| COTIDIANO | |
Fragmentos da história real da morte de Plácido de Castro Irmão conta como foram os últimos momentos da vida do herói acreano |
|
Val Sales No Livro “O Estado Independente do Acre - e José Plácido de Castro Exceptos Históricos”, Genesco de Castro conta como foram os últimos momentos da vida do irmão. Plácido de Castro morreu aos 28 anos de idade na tarde do dia 11 de agosto de 1908, três dias depois de ser alvejado a tiros numa tocaia armada pelo coronel Gabino Besouro. Suas últimas palavras foram: “Tantas oportunidades tive de morrer nos campos de batalha e esses ‘heróis’ vieram me matar pelas costas”. O herói do Acre foi morto pelas costas porque seus opositores não tinham a coragem de enfrentá-lo de frente, pois sabiam que jamais o venceriam. A história do valente homem é conhecida pelo povo acreano e agora está sendo contada para o Brasil na minissérie “Amazônia”. A seguir a transcrição da tragédia que levou à morte de Plácido. O texto obedece fielmente à forma como foi escrita no livro. “... Plácido de Castro defrontava-se com a caverna dos bandidos e recebia o primeiro tiro, disparado pelo braço direito do coronel Besouro (pelo subdelegado Alexandrino José da Silva), que lhe attingiu o braço esquerdo, pouco acima do cotovello; um segundo tiro, quasi ao mesmo tempo, o alcançou do lado esquerdo da coluna vertebral, penetrando de baixo para cima e da direita para a esquerda na raiz da segunda falsa costella e sahindo na altura da primeira que, como a outra, ficou reduzida a fragmentos. Ambos os tiros foram disparados à queima-roupa: vestes e carnes ficaram chamuscadas. O primeiro ferimento não teve importância: produzido por arma de guerra, atravessou o tecido muscular sem prejuízo funccional, salvo no primeiro momento. O segundo, foi grave pelo aspecto, pelo tamanho, pelo traumatismo, muito embora não tivesse alcançado a pleura: produzido por bala de chumbo, de Winchester 440, tinha um grande orifício de entrada e um enorme de saída, que parecia uma rosa de carnes, no cento de um amplo painel violáceo. Ferido de morte, Plácido é amparado pelo irmão Parte da blusa de azulão foi arrastada pelo projectil, e eram visíveis os pedaços de panno misturados com os fragmentos ósseos cravados na carne. Ao receber o primeiro tiro, Plácido quis fazer uso da pistola que trazia, ao mesmo tempo que abaixou-se sobre o cavalo para ver os seus agressores...”. Não temos mais o que fazer aqui (disse Plácido ao irmão) monta o cavalo que estou sentindo-me mal e desejo alcançar o “Bemfica”. Montei e seguimos acompanhados pelo doutor Campello, mantendo os animaes em galope curto. Havíamos percorrido kilometro e meio, si tanto, quando meu irmão foi tomado de uma vertigem, que mal me deu tempo para ampara-lo na queda que ia dando. Sustada a marcha, amparei-o como pude, recostando-o sobre o grosso tronco de uma arvore abatida...”. Em outro ponto do livro: “...Fui até a presença de Plácido, que me esperava com anciedade, e que me recebeu com essas palavras: - ‘ Já te disse que preciso que te salves! Eu já me considero morto. Deixa-me o revolver que eu defenderei do leito este resto de vida. O último tiro será para mim, pois não lhes darei o prazer de completar a obra. Escapa-te. É preciso que te salves...’. A morte e um pedido ao irmão “... Às 4 horas da tarde do dia 11, Plácido deixou de existir. Cerca de meia hora antes do seu passamento, a dyspnéa que o affligia começou a desapparecer e a morte foi tão calma que o doutor Caribe da Rocha chegou a pensar que elle estivesse melhorando e me disse: ‘agora ele está melhorando’, ao que lhe repliquei: ‘agora elle está morto, doutor...’. Eu estava exausto de fadiga e de insomnia. Assim que Plácido fechou os olhos, dispus o seu cadáver de forma conveniente no leito em que desçava e estiquei o meu corpo ao seu lado, dormindo, creio que 10 ou 12 horas consecutivas. Quando despertei já o nosso amigo Rola havia providenciado sobre a confecção de um esquife, de modo que, muito cedo fizemos o enterro no dia seguinte. Plácido me havia pedido para tirar-lhe o coração, assim que fallecesse, e partir ao meio, levando metade para sua noiva e metade para a nossa mãe, como últimas lembranças. E eu não esqueci o seu pedido, procurando executar a incumbência, minutos após o seu passamento, mas tal oposição encontrei de quantos o rodeavam; taes considerações me fizeram, que faltei com o cumprimento do meu dever...”. |
|
|
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |