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Com Val Sales

 

Ai que dor!

Quem já sofreu com pedra nos rins sabe o tamanho do incômodo causado pela dor, e quem nunca teve torce para jamais ser vítima das pequenas indesejáveis. O problema é sério e incomoda tanto, que muita gente usa o fato como argumento para reclamar de outras: “fulano é mais chato que pedra no rim”. De qualquer forma, ai está um bom motivo para que todos queiram saber mais sobre o assunto. Preste atenção nas dicas dadas pelo médico Fernando de Assis e tire suas dúvidas.

O que é “pedra no rim”

“O cálculo urinário ou pedra no rim, como é comumente conhecida, é uma desordem causada por uma estrutura cristalina que se forma nas várias partes do trato urinário. Estas pedras começam pequenas e vão crescendo. O desenvolvimento, o formato e a velocidade de crescimento destas estruturas dependem da concentração das diferentes substâncias químicas presentes na urina. Acredita-se que o crescimento dos cálculos pode ser acelerado por substâncias denominadas “promotoras” e retardado por substâncias ditas “inibidoras”.

Como saber se tenho pedra no rim?

Alguns cálculos podem permanecer assintomáticos, não requerendo tratamento algum. Entretanto, podem também obstruir e machucar partes do trato urinário ao tentarem passar junto com o fluxo normal da urina. A dor causada por um cálculo é descrita como a mais severa dor que uma pessoa pode experimentar, ocorrendo na porção inferior das costas ou no abdômen. Esta dor pode ser tanto constante como descontínua e pode vir acompanhada de náusea, vômito e sangue na urina. Devido à dor severa, um ataque agudo consiste em uma verdadeira urgência”.

Que fatores podem aumentar o risco de se desenvolver um cálculo urológico?

“Problemas no processo de absorção ou eliminação dos produtos que podem formar cristais, além de casos de cálculos urológicos na família (condição genética), o hábito de consumir uma pequena quantidade de líquidos, desordens alimentares, doenças intestinais e gota”.

Como fazer para ela sair do organismo?

Aproximadamente uma, em cada 200 pessoas, desenvolvem pedra no rim. Cerca de 80% destas pessoas eliminarão a pedra espontaneamente, junto com a urina. Os 20% restantes necessitarão de alguma forma de tratamento. As pessoas que já tiveram um cálculo urológico têm uma chance de 50% de desenvolver um novo cálculo nos próximos 5 a 10 anos.

E quando a pedra é grande, como ela sai?

“Quando uma pedra é muito grande para passar, ela pode ser quebrada através de um tratamento chamado Litotripsia. Diferentes formas de energia podem ser empregadas para se quebrar um cálculo em partículas pequenas o suficiente para serem carregadas pela urina ou removidas; estas formas de energia incluem eletricidade, ultrassom, raio laser e impactos mecânicos. A energia, que é direcionada ao cálculo, deve passar através de um instrumento (endoscópio) inserido no trato urinário”.

Como é feito o tratamento?

“Todas as formas têm suas vantagens e desvantagens. Geralmente os tratamentos mais complicados e mais invasivos oferecem maiores índices de sucesso. Algumas vezes uma combinação de tratamentos se faz necessária para se atingir um melhor resultado. A decisão do tratamento a ser utilizado depende de vários fatores. O tamanho da pedra, a localização, a dureza e a composição são tão importantes quanto à anatomia individual do trato urinário, a história médica e a saúde do paciente. Todos estes fatores são considerados para que seja feita a escolha do tratamento mais apropriado”.

(Fernando de Assis Melo é chefe da equipe de transplantes renais do Acre, membro da Confederação Americana de Urologia, membro da Sociedade Brasileira de Pesquisa Clínica, membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia, receptor de urologia do Programa de Referência Médica e professor de medicina da Universidade Federal do Acre -Ufac).

 

 
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Rio Branco-AC, 9 de junho de 2007
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