| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Carlos Estevão Ferreira Castelo * |
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| Empreendedorismo: elemento fundamental na construção do bem-estar da coletividade Desde 1999, tenho dedicado tempo e capacidade de trabalho para estudar um tema que considero fundamental na discussão acerca do Desenvolvimento Sustentável, o Empreendedorismo. O interesse iniciou quando percebi que o Empreendedorismo pode e deve se expressar como elemento fundamental na construção do bem-estar da coletividade. E que, na essência, tem condições de ser um dos caminhos para a construção da liberdade. Entretanto, debater e pesquisar essa temática no Acre apesar de simples não tem sido fácil, inclusive dentro da Academia onde alguns afirmam “que isso não é coisa para se estudar” ou que “isso é coisa de neoliberal”. Sinto ainda que, no Acre, existe muito desconhecimento sobre o que significa empreendedorismo, verdadeiramente. Acho que as reações podem se originar desse fato. Só para ilustrar: no artigo “A difícil arte de empreender”, publicado em outubro de 2006, no Jornal “A Gazeta”, a palavra empreendedorismo é apontada como a mais feia do mundo e, ainda, que a mesma tanto é ruim para escrever como falar. No mesmo artigo, o autor afirma que “a atitude empreendedora é uma iniciativa individual e que não há como um povo ser empreendedor...”. Ora, diversas teses de Doutorado defendidas em 2006 no Brasil comprovaram que a existência de capital humano e capital social são fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável de uma região e, também, que o empreendedorismo possui relação direta com o incremento desses elementos em uma sociedade. A Propósito, capital social significa a capacidade de uma comunidade se articular, de cooperar, no sentido de resolver seus problemas. Bem, para produzir resultados, como afirma Fernando Dolabela, o Empreendedorismo não pode ser um instrumento de concentração de renda, de aumento de diferenças sociais ou uma estratégia pessoal de enriquecimento. Mais do que uma preocupação com o indivíduo, o Empreendedorismo deve ser relacionado à capacidade de se gerar riquezas acessíveis a todos. Então, como no Brasil geralmente a renda concentrada teima em não se distribuir (no Acre também), é importante que ela seja gerada já de forma distribuída. É disto que cuida o Empreendedorismo e que muitos não conseguem entender, ainda. Portanto, creio que o tema central do Empreendedorismo deve ser o desenvolvimento social, tendo como prioridade o combate à miséria. Dessa forma, não vejo o Empreendedorismo como um conceito econômico. Definitivamente empreendedorismo não é isso. O Empreendedorismo, ainda nas palavras de Dolabela, “tem antes uma conotação social cujo preceito ético é gerar utilidade para os outros. É este também o seu referencial ético”. Empreendedorismo é uma escolha que não é boa nem ruim, melhor nem pior que outras, mas certamente é uma escolha que exige preparação e competência para vivê-la, com o risco de comprometer muito mais que apenas o tempo investido. Empreendedorismo supera a criação de empresas é, na verdade, uma “forma de ser”. Empreendedorismo diz respeito aos valores, crenças, é uma postura diante da vida. Por ser um fenômeno cultural, no caso do Acre o Empreendedorismo exigiria soluções que tenham a nossa cara, o nosso jeito, o nosso sistema de valores, a forma acreana de ver o mundo. Acho que poderia se constituir numa excelente proposta de política pública, ou seja, porque não pensar em disseminar a “cultura empreendedora” na rede de educação, por exemplo. Sem esquecer é claro, que a educação empreendedora no Acre e no Brasil difere daquela nos países ditos desenvolvidos: aqui as variáveis que definem a nossa ética e a nossa estratégia educacional advêm de contingências não encontradas lá: a miséria e os mecanismos históricos de sua preservação. * Xapuriense. Professor de Teoria Econômica da Ufac (xapuriense@uol. com.br) |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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