OPINIÃO
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Luísa Galvão Lessa *  

Qual o dever de um cidadão político?

O presente artigo reflete a vida política do Acre na última década, cujas mudanças se fazem notar na moldura das cidades e perfis dos cidadãos políticos. Quem anda pelo mundo afora, pelo Brasil, e volta ao Acre, percebe o quanto o Estado se desenvolveu, cresceu, bem como as instituições melhoraram na prestação de serviços. Um exemplo visível é a capital, Rio Branco, antes uma cidadela feia, hoje um lugar moderno, bonito, bom para se viver. Viajando pelo interior do Brasil, desde São Paulo, passando por Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, a cidade de Rio Branco, no Acre, desponta com a mais bonita, desde seu portal de entrada, até as avenidas arborizadas, ruas, praças, espaços de lazer, centros culturais e históricos. É um lugar que sofreu profundas transformações. Saiu da escuridão e passou a ser cidade-luz! Tudo isso resultado da escolha política que a população faz dos seus dirigentes.

Refletindo sobre as mudanças e transformações porque passa o Acre, li, com interesse, matéria veiculada em importante jornal do país, noticiando que o senador Tião Viana, PT, garante emenda parlamentar de R$ 75 milhões para que a Agência Nacional do Petróleo, ANP, faça prospecção de petróleo e gás em território acreano. O objetivo do senador é que a tecnologia atual possibilite mensurar o potencial de gás e petróleo na região do Juruá, para que, de fato, seja considerada importante jazida e possa gerar royalties para o Estado, trazendo vultosos ganhos à sua população.

Li, também, em outras fontes de informação, posicionamentos contrários a essa iniciativa do senador. E, nesse sentido, embora não seja técnica no assunto, nem especialista de meio ambiente, sei dos ganhos que uma jazida de gás e petróleo trará ao Brasil e ao Acre, em particular. Por isso louvo a iniciativa do senador, que se mostra, para nós, igualmente aquela feição humana elaborada pela cultura clássica e que alcança os dias atuais, ressaltando-se, nele, dois traços fundamentais: o homem que fala e discorre bem (zôom logikón) e o homem político (zôom politikón). Estes dois traços estão em estreita relação, pois só enquanto dotado do logos o homem é capaz de entrar em relação consensual com seu semelhante e instituir a comunidade política. E a vida política, vida humana por excelência, segundo a concepção clássica, se exerce pela livre submissão ao logos, codificado em leis justas, políticas boas para o povo.

Por outro lado, essas duas características fundamentais do homem, zôom logikón x zôom politikón, se manifestam em atividades dotadas de finalidades específicas, a atividade da contemplação (theoria) e a atividade do agir moral e político (praxis). É isso que tem feito esse nobre Senador da República, um liame entre teoria e praxis. Por isso é líder, um líder político na área da saúde, educação, economia, desenvolvimento social e cultural. E, assim deve ser o político atual, um líder em potencial. O mundo já não tolera figuras grotescas, maquiadas. Então, ao político atual não bastam estratégias específicas, importa o bem geral de sua gente, sua comunidade. Daí justifica-se o empenho do senador Tião Viana nessa prospecção de petróleo, aqui no Acre. O bom político deseja o bem-estar, o equilíbrio social, econômico, moral, da população. Tião Viana, Jorge Viana, Raimundo Angelim, Binho Marques, todos eles percorrem um caminho de mudanças e transformações na vida política do Estado. Esta terra transformou-se num bom lugar para se viver e sonhar, com dias sempre melhores, ainda mais se se consolida a descoberta dessa jazida de petróleo.

Considera-se, ainda, que do resultado de uma descoberta dessa natureza, o que se deve olhar, em primeiro lugar, são os bens gerados à população. Pois não adianta viver em terra rica com uma população miserável, pessoas sem acesso aos bens primários, como saúde, habitação, alimentação, educação, lazer etc. E, nesse sentido, a ONU divulgou, recentemente, um retrato estarrecedor do mundo em que vivemos, num documento “The inequality predicament”, que significa “A encruzilhada da desigualdade”. Somos 6,3 bilhões de pessoas no planeta Terra. Apenas 1 bilhão delas, habitantes de países desenvolvidos, se apossa de 80% da riqueza mundial.  O Brasil é um dos campeões dessa desigualdade, embora os nossos índices sociais tenham apresentado melhora no governo Lula. Mas o relatório da ONU comprova que não basta combater a pobreza. É preciso atacar também as causas da desigualdade. Em outras palavras, sem distribuição de renda não há como promover a inclusão social. Pois, em todo o mundo, metade das pessoas que trabalham - cerca de 1,39 bilhão - vive com menos de US$ 2 por dia. E 1/4 recebe, no máximo, US$ 1 por dia. No Brasil, metade dos trabalhadores depende de emprego informal, o que costuma ser sinônimo de pobreza.

No Acre, a fonte empregadora maior é o governo. O Estado não conta com indústrias, o comércio é frágil e a educação é responsável por 50% da desigualdade. A diferença média de salário entre uma pessoa com curso superior e uma sem estudos é de 814%. Avista-se, então, que sem mudança do atual modelo econômico, nacional e internacional, centrado na concentração de renda, nada indica que no próximo relatório teremos índices melhores.

Contudo, não se pode perder a esperança. E nela está abraçado o senador Tião Viana, trabalhando, investindo na prospecção de petróleo no Vale do Juruá. A viabilidade dessa perspectiva, irá mudar, de forma definitiva, o cenário social-econômico da região, da mesma forma que vai mudar o perfil do Brasil com a recente descoberto de petróleo na Bacia de Santos. Esse fato, juntamente a prospecção no Acre podem mudar a vida brasileira, como aconteceu na Arábia Saudita. Ali, a modernização econômica e a urbanização, decorrentes da exploração do petróleo, trouxeram importantes mudanças para a composição social e as formas de vida do povo. A riqueza advinda do petróleo permitiu o estabelecimento de um sistema educativo gratuito em todos os níveis. Os índices de analfabetismo, tradicionalmente altos, diminuíram de modo significativo. Foi implantado um sistema de saúde com hospitais e serviços médicos móveis, para atender à população aldeã e nômade. Criaram-se, também, postos de educação sanitária. Enfim, a vida da população de lá é bem diferente, em termos de qualidade de vida, da população daqui. Isso tudo resultou do dinheiro advindo do petróleo.

Concluindo a reflexão, diz-se que o político da atualidade deve conhecer o mundo, conhecer o potencial de seu país, de sua comunidade, além de buscar alternativas para melhorar a vida de todos. Isso faz o Senador Tião Viana. Esse dinheiro investido na prospecção de petróleo, no Vale do Juruá, é uma garantia de futuro melhor para a população do Acre, com emprego para todos, educação e saúde de qualidade, além de outras garantias fundamentais à boa qualidade de vida. É como se diz em latim: Alea jacta est [A sorte está lançada]. Veritatis simplex orati [A verdade dispensa enfeites]. Obrigada, senador, pela iniciativa.

* Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestra em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Professora de Língua Portuguesa no Iesacre

 
 
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Rio Branco-AC, 7 de março de 2008
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