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Pesquisadores da Ufac apóiam proposta de Tião Viana para prospecção de petróleo no Acre Cientistas dizem que exploração pode ser feita com respeito ao meio ambiente e defendem necessidade de abertura de novas perspectivas econômicas para o Estado |
![]() Professor Ary: recursos são necessários para manter a floresta de pé |
O senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, acaba de obter mais apoios à idéia de prospecção de petróleo e gás em território acreano. Depois das manifestações públicas de empresários e outros dirigentes do setor produtivo, a solidariedade veio de parlamentares e dirigentes de partidos políticos, como foi o caso do deputado federal Fernando Melo (PT-AC) e do presidente do diretório do PR, Júnior Betão. Esta semana foi a vez de a academia se manifestar. O reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac), professor-doutor Jonas Filho, afirmou que, mesmo sendo paleontólogo de formação, apóia a idéia do senador por compreender que o Estado precisa de alternativas econômicas para seu desenvolvimento. Outro professor da Ufac, Francisco Eulálio Alves dos Santos, o “Magnésio”, presidente da Agência Estadual Reguladora de Serviços Públicos, além de defender a idéia, exortou a sociedade civil organizada do Acre a não abandonar o senador Tião Viana nessa discussão. “O senador já deu profundas demonstrações de amor ao Acre e a seu povo, além do seu respeito ao meio ambiente e aos povos tradicionais. Não lembrar isso me parece uma injustiça muito grande”, disse Francisco Eulálio. “O senador tem o nosso apoio não só pelo seu histórico em relação ao Acre, como também por compreendermos que essa proposta, se concretizada com o achado de combustíveis fosseis em nosso Estado, seria a redenção econômica do nosso povo.” Engenheiro agrônomo, com mestrado e doutorado em manejo e conservação de recursos naturais pela USP/Piracicaba, o professor Ary Vieira de Paiva, do Departamento de Ciências Agrárias e que ministra aula no curso de engenharia florestal da Ufac, também se posiciona a favor da proposta da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do senador Tião Viana. “Sem investimentos, sem recursos, não é possível manter a floresta em pé”, diz o professor, que costuma citar, entre outros, o ambientalista e biogeógrafo norte-americano Jared Diamond, autor de “Armas, Germes e Aço”, com o qual ganhou o Prêmio Pulitzer e que em 2005 surgiu com “Colapso - como sociedades optam entre o fracasso e a sobrevivência”. Ao longo de 600 páginas, o autor constrói a tese de que o descuido com as questões ambientais foi a causa do colapso de algumas civilizações, como os Maias, uma das mais complexas civilizações pré-colombianas, com seus templos monumentais, avanços na matemática, objetos de arte incomparáveis cujas ruínas atestam, em meio à floresta, um passado glorioso. O começo do fim, segundo Jared, deu-se por volta do século VIII, quando a população cresceu e, para alimentá-la, o ritmo de derrubada da floresta se acelerou para abrir espaço para o cultivo de milho. O solo exauriu-se rapidamente e, para complicar a situação, alguns ciclos de seca reduziram a produção de alimentos na região. Governantes e sacerdotes, porém, mantiveram seus estilos de vida, a construção de templos e palácios. Além dos maias, os anasazis do Novo México, os vikings em suas colônias da Groenlândia, os moradores da Ilha de Páscoa e, mais recentemente, Haiti e Ruanda são os principais personagens de Colapso. O resultado de escolhas errôneas de exploração foi o esgotamento dos recursos naturais e a extinção dessas civilizações, exceto os haitianos e africanos que resistem à duras penas. Com estes exemplos, Jared traça um paralelo entre as crises que esses povos enfrentaram e a crise ambiental que o planeta enfrenta hoje. O pesquisador não hesita em dizer que os Estados Unidos são hoje como a Roma antiga às vésperas do colapso: até capaz de perceber os sinais de alerta, mas incapaz de fazer os sacrifícios, como redução do padrão de vida, para reverter esse quadro. Mas