COTIDIANO

Reivindicações e conquistas de idosos geram propostas que serão debatidas na Conferência Estadual de junho

 

Juracy Xangai

O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social. É obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.

Cinco anos depois da aprovação do Estatuto do Idoso as obrigações postas acima e que tem força de lei ainda não é cumprida integralmente pela União Estados e Municípios que assim demonstram seu desrespeito àqueles que tanto contribuíram para a construção dos avanços desfrutados hoje pelos mais jovens, os quais, se sobreviverem, muito em breve serão idosos também.

A conferência Regional dos Direitos da Pessoa Idosa nos vales do Juruá, Tarauacá e Envira realizada nos dias 28 e 29 de abril no Centro Diocesano de Cruzeiro do Sul foi marcada pela alegria e bom humor daqueles que buscam viver a melhor idade, apesar do muitos problemas, descasos, exploração e até preconceitos dos quais são vítimas freqüentes.

Exemplo de vida - Muitos foram às lágrimas com exemplos de vida como a da ex-seringueira Maria Batista da Silva, 85 anos, a qual sobrevive graças aos cuidados das irmãs que administram o Lar dos Vicentinos de Cruzeiro do Sul.

Vítima de hanseníase aos 22 anos, foi abandonada pelo marido e também tiraram dela o primeiro filho que mal completara um ano, o qual, só reencontraria 40 anos mais tarde já no Lar dos Vicentinos. A doença deformou seu corpo, tirou-lhe as mãos, levou os pés, mesmo assim Maria Batista não perdeu sua fé nem a disposição para continuar vivendo e sorrindo, embora a doença implacável também lhe tenha negado a luz dia, deixando-a cega.

Dona de uma memória invejável e encantadora simpatia, Maria Batista participou da apresentação organizada pela irmã Mariana com os idosos do Lar dos Vicentinos. Eles foram à Conferência trajados como pescadores, seringueiros, caçadores, lavradores, farinheiros e lavadeiras, profissões que exerceram em sua vida produtiva que de pouco ou nada lhes valeram. Sobre uma cadeira de rodas, Maria Batista brindou a todos entoando uma velha cantiga que fala de fé e esperança enquanto marcava compasso batendo palmas com o coto dos braços.

A conferência foi prestigiada por Eunice Pereira de Souza a Miss Terceira Idade de Cruzeiro do sul e enriquecida com a presença de José Luiz Teles o coordenador Nacional da Política do Idoso pelo Ministério da Saúde, o qual foi enfático ao afirmar que: “Não somos velhos, mas pessoas experientes que ainda tem muito para contribuir para o desenvolvimento dos jovens!”
Luiz lembrou que políticas sociais não se impõem apenas pela lei, mas e sobre tudo, é feita pelas pessoas que precisam ter o coração aberto e bom senso para fazer o há de melhor. “Em nosso país qualquer cidadão entra no serviço público com direito de ser atendido com qualidade e dignidade.

Agentes de saúde devem ir à casa das pessoas, queremos vacinar 16 milhões de idosos contra a gripe, a carteira do idoso é um instrumento que além de identificar fornece um histórico de saúde para que o idoso seja bem atendido. O ministro José Gomes Temporão sempre diz que precisamos levar nossos serviços a todos os lugares porque é um direito das pessoas e que deve ser cobrado”.

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Rio Branco-AC, 07 de maio de 2008
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