Por Diva Gonçalves
Representantes de seis universidades do Peru, integrantes do Conselho Regional Interuniversitário da Amazônia (CRI Amazônico), estiveram em Rio Branco (AC) com o objetivo de estabelecer parcerias com instituições de ensino e pesquisa para a realização de trabalhos conjuntos que possam intensificar o processo de integração, contribuir para o desenvolvimento científico e econômico e melhorar a qualidade de vida das populações do Peru e Brasil. A viagem aconteceu no período de 30 de abril a 2 de maio.
A comitiva composta por professores e vice-reitores acadêmicos visitou a Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para conhecer as pesquisas desenvolvidas pela empresa e discutir estratégias para formalização de um convênio de cooperação internacional, visando o compartilhamento mútuo de conhecimentos científicos e oportunidades de capacitação para estudantes e profissionais dos dois países. O grupo também conheceu os diversos laboratórios de pesquisa da Unidade.
A viagem faz parte da agenda institucional do CRI Amazônico para fortalecimento do intercâmbio com o Brasil, fixada a partir das perspectivas de crescimento cultural, político e social geradas com a construção da rodovia Transoceânica, que liga o Brasil ao Pacífico e deixa o Acre mais próximo do Peru.
O CRI Amazônico é uma rede composta por um conjunto de oito instituições de ensino superior peruanas (Universidade de San Martin de Tarapoto; Universidade Nacional da Amazônia Peruana de Iquitos; Universidade Nacional Agrária da Selva de Tingo Maria; Universidade Nacional Intercultural da Amazônia de Pucallpa; Universidade Particular de Iquitos; Universidade Nacional de Ucayali; Universidade Nacional Toribio Rodrigez de Mendoza de Amazonas; e Universidade Nacional Amazônica de Madre de Dios). Seu principal objetivo é promover a melhoria da qualidade do ensino e o desenvolvimento de pesquisas voltadas para a solução dos problemas da Amazônia peruana.
“A Embrapa Acre é um importante instrumento de interação com os países de fronteira e de troca de experiências em diversas áreas do conhecimento científico”, afirmou o Chefe-Geral, Judson Ferreira Valentim, durante apresentação aos visitantes do portfólio de tecnologias da Unidade.
Amazônia sem fronteiras
Segundo o professor Wilson Castillo Soto, vice-reitor da Universidade Nacional Agrária da Selva e coordenador da visita, na Amazônia não existem fronteiras uma vez que os problemas e as necessidades de desenvolvimento das populações que habitam a região são comuns. A diferença é que o Brasil tem conseguido melhores resultados na busca de soluções para as necessidades básicas de seu povo.
“Nosso desejo é estabelecer uma cooperação com benefícios para os dois países. Se de um lado podemos aproveitar as tecnologias geradas pela Embrapa, como as relacionadas ao manejo e recuperação de solos, florestas e meio ambiente; por outro, dispomos de experiência e conhecimento que também podem ser compartilhados com o Brasil”, explica.
Valentim considera o estreitamento das relações entre instituições peruanas e brasileiras uma estratégia inteligente para garantir conhecimentos relevantes para ambos os lados. Ele acredita que a abertura para o Pacífico aumenta as chances de cooperação entre os países fronteiriços e a Transoceânica não será apenas uma rota de passagem, mas efetivamente a estrada da integração.
De acordo com o engenheiro Abner Barzola Cárdenas, professor da Universidade Nacional de San Martin, conhecimento significa desenvolvimento e, neste aspecto, os países da América Latina têm grandes oportunidades de intercâmbio. A capacitação em transferência de tecnologias pode melhorar o nível de vida da população rural do Peru. Além disso, as universidades amazônicas têm interesse de melhorar o currículo de cursos como Medicina Veterinária e Zootecnia, com o apoio de pesquisadores da Embrapa Acre e outras instituições de pesquisa e ensino da região de fronteira. |