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Desenvolvimento comunitário

Binho apresenta as linhas gerais de seu governo e conclama todos a uma parceria pelo desenvolvimento sustentável

Sérgio Valle/Secom
Binho: “Nosso governo tem o desafio de promover o desenvolvimento integral das pessoas. No conceito de vida digna estão também a alegria e a felicidade”


Juracy Xangai

Para onde vai o Acre? Esse foi o tema central do discurso com que o governador Binho Marques abriu, ontem, os trabalhos da Assembléia Legislativa falando sobre o desenvolvimento comunitário, que tem a inclusão social, ou mais especificamente as pessoas, como foco de suas ações.

A meta está clara: fazer com que até 2010 o Acre seja o melhor lugar para se viver na Amazônia. Para que isso se torne realidade, todos, sem exceção, vão ter que ajudar. Isso é governo de participação comunitária.

Mas, para quem ainda tem dúvidas sobre para onde vai o Acre sob seu governo, ele respondeu que volte sua visão para o que fez na educação focando-a para o aluno e a melhoria da qualidade do ensino priorizando o que era essencial através de uma boa gestão. Gestão que se espalhará agora para a saúde, segurança e setor produtivo, contando sempre com a participação ativa da comunidade, mas focada no cidadão.

Ele avisou que, em vez de tantos projetos piloto, é preciso partir para ações práticas em dez ou no máximo quinze programas estruturantes voltados a atender o maior número possível de pessoas para consolidar o desenvolvimento econômico sustentável com dignidade e algum dinheiro no bolso.

Quanto a isso, ele foi enfático ao afirmar: “Assim como não haverá inclusão social e ação básica sem desenvolvimento econômico sustentável, afirmo que não haverá desenvolvimento sustentável sem a participação da comunidade”.

Binho anunciou que, ao longo deste mês de fevereiro, estará apresentando seus projetos às lideranças da Frente Popular, antes de submetê-los à apreciação da Assembléia Legislativa, o que acontecerá em março.

De Foz do Breu para o mundo

Binho lembrou que nesses últimos anos o Acre saiu das páginas policiais para transformar-se, cada vez mais presente no cenário político nacional e internacional como um marco civilizatório do desenvolvimento sustentável, que aumenta a responsabilidade do governo da florestania.

Ele anunciou seu desejo de que todas as comunidades rurais e urbanas tenham acesso ao mínimo dispensável para garantir uma qualidade de vida mais digna. O que deverá ser estabelecido em amplo debate com cada comunidade, de acordo com seu perfil, tamanho e localização.

“A comunidade de Foz do Breu, que tive a oportunidade de conhecer durante a campanha, é um modelo que pretendemos seguir. Apesar da distância, dispõe de uma boa escola, área de lazer, posto de saúde e uma microeconomia que possibilita o acesso das pessoas aos bens essenciais. É uma comunidade alegre, sadia, com razoável padrão de habitabilidade, uma forma de traduzir o conceito de florestania.”

Governar para a família

Ele explicou que, nos últimos dois anos, o governo do Estado, em parceria com as prefeituras e o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) vem investindo para construir um sistema que permita fazer uma análise mais precisa da verdadeira situação em que vivem as famílias acreanas. Para isso, o governo estará aplicando o Índice de Desenvolvimento da Família (IDF), que estará fundamentados em 48 indicadores econômicos e sociais.

“Será possível saber quem são e onde estão as famílias acreanas em maior condição de vulnerabilidade social. A partir daí serão realizados pactos com as prefeituras estabelecendo desafios específicos para que cada município alcance seu desenvolvimento regional sustentável. O gabinete de César Messias será fortalecido para esse fim que julgo dos mais importantes para que a gente avance na inclusão social”, disse.

Eixos de governo

Estruturado sobre quatro eixos estratégicos - inclusão social, ações básicas, infra-estrutura e desenvolvimento sustentável -, o governo de Binho Marques aprendeu na educação e agora pretende aplicar nos demais setores do Estado o conceito de que tudo deve ser feito dividindo responsabilidades e em parceria com as prefeituras e a sociedade organizada.

Sociedade que precisa ser entendida como igrejas e entidades representativas dos trabalhadores, de grupos sociais e profissionais em ações mais específicas. Enfim, um grande adjunto no qual a comunidade tome os projetos para si, ficando mais fortalecida e autônoma.

“O governo não vai fazer tudo. Vai ajudar as comunidades a encontrar seu caminho. Deixa de ser o provedor e se afirma como colaborador.” E reafirmou que o governo não será marcado pelas grandes obras, mas por milhares de pequenas obras com ações de grande alcance social.

