OPINIÃO
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Renan Calheiros *

 

Alerta verde

Comemoramos, na semana passada, o Dia Mundial do Meio Ambiente. É uma boa ocasião para refletirmos sobre o futuro do planeta e da humanidade. E para avaliarmos a melhor forma de reduzir a ameaça imposta por nossa ganância, pela exploração econômica e pela falta de cuidado com a natureza.

Uma ameaça considerável: fome, enchentes, terremotos e furacões avassaladores formam o cenário traçado para o final do século pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, formado por 600 especialistas de 40 países. O relatório, divulgado no começo do ano, alarmou o mundo todo e desencadeou uma corrida contra o tempo para amenizar os efeitos do aquecimento global.

No Brasil, a criação do Ibama, em 89, foi um marco na defesa do meio ambiente. Outro impulso significativo foi a Cúpula Rio-92, que lançou o conceito de desenvolvimento sustentável. Temos uma das legislações mais avançadas do mundo no setor e as iniciativas de demarcação de áreas de preservação e de conservação vêm se multiplicando.

Mas ainda é muito pouco, diante da escassez de recursos para fiscalização e investimento em projetos de preservação ambiental, da falta de conscientização, da incapacidade e do desinteresse, em muitos casos, de conciliar conservação e exploração econômica.

Temos a maior floresta do mundo, saudada, por anos a fio, como o pulmão do planeta. Mas cabe exatamente às queimadas e ao desmatamento da Amazônia a responsabilidade por 75% das emissões brasileiras de gases que provocam o efeito estufa – o que coloca o Brasil no quarto lugar entre os maiores emissores desses gases.

É certo que o desmatamento da Amazônia caiu pela metade nos últimos tempos. Mas, a cada ano, ainda desaparecem 20 mil quilômetros quadrados de floresta. A destruição da Mata Atlântica (restam apenas 8% da mata original) e do cerrado (57%) também é alarmante, assim como os índices de poluição nas grandes cidades e o comprometimento de importantes mananciais hídricos.

Investir em educação ambiental deve ser nossa grande aposta na corrida contra a destruição da natureza. Apertar o cerco da fiscalização e adotar políticas de valorização de produtos com selos de qualidade ambiental são outras medidas essenciais.

Mas a maior contribuição que podemos dar ao país e ao planeta é o desenvolvimento de energias alternativas. Se já há uma bolha de investimentos internacionais em usinas eólicas e placas de energia solar, é o biocombustível a “estrela” do momento, capaz de reduzir a dependência do petróleo e de produzir energia limpa e renovável.

O Brasil, pioneiro na produção de álcool combustível, tem tudo para liderar a questão energética nesse novo cenário. Não é à toa o interesse crescente de investidores estrangeiros por usinas brasileiras e a parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos para exportação de tecnologia brasileira na área de biocombustíveis.

O grande cuidado é evitar a expansão desordenada das lavouras de cana, para que elas não disputem espaço com o cultivo de outros produtos e invadam áreas de reserva legal, agravando o problema das queimadas.

O Senado, mais uma vez, está atento a todas estas questões. Depois de aprovarmos a Lei de Gestão das Florestas Públicas e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, criamos, esse ano, duas subcomissões especiais para tratar da questão do aquecimento global. O debate está aberto. E é responsabilidade de todos nós acompanhá-lo com a maior atenção.

* Presidente do Senado Federal

 

 
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Rio Branco-AC, 7 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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