou seu talento, tornando-se um artista de sucesso no Brasil e exterior, esteve na noite de ontem pela primeira vez em solo acreano. Leo Gandelman dispensa apresentações, pois o melhor é ouvi-lo. E foi o que fizeram as pessoas que estiveram no Teatro Plácido de Castro, no show Dueto, realizado pela Fundação Elias Mansour (FEM), com apoio do hotel Imperador Galvez e Iesacre, em que o artista dividiu o palco com o pianista David Feldman. Mas além de músico de talento, Leo Gandelman esbanja simpatia. E com ironia diz que ninguém é perfeito, por isso é botafoguense. Detalhes futebolísticos de lado, sua história explica que a música não veio por acaso. O saxofonista considerado por 13 vezes o melhor do Brasil, nasceu em berço musical. A mãe, que foi sua primeira professora de piano, até hoje dá aulas e é coordenadora do curso de pós-graduação da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). O pai, maestro formado. Leo Gandelman bem que tentou fugir do que seria sua sina, por achar que a música clássica que fazia, não lhe daria um futuro. Aos 15 anos deu um tempo de tudo e foi ser fotógrafo, passando pela revista Manchete e National Geografic. Aos 20 anos, Leo diz que enxergou através da lente, a chance de fazer seu próprio som, quando descobriu o saxofone e a possibilidade de improvisar com a música. Estudou em Boston e em 1979 voltou ao Rio de Janeiro, iniciando a vida profissional na noite carioca. Em 1987, iniciou sua carreira solo. Confira detalhes da conversa que ele teve com a equipe do Página. Como surgiu o convite de tocar pela primeira vez no Acre? Farei um show em Porto Velho, e aí surgiu a possibilidade de vir fazer o show aqui e aceitamos prontamente com muita felicidade. Faltava o Acre. No norte toquei em Manaus, Belém, Macapá e aqui terei a oportunidade. E os novos trabalhos? Até então, o mais recente foi de 2002, gravado ao vivo, que é a trajetória da minha carreira e marca também o meu retorno ao Brasil. Passei mais de seis anos no Estados Unidos e voltei em 2001. Mas na verdade acabei precisamente ontem um novo trabalho, o disco deve ser lançado no início do ano que vem. Ele se chama “Atitude Musical”, e tem composições originais. Eu voltei a compor, me estabeleci no Rio de Janeiro, apartamento novo, vida nova e o disco traz músicas novas. Você não veio sozinho, quem é o parceiro? O show que farei hoje [ontem] é um recital. Estou acompanhado de um músico muito especial, que é como se fosse um meu sobrinho, inclusive, fui aluno da mãe dele. É o David Feldman, que é pianista, arranjador, produtor, músico de primeira qualidade. Nesse recital estamos tocando músicas que fazem parte da minha trajetória, canções de Ari Barroso, Pixinguinha, Cartola, composições minhas. É um show bem variado. Como classifica a música instrumental? Não gosto de falar música instrumental porque não considero que seja um rótulo que defina uma qualidade de música, que no Brasil é muito rica, é uma árvore enorme cheia de galhos, mil vertentes. É um país de uma dimensão continental. Acho que existe música com letra e sem letra. Dentro da música sem letra, há vários tipos, do folclore ao clássico. Não existe um movimento chamado música instrumental. E você define o seu estilo nesse universo musical? Como artista não gosto de me definir, gosto da liberdade de fazer o que quiser. Faço o que sinto, trabalho em cima de composições originais e com as influências que tive. Atuei muitos anos acompanhando cantores dos mais diversos estilos como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Gilberto Gil, Rita Lee, Elis Regina, Neguinho da Beija-flor. O resultado da minha experiência profissional transmite a música que crio hoje. Pronto, chegou a hora que tem de falar alguma coisa (risos). É claro que eu faço MPB, que também é um rótulo discutível por ter vários estilos. A música brasileira é como o seu povo, misturado, é reflexo da sua história. É difícil encarar a carreira solo de músico no Brasil? Sinto uma falta de uma diversidade, de democracia maior em relação aos meios de comunicação. Acho o Brasil hoje, é um país monofásico ligado a uma única onda propagada pelos meios de comunicação, que ainda são oligopólios que ditam uma moda. Eu como artista sou favorável a regionalização do trabalho artístico. Que se dê cada vez mais força ao artista local. É fundamental que o Brasil apesar de falar uma mesma língua, não se achate a uma linguagem única, por ser tão diverso. É muito difícil para um artista que não esteja incluído na onda do momento, ter uma visibilidade do seu trabalho. Podemos considerar que você foi um dos que superou isso... Eu como artista me sinto felizardo de estar fazendo minha própria música e viver dela. Isso no Brasil é muito difícil, um país em que as pessoas lutam basicamente para pagar suas contas e quem consegue fazer em dia é um campeão. Mas é muito difícil um músico hoje começar uma carreira solo e tentar uma visibilidade dentro desse panorama. Viver de minha criação musical é realmente um privilégio pra mim. |
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