OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

José Augusto Fontes

 

POESIAS

AMOR ADORMECIDO


Meu amor vai ficando por aí, nos ares

Por todos esses lugares em que você anda e quase não me vê

Meu amor vai perdendo a pressa, mas ainda fica ansioso

Sempre que te vê, encontra o não saber dizer

Enquanto teu olhar percorre vazios

Não nota, não sente, não adivinha, não tem querer

E não há ninguem pra te avisar

Em todos esses lugares

Ninguém pra despertar meu amor, que não é de muito falar

Seguimos em silêncio, teu olhar perdido, meu amor ansioso

Que pena

Outras gerações, situações, esperar, continuar ...

Outro eu, alguém, sem aviso, poderá viver tudo isso?

Quem sabe, um vácuo, no vazio do teu olhar, do teu querer

Quem sabe, um sentimento vadio, desperte o amor

Que está ficando por aí, nos ares

Em todos esses lugares

Em que você anda e quase não me vê.

AUSÊNCIA

Teu rosto me sorriu

No sorriso de outra

Através de quem eu te via

Mas ali não estava

Teu cheiro.

Sorriu também teu corpo

Mas já nem no outro eu estava,

Pegava

Naquele, através do qual eu te amava

Quase sentia.

Veio tua lembrança

Meio pelo qual eu te acompanhava

Desejava,

E adormecia

Mas eu já não estava ali.

 

 
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Rio Branco-AC, 6 de agosto de 2006
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