o autor não se constrange em chamar a atenção dos ambientalistas para a necessidade de trabalhar em parcerias com grandes empresas na defesa do meio ambiente, inclusive na exploração de petróleo. Jared diz que exemplos de sucessos não faltam e cita, sem poupar elogios, o campo de exploração de petróleo da Chevron, na Papua-Nova Guiné, local onde se encontram até mesmo aves-do-paraíso. O bom exemplo - diz o autor - é resultado do bom senso da empresa - “que sabe que é mais vantajoso investir centenas de milhões de dólares para evitar desastres ambientais do que gastar bilhões de dólares para tentar consertar as conseqüências de um desastre”. Na lista das empresas responsáveis estão ainda a Home Depot, IKEA, a sofisticadíssima Tiffany’s - que só usa ouro extraído por processos ambientalmente corretos -, DuPont, Unilever e as redes de supermercados Shaw’s, Sainsbury’s e Marks and Spencer. Essas histórias de sucesso se devem à união de forças do mercado com o trabalho de cientistas e ambientalistas. Essas mesmas idéias são defendidas pelo professor Ary Vieira de Paiva em relação à Amazônia. Segundo ele, lutar apenas para manter a floresta em pé é contribuir para que, mais cedo ou mais tarde, o capital chegue com sua determinação e destrua todo o ecossistema.”O que nos resta a fazer é buscar um meio termo, uma forma em que todos os atores envolvidos sejam ouvidos e tenham seus pontos de vistas respeitados. A Petrobrás tem dado demonstração de que tem tecnologia suficiente para promover a exploração de petróleo respeitando o meio ambiente”, disse o professor. “O senador Tião Viana, a quem não conheço mas gostaria de cumprimentar pela clareza das idéias e pela determinação como as defende, está no caminho e no debate certos”, disse o professor. Paleontólogo que descreveu o Purussaurus ao mundo como o maior predador que já existiu na terra, Jonas Filho não tem dúvidas de que há combustíveis fósseis no Acre. Ele não chega a esta conclusão por acaso. É que, nas fases de pesquisas para sua tese de doutorado, obteve informações privilegiadas junto à Petrobras. Suas pesquisas resultaram na identificação, em 1986, do Purussaurus (porque encontrado às margens do rio Purus, no Acre), uma espécie de crocodilo que habitou esta parte do planeta onde um dia seria formada a Amazônia, especialmente onde hoje é o Acre, no período Cretáceo, entre 8 e 5 milhões de anos atrás. Na definição do próprio professor Jonas Filho, na frente do Purussaurus, o Tyranossauros, apontado até aqui como o maior predador que já existiu na terra, seria apenas “comedor de carniça”. Predador mesmo e maior ser vivo que já habitou a terra seria, portanto, o nosso Purussaurus, cuja cabeça, segundo os fósseis localizados no Acre, mediria 1,5 metro de comprimento, o que permite a conclusão de que um indivíduo com uma cabeçorra desses alcançava 18 metros de comprimento, com um peso estimado em 20 toneladas. É por causa da comprovação da existência de animais tão grandiosos que o professor reforça sua certeza da existência de petróleo no Acre, uma vez que o combustível fóssil é originário da decomposição em milhões de anos de restos vegetais e animais, como os dinossauros, extintos, pelo que se sabe, há 65 milhões de anos. “De fato, creio que há petróleo no Acre. Se não em todo o Estado, cuja bacia sedimentar é geologicamente recente para a formação de petróleo, creio que pelo menos naquela região do Vale do Juruá, bacia formada no período Cretáceo, a idade geológica que permite a formação dos combustíveis fósseis, é propícia à ocorrência”, defende o professor. Na escala de tempo geológico, o Cretáceo é o período da era Mesozóica do éon Fanerozóico, compreendido entre 145 milhões e 500 mil e 65 milhões e 500 mil anos atrás, aproximadamente. O período Cretáceo sucede o período Jurássico de sua era e precede o período Paleogeno da era Cenozóica de seu éon. Divide-se nas épocas Cretáceo Inferior e Cretáceo Superior, da mais antiga para a mais recente. Durante o Cretáceo, os dinossauros alcançam seu ápice, mas ao fim do período ocorre a extinção em massa desses grandes