VARIEDADES

Beth Formaggini ministra oficina no Acre

Divulgação


Com uma trajetória recheada de boas produções na área do audiovisual, que inclui médias e longas-metragens de ficção e documentários, a diretora, pesquisadora e produtora Beth Formaggini compõe a lista de professores do Curso de Cinema e Vídeo na Usina de Arte João Donato, promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e a Fundação Elias Mansour.

Ela é responsável pelas oficinas: Produção e a Pesquisa no Cinema. Edifício Master, Bendito Fruto, Vida de Criança e Pontos de Vista são produções nacionais que levam o nome de Beth Formaggini na ficha técnica.

Beth que é uma das figuras mais atuantes como membro da ABDeC do Rio de Janeiro ligada a ABD Nacional está pela segunda vez no Acre, desta vez com a oficina Documentário – Produção e Pesquisa. Para fechar o trabalho ela exibe Memória para Uso Diário nesta sexta-feira, às 19 horas, no Cineclube Aquiry. O documentário que dirigiu retrata os 21 anos de trabalho do Grupo Tortura Nunca Mais. Nesta entrevista Beth fala sobre o projeto de audiovisual da Usina e da experiência de ensinar cinema no Acre.

Quando você começou a trabalhar com cinema?

No final da década de 70. Comecei trabalhando numa produtora no Rio de Janeiro, nessa época participei de algumas produções como assistente e aos poucos fui começando a fazer produções de filmes maiores, trabalhei com diretores que respeito como Walter Lima Júnior, Eduardo Coutinho, Geraldo Sarno, e aos poucos comecei a fazer os meus próprios filmes.

Qual a proposta da oficina?

Nós estamos analisando os roteiros produzidos nas oficinas anteriores, fazendo uma análise técnica desses roteiros. Tentando ver com os alunos quais são os personagens, as locações que eles vão trabalhar, quais as ações que eles vão desenvolver para poder contar essa história. Eles precisam contar essa história, mas para isso eles precisam aprender a linguagem do cinema. Nós estamos trabalhando essa linguagem, ou seja, como eles vão transformar essa história que eles querem em filme.

Como está sendo a experiência de trabalhar cinema no Acre?

Uma experiência muito rica. Primeiro que a Usina de Arte João Donato é um espaço maravilhoso para criar, discutir e produzir. Tem uma turma muita interessada, que tem trazido muita coisa. Porque você ensina a partir da experiência dos alunos, é uma interação entre o que você como formador conhece e o que os alunos trazem de conhecimento. Eles têm exposto projetos muito bons.

Como você observa o audiovisual no Acre, que de certa forma começa a ganhar corpo? Existe uma expectativa?

Vejo a questão do audiovisual como um direito. Todo mundo tem direito de produzir imagens, contar suas histórias. É maravilhoso nesse momento ver muitos jovens envolvidos na proposta deles poderem contar suas próprias histórias através do audiovisual. Eles estão tendo acesso a um equipamento de qualidade, a capacitação, a instrumentos para que eles trabalhem. Já existe um cinema local. Na minha primeira vinda ao Acre, eu trabalhei com esses profissionais que desenvolvem cinema no Acre. O Acre vive um momento muito bom, e uma das matérias-primas do cinema é a cultura local. Aliando a essa cultura local a novas tecnologias e a capacitação isso vai gerar um bom caldo. O cinema acreano vai crescer muito.

E sobre o curso de cinema da Usina?

O coordenador do Curso, o cineasta Maurice Capovilla tem uma experiência muito grande na área de capacitação. Ele já trabalhou em outros projetos e está montando um curso arrojado. É um curso que você tem uma capacitação técnica, mas você tem uma formação sobre cultura do Acre, formação teórica, além do espaço da Usina que é lindo e bem equipado. Esse curso é um curso prático, a pessoa não sai de lá com a cabeça cheia de idéias, mas sim com o filme pronto.

Cine Clube Aquiry exibe Memória para uso diário um filme de Beth Formaggini

Ivanilda busca evidências que provem que seu marido foi preso pelo governo brasileiro, ele está desaparecido desde 1975. Romildo procura pelo corpo de seu irmão Ramirez, desaparecido desde 1973, num cemitério do subúrbio do Rio. Mães choram por seus filhos, recentemente assassinados, pela policia nas favelas. Eles pertencem ao Grupo Tortura Nunca Mais /RJ.

A tortura continua atingindo as famílias que ainda não tiveram a chance de enterrar seus entes queridos . Eles interagem entre a lembrança traumática e o esquecimento. O trabalho de trazer à tona a memória de fatos recentes, revelando a seletividade da história oficial e de construir uma memória política. Pensam o passado para que se possam libertar o futuro dos fantasmas que ainda nos perseguem no presente.

Produção: 4 Ventos Comunicação e Grupo Tortura Nunca Mais - RJ

Apoio União Européia - Após a exibição haverá debate sobre o filme com a participação da diretora Beth Formaggini, professora da oficina Documentário - Produção e Pesquisa do Núcleo de Produção Digital/Usina de Arte João Donato*

Sobre a diretora:

Beth Formaggini - Diretora dos documentários como “Nobreza Popular”, “Walter.doc”, “Vida de Criança”, “Pontos de Vista”, “O Avião”Produtora executiva ou pesquisadora de “Peões”, “Edifício Master”, “Bendito Fruto” e “Babilônia 2000”, além das séries “A Linguagem do Cinema”, “Índios no Brasil” e “Chatô, Rei do Brasil”.

Debate: Beth Formaggini
Data: 6 de julho (sexta-feira)
Horário: 19 horas
Onde: Usina de Arte João Donato (Av. das Acácias – n° 1, Distrito Industrial)
Realização: Núcleo de Produção Digital/Usina de Arte João Donato/SEE/FEM

 
 
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Rio Branco-AC, 7 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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