Ações básicas

Educação, saúde e segurança receberão atenção redobrada do atual governo, mas com novos conceitos e objetivos. Destacou o fato de que nos últimos oito anos, a qualidade da educação do Acre saltou da 27ª para a 11ª posição e deverá estar entre as dez melhores do país, nestes quatro anos. Desde que seja vencido o grande desafio de tornas a sala de aula mais envolvente, próxima dos encantos e desafios da vida real, de forma que o aluno se torne um pensador livre, auto-confiante e motivado , solidário e capaz de ajudar na construção de uma sociedade cada vez maior.

Reconheceu que a saúde é um setor que impõem desafios permanentes. Com o esforço do senador Tião Viana em parceria com a Ufac foi criado o curso de medicina que neste ano coloca sua primeira turma de médicos no mercado. Nela, dois desafios se destacam, o primeiro é dar resolutividade a atenção básica e o segundo é profissionalizar a gestão hospitalar.

“Não podemos nos iludir, não vamos ter soluções mágicas. Não haverá solução sem um trabalho em parceria com as 22 prefeituras, com cada esfera assumindo seu papel, apoiando-se um ao outro”, advertiu.

Também reconheceu a seriedade dos problemas na área da segurança pública e argumentou: “São graves, mas nem se comparam ao quadro que tínhamos há oito anos. Hoje os desafios são outros, precisamos utilizar mais tecnologias e aperfeiçoar o sistema de segurança investindo na infra-estrutura e modernização dos equipamentos”.

Esclareceu que em visita ao ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e à Secretaria Nacional de Segurança Pública tratou da construção de uma nova penitenciária e uma cadeia pública, além de melhorias para o sistema em todos os municípios. “Vamos combinar segurança máxima com a reeducação do homem. Daqui a dois anos, nosso sistema prisional estará entre os melhores do Brasil”.

Desenvolvimento humano

Atenção especial estará sendo recebida pela comunicação, cultura e esportes. “Vamos radicalizar na democratização do acesso aos bens culturais e tecnológicos, bem como na oferta de esporte e lazer para as comunidades”, daí destacou: “No conceito de vida digna estão também a alegria e a felicidade!”

Para isso a rede pública de comunicação será ainda mais fortalecida que hoje. “Haverá um forte investimento nas ações básicas dos núcleos comunitários, onde a vida acontece, promovendo o protagonismo juvenil e vida digna para os idosos. Também para identificar potenciais talentos a serem trabalhados para o futuro”. Enfatizou : “O desafio mesmo, é promover o desenvolvimento integral das pessoas!”

Frisou que nada disso será possível se não forem mantidos os mesmos níveis de investimento realizados nos últimos anos, quando o governo Jorge Viana, do qual Binho era vice, construiu através de grandes obras a estrutura fundamental para que o Estado entre na fase da industrialização. No que o Alto Acre se destaca com investimentos como a Álcool Verde em Capixaba, as fábricas de Taco e Preservativo em Xapuri e o Abatedouro de Aves em Brasiléia, que logo estarão gerando renda e empregos.

“Estive há poucos dias com o presidente Lula que confirmou sua vinda ao Acre, em maio, para inaugurar a fábrica de preservativos em Xapuri e já nos garantiu apoio para que possamos expandir a industrialização para as regiões do Juruá, Tarauacá, Envira, Purus e Baixo Acre. Ações que serão realizadas sempre orientadas pelo Zoneamento Ecológico e Econômico já aprovado pela Assembléia Legislativa”.

Destacou que, ainda no mês de janeiro, pela primeira vez na história o governo fez a liberação de R$ 40 milhões recursos para que as empresas contratadas comprassem os materiais necessários para tocar as obras da BR-364 neste verão. “Estamos confiantes de que este será o melhor ano no avanço das obras de construção da BR-364 de Rio Branco para Cruzeiro do Sul. Vale ressaltar que estes recursos só foram liberados graças ao esforço conjunto da bancada federal”.

Já nas conclusivas de seu discurso, Binho fez questão de declarar que: “Mais um vez venho reafirmar minha disposição para trabalhar em parceria com o governo federal, nossa bancada federal, a Assembléia, as prefeituras, a justiça, as associações comunitárias, centrais sindicais, entidades representativas de todos os segmentos de trabalhadores e empresários que queiram nos ajudar nessa missão de levar adiante o sonho de tanta gente que quer o bem Acre”.

 
 
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Rio Branco-AC, 7 de fevereiro de 2007
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