COTIDIANO

Índios vão à Aleac pedir apoio para reaver sede da UNI

Eles querem ajuda dos parlamentares para ter sede de volta

Cedida
Presidente da mesa diretora
da Aleac, Edvaldo Magalhães


Val Sales

Índios de várias etnias estiveram ontem na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) em busca do apoio dos deputados para reaver a sede da União das Nações Indígenas (UNI), leiloada há poucos meses por causa de dívidas trabalhistas adquiridas a partir de um convênio firmado entre a entidade e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O bem foi arrematado pelo advogado Gumercindo Rodrigues, no valor de R$ 32 mil.

Depois da justiça bater o martelo, restou a assessoria jurídica da UNI buscar falhas no processo, encontrando uma esperança no fato de o Ministério Público do Trabalho (MPT) estar ausente na discussão. Fora isso, as lideranças indígenas, assim como os parlamentares, ainda apostam no diálogo ou no pagamento em dinheiro para reaver a sede, considerada como referência e patrimônio sentimental para os velhos pajés.

O presidente da mesa diretora da Aleac, Edvaldo Maglhães (PC do B) e o líder do governo na casa, Francisco Cartaxo (PT), assim como outros deputados, ouviram a reivindicação dos representantes indígenas e propuseram uma nova reunião para a próxima segunda-feira em virtude do feriado do Dia Internacional da Mulher e das sessões solenes já marcadas para esta semana.

“Vamos chamar também o Ministério Público do Trabalho, cujos diretores já demonstraram interesse na defesa e intermediação de causas envolvendo as comunidades. Eu me disponho a conversar com o advogado e amigo, Gumercindo Rodrigues, para ver se agente encontra um caminho para o entendimento”, explicou Magalhães.

A coordenadora do Movimento de Mulheres Indígenas do Acre, Letícia Kaxinawá, lembrou que foram as dívidas do convênio que fizeram o patrimônio de seu povo ir a leilão. Ela ressaltou que não se trata apenas de uma casa, mas de um símbolo. “Isso é motivo de tristeza para os nossos velhos. Outros espaços que o indígena dispõe hoje não traduzem o preço alto da nossa casa”, explicou.

Letícia espera que no dia 19 de abril, data em que se comemora no Brasil o dia do Índio, o imóvel já tenha retornado aos antigos donos. “Não vamos ao confronto. Não queremos briga. O que queremos é o diálogo. Não estamos defendendo o que é dos outros, mas o que é nosso”, completou.

O representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Apurinã, assegurou que as comunidades do Acre irão lutar juntas para que a sede volte a pertencer de fato e de direito aos povos indígenas.

 

 
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