Sobre o encontro com o Príncipe Charles
Nos últimos dias vinte e nove e trinta de abril, eu, o Jorge Viana, outros trinta e sete brasileiros, incluindo os Governadores Ana Júlia do Pará, José de Anchieta Júnior de Roraima e, Antônio Valdez Góes da Silva, parlamentares como os Senadores Arthur Virgílio, Eduardo Suplicy, Cícero Lucena, Deputados Rodrigo Maia, José Carlos Aleluia, Paulo Bornhausen, Jorge Kouri, nomes ligados à mídia como André Noblat, Cláudio Moura Castro (Veja), José Aristodemo Pinotti (USP), Márcio Zimerman (Secretário Executivo do Ministério das Minas e Energia), Almir Suruí (Povos Indígenas), diversas ONGs ligadas à área ambiental, outros nomes do setor financeiro, além do Embaixador do Brasil junto ao Reino Unido, estivemos em Londres, na Inglaterra.
Tivemos o prazer de partilhar um encontro auspicioso e da mais elevada responsabilidade com todo o Staff do Príncipe de Gales e com o próprio Príncipe, certamente lidamos com profissionais preparadíssimos para os mais diversos enfoques dados à questão amazônica.
Foi notável a primeira percepção do respeito deles para com os princípios de soberania e autodeterminação do povo brasileiro para com a Amazônia que inequivocamente se constitui na maior floresta tropical do planeta, na maior reserva de água doce do mundo, na área de maior concentração da biodiversidade e, possivelmente na maior reserva mineral que se conheça.
Por toda a discussão travada em torno das bases de cooperação que poderiam ser estabelecidas entre a sociedade brasileira através de seu Governo Federal ou Governos Estaduais, ou dos movimentos sociais organizados, sempre esteve presente um forte sentimento de respeito para com as políticas estabelecidas, os resultados colhidos e as dificuldades em curso.
Tivemos muita alegria em externar-lhes os esforços empreendidos pelo Presidente Lula, pela Ministra do Meio Ambiente, nossa querida Marina, para mostrar ao Mundo que talvez não haja experiência tão desafiadora como a de já termos assegurado proteção efetiva a mais de cinqüenta por cento de nossa malha florestal, através de reservas legais, áreas indígenas, unidades de conservação de um modo geral, que inclusive, somente neste Governo já garantiram mais de dez milhões de hectares.
Todavia, somos sabedores das dificuldades, expressas, sobretudo numa cultura de uso econômico moldada em ultrapassados modelos que lembram mais a exploração inicial do velho Oeste Americano, cuja lógica começaria em tratar nossos irmãos índios como se o destino lhes reservasse a condição futura de no máximo peões de estâncias. Por outro, a ação nefasta da ilegalidade, no uso das riquezas madeireiras e minerais.
É evidente que termos o manto do marco legal fundiário alcançando apenas 4% da região para as áreas produtivas impõe atenção e desafios.
Houve uma permanente convergência a favor de um tratamento muito especial para os vinte e cinco milhões de brasileiros que ali vivem e têm a imensurável responsabilidade de desenvolvimento socioambiental integrada às preocupações globais que invocam problemas que vão do aquecimento global à percepção da floresta como o grande refrigerador do planeta.
Houve nítida confirmação da maturidade construída pelas políticas regionais que já se constituem em sólidas bases para apresentação de diretrizes atuais e suficientes para assegurar indicadores adequados e respeitáveis mundo afora.
A troca de experiências através da exposição de casos inter-regionais, ou outros como os excepcionais indicadores alcançados pela Costa Rica causaram muito boa impressão.Ficou claro que em apenas dois dias, mesmo que com intensa dedicação e com métodos excelentes de organização dos painéis não houve como concluir todos os pontos construídos, muito menos, pudemos tratar a fundo de questões imperativas como a demarcação de áreas indígenas, a problemática do tráfico de drogas na região etc..
Portanto, todos entenderam que uma agenda promissora de cooperação estava sendo aberta e, caberia, então, a todos o tratamento diplomático adequado, além da ampliação do debate para todos os Governadores da região, parlamentares e demais agentes públicos interessados em inserir em definitivo a agenda amazônica como cada vez mais prioritária para as questões de Estado no Brasil.
Fiquei particularmente feliz ao perceber a sensibilidade do Príncipe Charles e sua fundação para a tese defendida por mim, para uma Universidade do Saber Tradicional, que possa incorporar e reunir um sólido processo de organização do saber empírico com as bases científicas contemporâneas, apresentadas pelas Academias Universitárias tradicionais em todo o mundo.
* Senador (PT-AC)
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