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Biocombustível terá certificado, afirma Lula na Bélgica Presidente quer o país com mercado responsável e sustentável |
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Bruxelas - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil vai criar uma certificação para que o mercado de biocombustíveis seja desenvolvido de modo responsável e sustentável. Também voltou a rebater as críticas de que o uso de sementes para produção de energia vai aumentar a fome no mundo e disse que se há um culpado pela falta de acesso de parte da população aos alimentos, é a política de subsídios dos países ricos. “Estamos desenvolvendo o Programa Brasileiro de Certificação Técnica, Ambiental e Social dos Biocombustíveis, que permitirá mostrar que toda a cadeia de produção dos biocombustíveis no país respeita critérios ambientais, sociais e trabalhistas, consagrados nas normas internacionais e na legislação brasileira, e exigidos pela sociedade”, disse Lula na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em Bruxelas. O presidente mencionou a necessidade de criar padrões e normas técnicas sobre o etanol e o biodiesel para fazer do biocombustível um “pilar da matriz energética mundial”. E disse que está sendo feito um trabalho conjunto com “nossos parceiros no Foro Internacional de Biocombustíveis: África do Sul, China, Estados Unidos, Índia e União Européia”. Lula frisou que o objetivo do certificado não é “criar uma competição entre energia, comida e meio ambiente”, mas mostrar respeito pelas questões ambientais e pela necessidade de preservar a produção de alimentos. Um dos principais defensores dos biocombustíveis na comunidade internacional, o presidente foi o único chefe de Estado presente ao encontro. A União Européia se impôs a meta de substituir 10% de todo o combustível consumido pelos 27 países do bloco por energias renováveis até 2020. Hoje, a participação é de 1%, como disse presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. Sobre a questão alimentar, Lula disse: “Todos sabemos que não há escassez de alimentos no mundo, mas escassez de renda capaz de garantir o acesso das populações mais pobres ao que comer. A falta de renda está diretamente vinculada aos vultosos subsídios agrícolas dos países ricos. Trata-se de desvio do comércio internacional que ameaça a produção de alimentos e de excedentes exportáveis pelos países pobres”. O presidente usou o Brasil como exemplo de que não há oposição entre uma agricultura voltada para a produção de alimentos e outra para a produção de energia. “A fome no país diminuiu no mesmo período em que aumentou o uso dos biocombustíveis. O plantio da cana-de-açúcar não comprometeu ou deslocou a produção de alimentos. Na realidade, a cana ocupa menos de 10% da área cultivada do país, ou seja, menos de 0,4% do território brasileiro. Essa área – é bom que se diga – fica muito distante da Amazônia, região que não se presta à cultura da cana”. Ele afirmou ainda que o Brasil convocará uma Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em julho de 2008, no Rio de Janeiro, que sediou o encontro ambiental Rio-92, há 15 anos. (Agência Brasil) |
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