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Nova era para o comércio da Praça da Bandeira Revitalização do Mercado Velho resgata o otimismo dos comerciantes que amargaram anos no abandono |
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Os comerciantes da Praça da Bandeira que durante anos conviveram com a sujeira e o abandono dizem hoje que a estrutura da obra de revitalização do Mercado Velho, na Avenida Epaminondas Jácome, veio trazer de volta o otimismo que a maioria havia perdido. A obra será inaugurada hoje, às 17 horas, pelo governador Jorge Viana e demais autoridades. A solenidade faz parte da comemoração dos 104 anos do início da Revolução Acreana, sendo que o Mercado Velho e seus freqüentadores assistiram de perto ao desenvolvimento habitacional de Rio Branco e as mudanças ocorridas desde a época. O dia de hoje representa uma nova página na vida dos lojistas, das donas de pensão e demais trabalhadores que permaneceram na área, mesmo quando a situação parecia insustentável, diante da visão de abandono em que se encontrava. O Mercado Velho surgiu em 1929, tornando-se durante muitos anos o principal centro comercial da cidade. Com o passar do tempo e a retirada da linha dos ônibus que passava pelo local, além da erosão na margem do rio Acre, os comerciantes foram se tornando cada dia mais isolados, o que fez com que muitos desistissem do ramo ou abandonassem seus pontos. No entanto, as vielas escuras e o barranco coberto pelo mato que abrigava ratos e baratas deram lugar a calçadas, a novos prédios e a uma praça com luminárias e bancos. A nova realidade levou os homens e mulheres que trabalham na área a acreditar na volta da clientela. Juliano Moraes Marques, dono de uma ourivesaria no interior da praça, chegou ao local em 1974 e disse que ainda sente falta do que foi o velho mercado no passado, com suas bancas de verduras e frutas. “É um novo tempo e a gente tem que caminhar para frente, e é isso o que está acontecendo”, acrescentou. O presidente da Associação dos Comerciantes, Flaudemir Lima de Souza, ocupa uma das lojas do mercado há 28 anos e elogiou a mudança. “Há mais de dez anos agente esperava que alguém olhasse para a situação e promovesse uma mudança na estrutura. O governador Jorge Viana fez isso”, declarou. Doineide Aparecida de Paiva Filho abriu uma pensão na praça há dois anos e acredita que a revitalização do local vai trazer novos clientes para se deliciarem com os pratos que ela sente orgulho em fazer. Dioneide aproveitou a oportunidade para fazer o marketing do espaço: “Costela de tambaqui, galinha caipira e churrasco de picanha são algumas das delícias que a gente faz aqui na Pensão Amarelinho”, afirmou. Altemir Alves de Menezes, dono de uma loja de material de construção, esporte e pesca, está no mercado há 42 anos. Enquanto atende um freguês e outro, traça linha e confecciona tarrafas, atividade que ele aprendeu quando ainda era criança. Altemir se mudou para um ponto no Segundo Distrito enquanto seu estabelecimento era reformado no interior da Praça da Bandeira. Ele deverá retornar agora e já conta com o começo de uma nova era para o comércio no Mercado Velho. Segundo Altermir, a revitalização do espaço foi obra de Deus para salvar as famílias do perigo iminente que o emaranhado de fios de eletricidade oferecia. “A nova estrutura não está só bonita, está linda”, define. O que diz o comerciante mais antigo da praça Esmerindo Alves de Lima, 92, é o comerciante mais antigo da Praça da Bandeira. Ele chegou no Estado, vindo do ceará em 1942, época em que o rio era o principal meio para o transporte de produtos vindos de outros Estados. “A área comercial era localizada na Gameleira, no Segundo Distrito, onde ficavam o cinema e o banco. Aqui havia poucas lojas, uma fileira de pés mangueira na calçada da frente e carroças circulando com pessoas e produtos”, lembrou. Esmerindo veio para o Estado aos 28 anos como soldado da borracha. Constituiu família e fica com os olhos marejados de lágrimas ao falar de sua esposa que faleceu há dois anos. Numa gaveta entre papéis ele procurou fotografias da época, e mostrou uma carteira de identidade expedida em janeiro de 1946, quando ainda era um jovem galante. Ele também tem sua opinião formada sobre as mudanças feitas pelo governo na Praça da Bandeira e estrutura do Mercado Velho. “Mais do que isso não pode melhorar, porque está bom demais. Pra se ter uma idéia, quando eu cheguei isso tudo aqui era um seringal”, afirmou. O comerciante lembrou ainda que em 1946 viajou para o Ceará para ver se ainda gostava da terra natal, mas não se acostumou e voltou para o Acre no ano seguinte. Um investimento leva a outro Com o processo de revitalização da Praça da Bandeira os comerciantes da área capricham na reforma de seus estabelecimentos para acompanhar a modernidade da nova estrutura. Esse é o caso do radialista Jorge Cardoso, que mantém uma loja de equipamentos musicais desde 1975. Além da reforma que está fazendo no espaço, ele decidiu ampliar a oferta de produtos, passando a oferecer outros acessórios musicais, inclusive importados. Ele disse que acompanhou os vários processos que levaram o Mercado Velho ao estado de abandono em que estava, e que está feliz por assistir a chegada de um novo tempo de esperança. “Graças a Deus e ao governador Jorge Viana a situação já melhorou e os clientes têm agora um espaço nobre para caminhar e fazer compras”, ressaltou. Populares contemplam o novo espaço De passagem pelo centro da cidade, a aposentada Maria Vieira Lopes da Silva, 83, moradora da Baixada do Sol, não perdeu a oportunidade de ver de perto a nova estrutura da área do Mercado Velho. Ela estava acompanhada da neta e da filha Sebastiana Lopes da Silva, 63. Juntas, percorreram todo o calçadão que fica de frente para o rio Acre e observaram admiradas o movimento de pessoas e as novas cores das fachadas das lojas. Concentrada nas imagens, Maria garantiu que o mercado não parecia em nada mais o antigo, que tinha valas de águas sujas e paredes escuras. “Dava até medo de passar por dentro do mercado. O ambiente era escuro mesmo durante o dia, e a fiação fazia agente pensar que a qualquer momento tudo aquilo iria virá cinzas”, observou. A filha dela, Sebastiana, lembrou que mais uma vez o governador deu um toque de carinho à cidade. “Acho que não é só o comerciante daqui que está de parabéns, todos nós estamos, porque vamos poder desfrutar juntos desse panorama”, assegurou. O panorama a que Sebastiana se refere inclui a passarela, que surge com uma modernidade e imponente sobre o rio Acre. |
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