répteis e dos animais da Terra. Teorias apontam que cerca de 60% dos seres vivos foram extintos. A teoria mais aceita é a de que a queda de um meteorito na Península de Yucatán, no México, levantou muita poeira e essa poeira cobriu a Terra evitando a passagem do Sol e causando o resfriamento que levou à Era Glacial. Jonas Filho lembra, no entanto, que, como pesquisador, defende as políticas de busca por combustíveis alternativos. “Mesmo que seja descoberto petróleo em escala comercial no Acre, nós sabemos que isso é limitado, que não vai produzir de forma eterna. Então é necessário que exploremos recursos naturais respeitando o meio ambiente, mas que também haja prosseguimento nas pesquisas do biocombustível, por exemplo”, disse. Políticos também se manifestam a favor As manifestações de apoio do deputado federal Fernando Melo à proposta de pesquisas para possível exploração de petróleo no Acre vieram, na semana passada, em artigo publicado no jornal “A Gazeta”. Entre outras coisas, o deputado afirma: “Não posso concordar que uma proposta como esta seja bombardeada sob o argumento de prejuízo ecológico. Discordo e imediatamente faço algumas perguntas: o Estado do Amazonas, que abriga a exploração de gás de Urucum, foi destruído? Por acaso os índios que vivem nos altiplanos da Bolívia, de onde se retira gás para exportar ao mundo, inclusive ao Brasil, foram dizimados? Por acaso, os índios venezuelanos, equatorianos e outros que vivem as mesmas condições não se pintariam para a guerra se aparecesse por lá ambientalistas dizendo que não seria mais possível explorar suas reservas em nome do meio ambiente?”. O apoio do Partido da República (PR), ex-PL (Partido Liberal), veio através de nota publicada na imprensa local. O ex-deputado federal Júnior Betão, que assina a nota como presidente regional do partido, afirma: “O Partido da República, entendendo que o debate sobre a prospecção e possível exploração de petróleo em território acreano deve envolver toda a população, manifesta sua posição favorável à decisão da Agencia Nacional do Petróleo (ANP), anunciada em fevereiro, de iniciar a prospecção na região”. E acrescentou: “Também queremos manifestar nossa solidariedade e agradecer à luta do senador Tião Viana, que, antenado com a necessidade de perseguir novas alternativas econômicas, para mais desenvolvimento, anteviu esta possibilidade e desde o ano 2000 vem apresentando emendas ao Plano Plurianual (PPA) definindo recursos para estudos de viabilidade de exploração de gás e petróleo no Estado do Acre”. A nota afirma ainda: “Sabemos que a possibilidade de se encontrar petróleo no Acre é muito grande, segundo conclusão da própria ANP. Em toda a região fronteiriça do nosso Estado com os países vizinhos já está havendo exploração de gás. No vizinho Estado do Amazonas também”. “A exemplo do que vem ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro, onde várias cidades litorâneas estão alcançando o desenvolvimento graças aos royalties gerados pelo petróleo, acreditamos que uma possível exploração desses combustíveis no Acre irá gerar recursos necessários para que os governos estadual e municipal possam promover o desenvolvimento econômico e social”. O PR afirma também: “Manifestamos nossa solidariedade ao senador Tião Viana com a sua preocupação com o meio ambiente. O senador abriu o diálogo com diversos segmentos da sociedade acreana e quer ouvir a opinião geral, incluindo pessoas abalizadas em meio ambiente”. “Entendemos que, mesmo sendo justa a preocupação com os possíveis impactos, a simples troca do óleo diesel que queimamos para a geração de energia elétrica, pelo gás explorado em nosso território, já nos traria ganhos ambientais consideráveis, já que o gás é um combustível bem mais limpo. Ademais, o bom uso dos royalties que o Acre teria direito com esta exploração poderá permitir que o nosso Estado seja o primeiro a decretar o fim dos desmatamentos, já que sua população teria acesso a novas atividades, que garantiriam um bom nível de vida”, conclui a nota. |
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