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Porto Acre: berço da Revolução Acreana

Município guarda os vestígios da luta dos homens e mulheres que mudaram a história e iniciaram uma nova página de liberdade no Acre


Texto e fotos Ana Angélica Freire de Souza

Igreja foi restaurada e transformada em Sala Memória no fim da década de oitenta

Quem visita Porto Acre nos dias de hoje, buscando informações sobre a história e os espaços culturais que remontam a cena da Revolução, acaba chegando até o coordenador da Sala Memória do município, Arthur Sena. Ele coordena o espaço desde 1999 e é considerado pelos visitantes e pela própria comunidade uma figura humana de muito valor.

Sua simplicidade, experiência, conhecimento e o carinho com que trata a história do local deixam as pessoas encantadas. Ele lembra que, infelizmente, não pode concluir seus estudos, mas fica orgulhoso porque os filhos “são todos formados”. Pessoas como ele são capazes de deixar impressionado qualquer cidadão tido como erudito.

Arthur Sena é o coordenador do espaço há nove anos

Sua experiência de vida e conhecimento são fruto de uma vida dedicada à preservação da memória da história de Porto Acre. Arthur Sena conhece profundamente todo o acervo da Sala Memória do município, espaço histórico que conta um pouco sobre a Revolução Acreana e também abriga vários artefatos da época.

Na sala existem painéis que descrevem a história do espaço. Em um deles está a própria Igreja Nossa Senhora de Nazaré, padroeira de Porto Acre. Ela foi construída no fim da década de 40 e teve toda a estrutura conservada depois da construção de sua réplica, de maior porte, para acolher a grande quantidade de fiéis.

No fim da década de 80, com o apoio do governo do Estado, por meio da Fundação Cultural, a igreja foi recuperada e transformada em Sala Memória.

O espaço, segundo Arthur, recebe diversas visitas de pessoas da comunidade, escolas, pesquisadores e alunos, assim como turistas de outros Estados e países. Orgulhoso, o coordenador conta que o ginásio de esportes do local recebeu seu nome como homenagem pelo reconhecimento do seu esforço empreendido junto aos jovens e adultos do local no tocante às atividades esportivas e à preservação da história acreana. “Ainda bem que eu estou sendo homenageado em vida! Outros não tiveram a mesma sorte que eu”, brinca.

Detalhista, ele conta que recentemente, junto com uma estagiária, encontrou uma pequena garrafa com uma flor dentro e ficou impressionado por um objeto tão antigo, com espaço tão pequeno, abrigar uma flor. “Tinha pouco ou quase nada de oxigênio dentro da garrafa”, enfatiza.
Servidor da Fundação Cultural Elias Mansour, Arthur Sena se diz satisfeito com a atenção que os espaços culturais e históricos da região acreana vêm recebendo por parte da administração.

“O acervo histórico de Porto Acre foi restaurado e estruturado na gestão do governador Jorge Viana, trabalho que tem tido continuidade pela gestão atual”, ressalta.

Segundo ele, durante a produção da minissérie “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes”, produzida pala TV Globo, o espaço foi visitado por profissionais da emissora para entrevistá-lo. “Fiquei falando por duas horas sobre este espaço cultural e a memória de Porto Acre. Eles ficaram encantados com minha capacidade de contar a história de forma ininterrupta”, diz.

Quanto ao acervo do local, Arthur Sena conhece todas as peças e conta a história de cada uma delas. Chega até a contestar datas que, segundo ele, não precisam bem a história.

O coordenador explica ainda que se o visitante observar o chão do terreno em que está a sala poderá ver pedaços de telhas e garrafas que remetem ao cenário da Revolução Acreana.

“Isso porque, quando foram construir a estrada que leva ao centro de Porto Acre, os tratores arrastaram o barro da parte de cima da cidade, local onde ficava o palácio de Galvez. Por esse motivo, objetos como garrafas, telhas, panelas, colheres, armas e munição de países como Alemanha, França, Portugal e Bolívia ficaram aterrados no local”, comenta.

A maior parte desse material foi resgatada, restaurada e catalogada e hoje compõe o acervo histórico do espaço, que faz parte de um grande quebra-cabeça que remete à vida de homens e mulheres que viveram e fizeram a história da região.

 

 
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Rio Branco-AC, 6 de agosto de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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