OPINIÃO
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Alejandro Fonseca Duarte
Universidade Federal do Acre, Henrique Alberto Leite Anastácio, Cláudio Jorge Carvalho da Motta e Ana Paula Maia Jansen - Prefeitura Municipal de Rio Branco

 

O Acre, suas florestas, chuvas e seca

Nunca antes tivemos a possibilidade de saber como chove na floresta acreana, embora os seus moradores saibam, os satélites o estimem e a teoria nos remete a crer que na floresta as chuvas são mais abundantes. Quando partes da floresta são transformadas em pastagem, ou derrubadas para outros usos, tal impacto aparece em forma de aumento da temperatura, diminuição da umidade e redução das chuvas.

Vamos nos referir às florestas na região do projeto de assentamento Oriente, nas áreas do seringal São Pedro do Icó, com acesso através da rodovia AC-90 (Transacreana); e àquelas na região do seringal Espalha nas proximidades do igarapé do mesmo nome, após a reserva extrativista Chico Mendes.

Para medir as chuvas nessas regiões utilizamos pluviômetros digitais, aparelhos para determinar e armazenar informação sobre que dias choveu, quanta chuva, a que hora, quando cessou de chover e quando não choveu. São estações pluviométricas, instaladas pela Universidade Federal do Acre e a Prefeitura Municipal de Rio Branco, que ainda não possuem a capacidade de transmitir automaticamente as informações para saber delas no momento que os fatos acontecem. Mas mesmo assim é um avanço extraordinário porque chegamos a conhecer como choveu nessas florestas em meses de 2006 e 2007, de donde antes não sabíamos disso.

As águas das chuvas na região do Oriente chegam ao Riozinho do Rola a 100 km de Rio Branco. E as da região do Espalha, percorrem mais de 50 km por esse igarapé até chegar ao Riozinho do Rola, a uma distância de 60 km de Rio Branco. O Riozinho do Rola desemboca no rio Acre, as águas seguem seu curso e a 12 km daí passam pela ponte de ferro da capital. Perto dessa ponte, no bairro 6 de Agosto existe um ponto de medição do nível do rio, monitorado pelos bombeiros.

Quando em fevereiro de 2007 o nível do rio Acre, em Rio Branco, esteve em torno de 5 m, quer dizer aproximadamente 6 m abaixo do seu nível normal para esse mês, o Riozinho do Rola não trouxe águas de escoamento superficial da região do Oriente desde 23 de janeiro e durante todo fevereiro, porque nessa região não choveu, seca total. Interessante saber disso. Pois se pode inferir que durante a alagação de fevereiro de 2006, as chuvas torrenciais de várias regiões da floresta encheram o rio Acre.

Fevereiro seco na região do Oriente e chuvas insuficientes na região do Espalha, durante os meses mais chuvosos do ano, sobretudo em fevereiro, com quase 100 mm a menos do esperado, se reflete nos baixos níveis de água do rio Acre atualmente.

É pouco o tempo de medições, mas é um começo do qual emanam perguntas e mais desafios: como está chovendo nas demais regiões de floresta, que escoam água para o rio Acre, vindas pelos rios Xapuri e Espalha? Será que na região do Oriente chove menos que na região do Espalha, em decorrência do desmatamento e da exploração madeireira?

 
 
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Rio Branco-AC, 6 de setembro de 2007
   GIRO GERAL
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Com Leonildo Rosas
 
 
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