VARIEDADES

“Sem Limites”

Exposição de Gesileu Salvatore transporta o olhar do real para o imaginário

Cedida


Um dos instrumentos preferidos dos artistas conceituais é a instalação. O espaço de interação entre a obra e o espectador. Essa comunhão está presente na exposição “Sem Limites”, do artista plástico Gesileu Salvatore, no Memorial dos Autonomistas, até o dia 30 deste mês. “Sem Limites” teve vernissage na última terça-feira com a presença de artistas e apreciadores das artes plásticas. A exposição é uma realização do governo do Estado, via FEM com o apoio da SETUR, Sesc, Pontiacre e Marcenaria Galvão.

O artista expõe no espaço esculturas criadas a partir de resíduos florestais, galhos, sementes, troncos e cipós. As processa e transforma utilizando outros resíduos como ferro e sucata, criando peças de muita beleza plástica. Gesileu transcende com sua arte.

“Sem Limites” expressa o modo como às coisas existem no mundo, se movimentam, interagem, o modo de definir certas coisas em termos da energia que elas emitem no Planeta Terra. O artista cria uma relação harmoniosa entre a obra e o espectador. Na maioria das peças está sugerida esta relação. Como por exemplo, no trabalho feito a partir de coités (cuias), os maracás. As peças podem ser utilizadas como instrumento de percussão, sopro, decoração e outros. Na escultura SUISEKI, feita de pedra e areia extraída do rio Acre, e madeira, a instalação convida o espectador a meditar, a despertar o imaginário. Os cajados, as máscaras em madeira com expressões do Mapinguari e várias outras esculturas expressam-se como múltiplas. Formas circulares, espirais, verticais interferem e criam o conjunto da obra.

Para Francisco Gregório Filho, presidente da FEM, a obra de Gesileu trabalha com o imaginário, transporta para plano da poesia, humaniza.

“Um movimento necessário para a conquista da humanização plena que existe em nós. Precisamos aprender a exercitar o imaginário. O Gesileu tem uma forma estética, poética e ética nas suas esculturas, transporta o olhar do real para o da imaginação. É uma exposição conceitual, porém tem objetos postos para os olhos”, disse, lembrando Hélio Melo: “Nós precisamos desnaturalizar o olhar. As coisas estão assim, elas podem ser mudadas, elas não são assim. É o que Gesileu propõe com sua arte”.

Valor e estética

Apropriando-se da madeira e colocando-a em evidência, Gesileu faz a fusão entre a natureza e outros objetos gerando um critério de valor e, no plano estético, criando referência.

“Trabalho com que a natureza está me doando de livre e espontânea vontade. Por exemplo, eu não vou lá e corto a árvore pra fazer o trabalho,encontro-a caída, vejo se tem uma forma mais ou menos interessante que sugira alguma idéia, aí trabalho em cima dessa idéia que a árvore iniciou. Às vezes a forma não é tão evidente, mas no momento que trabalho, procuro deixá-la mais clara possível para que possam ver o que vi, no primeiro momento. Muitas vezes acontece das pessoas verem o que não vi, isso me surpreende. Acho interessante. As pessoas me perguntam o que significa, não revelo nada, espero imaginarem coisas que não vejo”.

Intervenção harmoniosa em “Sem Limites”

Além da madeira, o artista utiliza elementos extraídos do mundo urbano, como sucatas e ferro, criando uma intervenção harmoniosa.

“Na verdade no meu trabalho, ao mesmo tempo, que faço a reciclagem na natureza, reciclo o urbano. As peças de ferro foram encontradas jogadas no lixo, juntei, limpei e tentei fazer uma fusão entre a madeira e o ferro, mas levando em conta trabalhar com o que está sendo doado de livre e espontânea vontade”.

“Sem Limites” é fruto de um trabalho de três anos de pesquisa. A individual, versa um sentimento de síntese, de contorno, de preocupação com o imaginário, com o deixar fluir, de necessitar de algo que possa segurar, levar o outro a mudar, segurar por um fio.

“A idéia de Sem Limites é: acho que o artista não deve se prender a ficar direcionando determinadas coisas. Ele precisa deixar a imaginação fluir livremente, a temática pode ser regional, mundial. De uma maneira universal ela precisa ser livre desta forma, por isso, Sem Limites”.

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
Rio Branco-AC, 7 de julho de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A