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POLÍTICA

Doença de Alzheimer

Associação e CRM do Acre discutem a importância do diagnóstico precoce da doença

Flaviano Schneider *

A Associação Brasileira de Alzheimer do Acre (Abraz-AC) e o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) promoveram neste fim de semana o curso ‘Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa’, destinado aos médicos e profissionais que atuam com idosos e o envelhecimento. Na sexta-feira (dia 02), aconteceu a primeira fase do curso com carga horária de 10 horas, dirigido exclusivamente aos médicos. No sábado, a segunda fase do curso, foi especial para outros profissionais que trabalham com envelhecimento como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, profissionais de educação física, estudantes e estagiários das respectivas áreas, além de familiares e cuidadores de pessoas com demência.

Para ministrar o curso, foi convidado o médico especialista em Geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e professor na Universidade Federal de Minas Gerais, doutor Edgar Nunes de Moraes. Ele concedeu entrevista ao Blog do Tião onde fala do desafio que representa a doença de Alzheimer (DA) no mundo contemporâneo e a necessidade da preparação dos profissionais da área de saúde para o diagnóstico correto das demências.

Veja os principais trechos da entrevista.


Quais são as boas novas em se tratando de doença de Alzheimer (DA)?

Edgar Nunes de Moraes (ENM) - Várias coisas, desde o diagnóstico até o tratamento. A gente imagina que nos próximos dez anos, já tenha um tratamento muito mais eficaz do que temos hoje, ou seja, um tratamento curativo. Hoje, o desenvolvimento de drogas é extraordinário e temos tratamento para os pacientes com doença de Alzheimer. E o mais interessante é que ele é fornecido gratuitamente pelo ministério da saúde. O grande problema que a gente tem hoje não é o tratamento é o diagnóstico. Os médicos não estão dando o diagnóstico precocemente da doença. Mas, também tivemos ganhos pois existe uma série de testes que se pode usar rotineiramente na prática clínica para dar os diagnósticos.

A primeira parte de seu curso foi dirigida aos médicos. Eles agora estão aptos a trabalhar com o envelhecimento?
ENM - Não, de jeito nenhum. Por que foi muito pouco. O curso de 10 horas é pouco para capacitar. A intenção foi sensibilizar. Foi mostrar o tanto que os colegas têm que se aprofundar na área de geriatria para poder atender o idoso de forma adequada. Então é como se fosse a sementinha que foi lançada, para, a partir daí, a gente organizar cursos, eventos, seminários, para a gente poder realmente capacitar. A geriatria, o atendimento do idoso, é uma área extremamente rica de conhecimentos. Infelizmente, a maioria dos médicos não está ciente desta nova especialidade, destas novas ferramentas que temos hoje no atendimento ao idoso. A intenção foi mostrar que eles têm que estudar mais.

Ficou acertada alguma continuidade em seu trabalho aqui no Acre?
ENM - Já houve sondagens do CRM, para a gente dar continuidade nesse trabalho. Daí a importância do apoio do senador Tião Viana, enfim de todas as autoridades e instituições para que se possa oferecer para os médicos e outros profissionais da área de saúde essa capacitação de forma adequada aqui mesmo em Rio Branco. Acho que a gente tem que trabalhar com a realidade local e não mandar o pessoal para São Paulo, Minas Gerais para aprender lá algo que não vão poder aplicar aqui. Então acho que os cursos de geriatria e gerontologia devem ser feitos aqui.

Quantos são os portadores da doença de Alzheimer no Acre e no Brasil?
ENM - Se no Acre tem cerca de 30 mil idosos, a gente estima então que tenha em torno de 1.500 pessoas idosas com doença de Alzheimer. No Brasil esse contingente é de um milhão de pessoas. Será que essas pessoas estão sendo tratadas de forma adequada? Possivelmente não. Não tem 1.500 pessoas recebendo a medicação do estado. Não é porque não tem a doença, não tem o diagnóstico. E sem o diagnóstico não dá para você prescrever o remédio.

Quais seriam as políticas públicas para enfrentamento da DA?
ENM - Em termos de legislação já têm várias. Temos o Estatuto do Idoso e agora o ‘Pacto pela Vida’ que dá uma série de caminhos para poder implementar uma política de atendimento ao idoso. Agora, nenhuma política pode ter eficácia se não começar pela educação. Os profissionais da área de saúde, especialmente o médico, não aprenderam nada de geriatria na faculdade, eles não sabem. Então, não é por culpa deles, pois as faculdades de medicina não ensinam a tratar do idoso de forma adequada, dar o diagnóstico e assim por diante. Qualquer programa de atenção ao idoso deve começar pela capacitação. Se não, nada mais vai funcionar. A capacitação é o ponto chave. (Assessoria de gabinete do senador Tião Viana)

Acreanos aproveitaram bem a oportunidade

No sábado, mais de 100 profissionais de saúde e cuidadores de idosos participaram do Curso. O curioso é que mais de 80% era de mulheres. A promoção da Abraz-AC e CRM-AC foi um sucesso, e os profissionais acreanos da área de saúde souberam aproveitar a oportunidade do ilustre professor doutor Edgar Nunes de Moraes.|

Poliana Lima Lemos é agente de saúde no posto da Vila da Amizade e estudante de Psicologia na FAAO. Ela foi atraída pelo curso por sentir a necessidade de conhecer a realidade do idoso com demências, conhecer suas necessidades e também aprender a identificar a doença de Alzheimer. Para ela o curso serviu como complemento aos estudos feitos na faculdade.
Silene Bulcão da Silva é técnica em Enfermagem e faz Estudos Sociais na Unopar. Ela trabalha no Lar dos Vicentinos, onde aprendeu a gostar da área de envelhecimento. O curso, segundo ela, serviu para se atualizar no reconhecimento das pessoas com demência e ter mais base para atuar em seu trabalho.

* Diretor de Comunicação da Abraz-AC

 
 
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Rio Branco-AC, 06 de maio de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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