COTIDIANO

Carioca descobre em Acrelândia a “pupunha de ouro”

Fruto da terra vem gerando renda para o sustento de toda a família


TOINHO conta com a ajuda dos filhos na hora da produção

Juracy Xangai

Aos onze anos, o menino Márcio Silva dos Santos, estudante da quinta série, aparece sempre que pode no mercado municipal de Plácido de Castro a fim de praticar seu espírito empreendedor na venda da pupunha colhida na colônia da família em Acrelândia.

“Olha a pupunha a dois e três reais o cacho...”, grita ele para atrair a atenção dos que passam pela rua principal de Plácido, primeiro município vizinho ao seu.

Solicito, explica que tem pupunhas amarelas, vermelhas, grandes e pequenas, maduras e mais verdolengas para atender a todos os gostos, mesmo assim faz questão de esclarecer que: “As preferidas são as vermelhas pequenas, quando menor mais gostosa porque mais óleo tem. Por isso é que o pessoal dá preferência a elas”, garante com um olhar de quem sabe o que está falando.

O pai que se movimenta de um lado para o outro a fim de atender os fregueses que estão à compra de mais esta iguaria amazônica, cujo palmito já faz sucesso no mundo. Ele pára um momento em socorro do filho que algumas coisas não sabe responder com certeza.

Antônio Pereira dos Santos, o “Toninho”, 38 anos, pai de quatro filhos é carioca de nascimento e sempre, desde criança teve sua vida voltada ao comércio de verduras trabalhando na feira livre de Duque de Caxias.

Já adulto veio para o Acre fixando-se num dos lotes localizados na área da invasão da Reserva Florestal do Projeto Redenção, em Acrelândia. “Cheguei no Acre há 20 anos e já perdi a conta das malárias que peguei, mas valeu a pena. Hoje tenho uma colônia de 30 hectares onde há quatro anos plantei dois hectares de punha que entraram em produção há dois anos e me dão uma média de 20 mil cachos por ano, é uma das melhores lavouras que já vi”.

Mas nem só de pupunha vivem Toninho e seus filhos, pois tem umas 20 cabeças de gado, mais dois hectares de milho espigando, mil covas de banana. “No último verão, colhi mais de 20 sacas de feijão-rosinha de primeira qualidade. A gente trabalha muito, sua a camisa, mas vale a pena, porque, como dizem, quem planta, colhe.”

 

 
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