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POLÍTICA

Conhecimento tradicional dos povos da floresta

Deputado fez duro pronunciamento ontem na Câmara

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Henrique Afonso cobrou
investimento na valorização do
saber dos povos da floresta


A notícia divulgada pelo painel intergovernamental de mudanças climáticas, composta por 2,5 mil cientistas, envolvendo 130 países, respaldados pela Organização das Nações Unidas – ONU, fez com que o deputado federal Henrique Afonso fizessem um duro pronunciamento na manhã de ontem no pequeno expediente da Câmara dos Deputados.

O parlamentar cobrou da mesa diretora uma ação mais enérgica junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia, para que o mesmo invista mais na valorização do conhecimento das populações tradicionais como forma de garantir o uso sustentável dos recursos naturais da floresta amazônica.

“Há quatro anos esperamos que a Casa Civil nos envie um projeto de lei que proteja a biodiversidade e as populações tradicionais brasileiras. Investimentos em ciência e tecnologia talvez não sejam a nossa salvação, mas temos a responsabilidade de pressionar o Ministério de Ciência e Tecnologia a investir mais nesse conhecimento, para garantirmos o uso sustentável dos recursos das nossas florestas”, disse.

Segundo o pronunciamento do deputado Henrique, o Brasil tem uma floresta a preservar, mas tem também 20 milhões de amazônidas ansiando por políticas públicas.

“Não é com a agropecuária que resolveremos esse problema, e sim com o aproveitamento das fantásticas riquezas da floresta. É assim que daremos às futuras gerações um mínimo de tranqüilidade. O futuro da humanidade é nebuloso, e o máximo e o mínimo que podemos fazer é garantir que o fim deste Planeta não seja tão catastrófico quanto prevê o relatório divulgado aos quatro cantos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. que colocaram a responsabilidade pela ação humana do que está acontecendo ao Planeta Terra. Esta responsabilidade pode implicar em futuro nebuloso para todos nós. Isso é fruto de uma geração de irresponsáveis”, defendeu.

Para o parlamentar, a palavra sustentabilidade, ou a expressão desenvolvimento sustentável, começa a ganhar visibilidade.

“Tem-se falado muito em desenvolvimento econômico, preservação e inclusão social. Desenvolvimento econômico não pode ser fundamentado no individualismo, na ganância, na responsabilidade, no culto irracional do homem em si mesmo, que às vezes não mede as conseqüências de catástrofes naturais e sociais terríveis de dimensão apocalíptica. Para se ter uma idéia, o continente africano, segundo os cientistas, poderá ser comprometido porque o aquecimento global incidirá exatamente sobre as camadas mais pobres da população”, explica.

Segundo o painel intergovernamental, estima-se que, daqui a 50 anos, 150 milhões de pessoas estarão na situação de refugiados. Na Amazônia, 3 bilhões de pessoas poderão viver a agonia ou o desespero de não terem água doce.

Para Henrique Afonso, o Brasil tem sido um referencial na maneira com que tem tratado o meio ambiente. O projeto de gestão pública que trata dos recursos madeireiros e não madeireiros deve ser tratado na sua literalidade de acordo com o que foi aprovado na Câmara dos Deputados.

“Existe nesta Casa um movimento pela criação da Frente Parlamentar em defesa da Amazônia. Sei que já temos a Comissão da Amazônia, mas há questões que precisam ser tratadas por um órgão ainda mais específico”, defendeu.

 
 
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Rio Branco-AC, 7 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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