OPINIÃO
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Romerito Aquino *

   

Tião faz jus à história gloriosa do Acre

Eles faziam rodinhas nervosas, tensas, irritadas. Alguns saíam, outros chegavam e o relógio não andava. Outros andavam de um lado para o outro, desviando-se das muitas câmeras cinematográficas espalhadas pelo chão. Alguns, aqui e acolá, não se continham e exclamavam: “Como é que é, o Brasil vai andar para frente ou para trás?”, dizia o mais excitado. “Temos ou não solução para essa crise?”, cobrava o impaciente. “Vai tudo continuar como está”, arrematava o pessimista. “Vamos devagar, mas vamos avançando”, concluía o esperançoso, apostando que o país de Cabral e de seu exército de degredados um dia vai mudar por trilhar os caminhos da ética, da honestidade e da moralidade pública.

Em suma, esse era o clima em que viveu, durante quatro horas, o batalhão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que esperavam, sem almoço ou descanso algum, o resultado da reunião da mesa diretora do Senado Federal que iria, na terça-feira desta semana, dia três de julho, decidir o caminho das investigações contra o seu presidente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O “batalhão” da imprensa nacional se postava no espaço existente entre o plenário e o grande e confortável gabinete da presidência da casa.

Como jamais ocorrera, em alguns momentos o espaço ali se tornava pequeno para tão grande número de jornalistas. Isso dava a dimensão física da crise na chamada Câmara alta do país, que representa igualitariamente, com três senadores, todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal. Há alguns dias, tal crise já havia sido reconhecida com a mais grave de todas as que viveu o Senado da República em seus 183 anos de existência.

Em meio a impaciências, nervosismo e excitações, a grande maioria dos jornalistas ali presentes apostava no pior: a Mesa Diretora do Senado iria arquivar o processo de cassação de mandato de Renan por ser acusado de ter recebido muito dinheiro de uma construtora (sempre elas!), a Mendes Júnior, para pagar a mesada de uma filha. Essa mesma construtora já teve, inclusive, seus dias de glória no Acre, quando no final da década de 80 brindava champagnes e uisques com o poder local a primazia de fazer até meios-fios no estado.

Enquanto isso, no Senado, naquela terça-feira, quase nenhum jornalista apostava no que acabou dando como resultado da reunião. A Mesa Diretora do Senado, sob o comando do senador Tião Viana (PT-AC), vice-presidente da casa, acabara de decidir pelo mais improvável: mandaria o processo de cassação de Renan Calheiros de volta para o Conselho de Ética investigá-lo e julgá-lo, com toda a autonomia constitucional, à luz do princípio da quebra ou não do decoro parlamentar. Concluída a reunião da Mesa, o batalhão dos jornalistas foi para cima de Tião Viana para saber os motivos da decisão. Este explicou que fez o que tinha que fazer: ampla garantia de defesa ao acusado e a continuidade das investigações no Conselho em nome da ética na política brasileira, exigida pela esmagadora maioria do sofrido e trabalhador povo brasileiro.

Naquele momento, o Acre talvez tenha marcado o seu maior tento na história da política brasileira. Um senador do estado, alçado pelo mérito de ser pela segunda vez vice-presidente do Senado e que alcançou na reeleição a maior votação proporcional do país no pleito de 2006, dava mostras de ter honrado pra valer cada um de seus votos - até mesmo o do mais distante seringueiro da selva acreana - que o credenciou, sem dúvida, a lutar em Brasília para um país mais honesto, mais solidário e mais justo para todos.

O senador Tião Viana não falou, mas quem assistiu por alguns momentos aquela reunião da Mesa Diretora pode testemunhar que, no gabinete do presidente do Congresso Nacional, foram quatro horas de muitos embates e de fortes discussões, cercadas de muita tensão e até de murros na mesa em favor da manutenção da ética na política como um dos mais sólidos caminhos para se alcançar a tão sonhada justiça social num país tão rico e tão bonito como o Brasil. Um caminho pelo que trabalham e sonham, felizmente, os ainda muitos poucos políticos sérios e honestos deste país.

A importância do papel do senador acreano no comando da Mesa Diretora do Senado pode ser conhecido instantes depois da reunião na presidência, quando Tião se preparava para almoçar, às 15 horas, com dois assessores, num dos restaurantes do Senado. Três jornalistas, dos mais influentes e severos que cobrem o Congresso Nacional – Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo), Gerson Camarotti (O Globo) e Luiz Carlos Azedo (Correio Braziliense) - vieram até a mesa do senador para lhe cumprimentar pela decisão sábia, correta e ética que, segundo os colegas, fora tomada na reunião que ele presidira alguns minutos antes.

Tião Viana, definitivamente, fez jus à história gloriosa do Acre.

* Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 7 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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