PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Oportunidades de negócio na fronteira


Juracy Xangai

Quando os negócios não deram certo em Rio Branco, Júnior de Melo Souza, o Juninho, colocou numa mala o que restava de uma loja de roupas e, em outra menos as suas próprias roupas em outra menor e partiu para tentar a vida em Assis Brasil na fronteira com o Peru.

“O começo não foi fácil, mas foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida. Hoje ainda luto para pagar as dívidas, mas olhando lá pra trás, o que tinha quando cheguei há três anos e meio e o que tenho hoje, o balanço é muito positivo e tudo o que tenho eu devo a esta gente boa daqui de Assis Brasil e do Peru”, explica Juninho.

A cidade que já foi das mais isoladas do Acre, ganhou estrada asfaltada e ponte da Integração ligando com o Peru e com isso atraiu muita gente interessada em fazer negócios com o pais vizinho. A vida pacata transformou-se da noite para o dia.

“A verdade é que nós não estamos preparados para receber esses novos clientes, assim estamos perdendo alguns negócios e, o prejuízo só não é maior graças à instalação do Espaço Sebrae aqui em nossa cidade. Com ele estamos podendo fazer cursos, participar de palestras e nos atualizar para ampliar a visão sobre as oportunidades que estão surgindo”.

Na Juninho confecções ele atende com presteza a um velho índio seringueiro, que parte em seguida com as compras nas mãos. “Para atender as exigências dos clientes de hoje é preciso ter infraestrutura. O governo está investindo em nossa cidade fazendo parceria com a prefeitura para revitalizar a párea comercial do centro e, eu sei que se a gente trabalhar juntos vamos animar Assis Brasil porque este é o melhor lugar que eu encontrei para montar no Acre”.

Juracy Xangai
Juninho relembra que o começo não foi fácil, mas
disse que não se arrepende da mudança


Empreendedorismo ambiental aplicado

Juracy Xangai

A cada verão as praias de rio Purus vêem a festa da fartura com as virações de tracajá, tartarugas e iaçás, mais a caça das covas de ovos para serem comidos cozidos ou misturados com farinha (arabu) tradição do povo kaxinawá. Tradição que tem os dias contados para acabar diante do rápido desaparecimento destes animais nos rios da Amazônia, ou seja, sem tracajá não tem carne cozida ou assada no casco nem arabu.

“Os mais velhos contam que antigamente tinha muito tracajá e tartaruga, agora ainda tem alguma tracajá, mas tartaruga não tem, acabou. O pessoal caçou quase tudo”, lamenta com o olhos cheios de saudade de um tempo que não conheceu, Tomás Rodrigues Kaxinawá, agente ambiental da aldeia Porto Rico no alto Purus, município de Santa Rosa.

“Neste ano colhi 588 ovos de tracajá em 23 covas, mas a gente ainda vai pegar mais para cuidar e tirar os filhotinhos”, explica lembrando que já tem no tanque da aldeia 215 tracajazinhos, 30% das que foram criadas no ano passado, o resto foi tratado até ficar mais forte e depois foram soltos no rio. “Eles crescem bem comendo banana, macaxeira, mas gostam muito mesmo das folhas de batata. Nossa comunidade ajuda a explicar pras pessoas não matar os tracajá nem tirar os ovos, mas alguns ainda fazem isso”.

Seu parente, Jorge Domingos Kaxinawá, trabalha na aldeia Nova Fronteira, também no rio Purus, em cujas praias encontrou oito ninhos que lhe renderam 103 ovos. “A gente tem que cuidar senão os bichos vão acabar, nós precisamos fazer eles aumentarem de novo para alimentar nossos filhos e netos”.

Tomas e Jorge são apenas dois dentre os vários agentes ambientais indígenas que estão participando do projeto de Manejo comunitário de Quelônios que vem sendo orientado pela gerência de manejo comunitário de fauna da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal (Seater) em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A idéia fundamental do projeto é promover a criação sistemática destes animais silvestres diminuindo a pressão da caça predatória, ao mesmo tempo em que estimula o repovoamento do rio, melhora o suprimento de proteína para as famílias e ainda gera renda num autêntico sistema de empreendedorismo ambiental.

Juracy Xangai
Tomás e Jorge relembram o tempo em que havia
abundância de tracajás no rio Purus

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Vanessa França (Registro Profissional: 3280 L-14F-89 DRT/PE) vanessa@ac.sebrae.com.br - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 18 de dezembro de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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