COTIDIANO

Mais um seqüestro virtual em Rio Branco

Regiclay Saady
Margarida e Ângela fizeram denúncia
na Delegacia Geral de Polícia


As quadrilhas que usam o golpe do seqüestro telefônico continuam atuando na capital. Depois de conseguirem aplicar o golpe no secretário da Fazenda Estadual, Orlando Sabino, os bandidos tentaram repetir o artifício em uma microempresária no ramo de fotografia.

O caso está registrado da Delegacia Geral de Polícia. A pedido da vítima não revelaremos o nome verdadeiro, mas iremos chamá-la de Margarida e a sua amiga, de Ângela. Por volta das 13 horas da última sexta-feira, Margarida recebeu um telefonema de um homem que se dizia ser policial. O bandido disse à microempresária que havia ocorrido um acidente e o número do seu telefone tinha sido encontrado em um dos veículos envolvidos.

O criminoso perguntou para Margarida se ela conhecia alguém que tinha saído em uma caminhonete ou em um Gol naquele instante, a microempresária respondeu que não, mas logo em seguida o homem fez mais perguntas até que Margarida, já bastante nervosa, contou que sua sócia que reside com ela tinha saído há pouco tempo, e acabou falando também qual era o modelo do carro que sua amiga dirigia e o nome dela.

Essas informações foram o bastante para o criminoso colocar em prática o seu plano e dizer que tinha seqüestrado Ângela. “Ele disse que minha amiga tinha sido seqüestrada e pediu para eu ir até uma casa lotérica e depositar R$ 10 mil em sua conta. O bandido ameaçou executar minha amiga se eu entrasse em contato com qualquer pessoa”, comentou Margarida.

Depois de sofrer muita pressão psicológica, a microempresária informou aos bandidos que não tinha o dinheiro que eles pediam, e com isso os criminosos foram baixando o preço do resgate, até que aceitaram receber R$ 245 que ela tinha em mãos.

O suposto chefe da quadrilha mandou Margarida se dirigir até a lotérica e chegou á informá-la o número da agência, mas de repente o criminoso mudou de idéia e disse para a microempresária gastar todo o dinheiro comprando cartões telefônicos da empresa de Telefonia TIM.

Quando Margarida chegou à drogaria para comprar os cartões telefônicos, o farmacêutico percebeu o desespero que se encontrava a microempresária e a quantidade de cartões que ela iria comprar, foi quando os dois começaram a conversar e Margarida contou o caso para o atendente, ele alertou que aquilo podia ser um trote, mesmo assim ela insistia em comprar os cartões. Depois de muito diálogo com o farmacêutico, ela decidiu entrar em contato com os familiares de Ângela para que eles telefonassem para a amiga. Os familiares ligaram para Ângela, a mesma estava trabalhando e não havia acontecido seqüestro nenhum.

Polícia alerta população - Ontem pela manhã, Margarida e Ângela foram até a Polícia e prestaram depoimento ao delegado geral de Polícia Walter Prado.

O delegado informou que os primeiros casos de extorsão virtual foram registrados em Natal, capital do Rio Grande do Norte, mas que não aconteceram novos casos deste golpe naquela cidade, pois uma campanha de conscientização foi feita, no qual a imprensa e a Polícia buscaram informar toda a população sobre a quadrilha, e os métodos utilizados pelos bandidos.

O delegado pediu a contribuição da imprensa local para que divulguem este tipo de crime e a forma como agem os criminosos. “O depósito é que alimenta o crime. A polícia tem convicção de que não há ramificações, todos os telefonemas são feitos de fora do Estado”, afirmou Walter Prado.

O delegado alertou à população para que não passe informações a desconhecidos por telefone. “E em caso de suspeita de seqüestro, não depositem dinheiro em bancos, procurem imediatamente a polícia”, completou o delegado.

 

 
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Rio Branco-AC, 7 de março de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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