OPINIÃO
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Raimundo F. Souza *

 

Depois dessa, não falta mais nada!

A princípio não acreditei, achei absurdo e descabido. Deve ser algum engano, isso não é possível! Mas, após ler e reler, constatei que era verdade verdadeira. Só faltava essa! Esses americanos não têm mais o que inventar. O pior é que, como dizia a letra de um antigo samba, “quem não sabe tocar violão nem pistão, toca surdo e sempre agrada porque nesse mundo tem bobo pra tudo”. Mas tem mesmo!

Dia 30 de agosto último, quando passava os olhos na página de esporte na internet para ver se o Fluminense tinha perdido mais uma e estava fazendo companhia ao Flamengo naquela zona vermelha dos times prestes a despencar para a segundona, deparei-me com uma manchete no mínimo exótica e logo abaixo a descrição dos fatos. Conforme descreve o subtítulo, essa noticia é para embrulhar o estômago de qualquer mortal. Confesso que não é exagero.

E quem se dispor a fechar o negócio, segundo a notícia, tem a garantia de receber a mercadoria “inspecionada por laboratório renomado, ligado à Cruz Vermelha, em embalagem totalmente segura e acompanhado de bula orientando como utilizar”. Eca! Por sinal, essa questão da utilização não está bem explicada na notícia e ainda traz uma recomendação que não aceita troca nem devolução, mas acredito que isso também não será problema - até porque quem se dispuser a adquirir essas relíquias certamente deve estar consciente da decisão.

E você está pensando que é alguma coisa promíscua, não é? Mas está cento e um por cento enganado. Esse tipo de notícia não me assusta mais, mesmo porque isso já é coisa natural, esse tipo de produto e/ou serviço já pode ser oferecido e disponibilizado até no site da igreja. No entanto, o produto de que estou falando é coisa rara e ninguém tinha atentado para sua comercialização pela internet. Os americanos realmente têm visão de negócio, aliás, mais do que isso, eles têm é uma legião de abestados à sua eterna disposição.

Já que você está ficando curioso, vou compilar literalmente o título da matéria: “Fezes de Mike Tyson à venda na rede”. É mole? E tem mais: não é só o material fecal do nosso ex-campeão dos pesados que está disponível - estão à venda também fluídos corporais (suor), xixi, bactérias, fios de cabelos (molinhas), baba, catarro e células da pele. E se você quiser fazer uma reserva o site é: celebrityskin.com. Confira! Lá você poderá adquirir um potinho de cocô do fortão (não foi informado o peso, mas acho que não deve ultrapassar um quilo, por apenas trinta e um dólares).

Quanto ao restante das mercadorias, os preços são variados. Por exemplo, células da pele e bactérias custam doze dólares a porção. Conforme pudemos observar, os americanos vendem excrementos, principalmente para os países do Terceiro Mundo, a preço de ouro. Os anunciantes ainda fazem uma propaganda para encorajar os compradores, afirmando que se trata de um bom negócio, pois quem adquirir poderá obter um rendimento entre quinhentos a mil dólares por porção. Ou seja, nesses dias obscuros, é melhor investir nos dejetos do Tyson do que na bolsa de valores.

E aqui no país do carnaval e do futebol, estão guardando o cocô de quem para comercializar? Quem já pensou nisso? Esse não, esse não tem pedigree... Vamos fazer um plebiscito, talvez instaurar uma CPI, investigar literalmente a fundo, doa a quem doer, para depois depurar e eleger um cidadão, representante da maioria absoluta e que possa fornecer um cocô digno de ser comercializado na América do Sul, quem sabe exportar aos outros continentes.

* Bibliotecário e documentalista

 

 
 
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Rio Branco-AC, 6 de setembro de 2007
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