| OPINIÃO | ||
| RETRATOS DO JURUÁ | ||
Nelson Liano Jr. |
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Museu Vivo do Juruá Tenho visto estarrecido o debate que se desenrola na imprensa de Rio Branco sobre a prospecção de petróleo e gás na região do Juruá. O que me choca, na verdade, não é o debate que é um instrumento legítimo da democracia, mas a postura de alguns intelectuais acreanos e não-acreanos que têm se colocado como “defensores” da população Juruá. Ora, a maioria deles se esteve na região foi fazendo trabalhos de pesquisa de campo por períodos de tempo reduzidos. Nunca moraram aqui. É óbvio que não tenho nada contra isso e acho até louvável. Mas eles passam alguns dias por aqui e já sabem exatamente tudo que a população precisa. Se arvoram em “donos da verdade” e tradutores da alma do povo juruaense. Na verdade, esses “pretensiosos” estão muito longe de conhecer o sentimento dessa generosa e guerreira população do Vale do Juruá. Eu estou há quatro anos e meio na região faço dois programas radiofônicos diários, produzo revistas e livros sobre a região, me comunico diariamente com os juruaenses que me enviam centenas de cartas e participam ao vivo do meu programa por telefone, e tenho que confessar que ainda falta muito para entender a alma da gente do Juruá. Agora, como essa “inteligentzia” tem a ousadia de achar que conhece a nossa realidade sem participar do nosso dia-a-dia? Ah! já sei: como se diz por aqui, eles são mais sabidos do que eu. Se eles acham que o povo daqui quer passar o resto da vida iluminando seus lares com porongas, comendo carne salgada com farinha, vivendo de esmolas de programas sociais, andando horas a fio dentro das matas sem comunicação com o resto do mundo, eles estão enganados. Já diziam Os Titãs: “o povo não quer só comida...” O que esses pseudo-ambientalistas querem é transformar o Juruá num grande museu vivo. Se deixarem eles passam uma cerca em torno da região para poderem analisar “in locus” as espécies com tranqüilidades e poderem trazer os “gringos’que patrocinam os seus projetos para confirmar as teses livrescas que escrevem para conseguir mais recursos para as suas contas bancárias pessoais. É óbvio, que como adepto do Santo Daime, tenho na natureza o meu Pai e minha Mãe. Prezo a natureza tanto quanto a minha própria vida, pois ela faz parte também da natureza. Sou a favor da preservação ambiental da Amazônia e luto incansavelmente com as armas que tenho por isso. Mas a demagogia pra inglês ver está demais. Estão utilizando o cientificismo para consignar o museu vivo do Juruá. Está na hora dessa gente sair do conforto em que vivem nas grandes cidades brasileiras e virem para a floresta para entrarem no pré-primário do conhecimento dos anseios do povo do Juruá. Eu sei que vão me atacar porque trabalho profissionalmente para o empresário James Cameli, filho do ex-governador Orleir Cameli. Mas vocês que gostam tanto de pesquisa deveriam vir aqui perguntar à população o que ela acha do trabalho social feito por nós no dia-a-dia com a rádio Juruá FM. Aqui, nunca foi negado espaço pra ninguém. Inclusive, muitos desses pseudo-ambientalistas já tiveram programas inteiros para falarem sobre os seus pontos de vista. Vão falar da minha ligação com o senador Tião Viana, mas acredito ser ele um dos políticos mais íntegros do Brasil. Aliás, em relação a isso deveriam fazer uma comparação entre todas as ações do Tião Viana que beneficiaram a população do Acre com as deles. Aproveitem e falem também da minha ligação com o Instituto Paulo Coelho que me ajuda a produzir informação para o povo da floresta. Ah! é claro. Vocês detestam autores best-sellers. Os milhões de leitores dele são todos ignorantes. Já os minguados leitores que lêem as suas teses é que são sabidos. Parem de propagar mentiras. Ninguém vai explorar derivados fósseis em territórios indígenas e reservas ambientais. Mas saibam que os habitantes da nossa floresta querem melhorias. Eles querem crescer e viver com os mesmos direitos que o resto dos brasileiros. Querem desenvolvimento econômico. E isso, não quer dizer destruição da floresta. Já que estamos na semana da iluminação do senhor Buda, vamos pelo caminho do meio, minha gente. Pesquisem para encontrar soluções que contemplem o desenvolvimento econômico e o humano da nossa gente com a preservação do meio-ambiente. Afinal, gente também faz parte do meio-ambiente. |
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