COTIDIANO

Novos tempos na segurança pública

Polícia aparelhada e bem preparada consegue solucionar assassinato em menos de 24 horas

Ângela Perez
Secretário Antônio Monteiro
enalteceu o empenho dos policiais envolvidos na elucidação do crime ocorrido em Sena Madureira


Rachel Moreira

Houve um tempo em que o Acre era cenário de assassinatos nebulosos e o Judiciário acreano, abarrotado de casos sem solução. Mas os tempos eram outros, a impunidade era visível e permeava vários segmentos do Poder Público. A polícia era mal aparelhada e o Instituto de Identificação da Secretaria de Segurança tinha utilidade pífia.

Hoje, a história é outra. Prova é tanta que o brutal assassinato ocorrido em Sena Madureira no último fim de semana foi solucionado em menos de 24 horas após ter acontecido e a ação imediata da polícia evitou que a morte da pesquisadora portuguesa Vanessa Anabela Schaffer Sequeira, 36 anos, fosse mais um caso sem solução.

A agilidade da equipe rendeu inclusive elogios de autoridades brasileiras e estrangeiras e da imprensa nacional e internacional.

Na manhã de ontem, o empenho dos policiais envolvidos na elucidação do crime foi motivo de homenagens por parte do secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Monteiro.

Segundo o secretário, os policiais militares e civis colocaram em risco as próprias vidas para que o suposto autor do crime fosse preso.

“Os policiais receberam a notícia do desaparecimento da pesquisadora às 20 horas do domingo e logo foram atender a ocorrência. Enfrentaram as dificuldades provenientes da falta de acesso, pouca visibilidade do local - que era de mata, e às duas horas da madrugada de segunda-feira prenderam o suspeito. Logo no início da manhã do mesmo dia, as 7h30, acharam o corpo da estudante. Eles foram corajosos e audaciosos”, afirma.

Para o diretor do Departamento de Polícia Técnica, Jusselio Medeiros, a excelência no trabalho da equipe foi mais além.

“A preservação e o isolamento do local do crime foram perfeitos”, garante.

Segundo o diretor, a atuação permitiu que as provas materiais, que podem levar a comprovação do crime pelo suspeito, fossem colhidas.

“A impunidade muitas vezes acontece, porque as testemunhas ou o acusado dão um depoimento na época do crime e em juízo mudam. Sem prova material a pessoa sai impune ou pega uma pena que não é compatível com o crime que cometeu. Como houve a preservação e o isolamento do local para que os peritos pudessem colher vestígios, teremos na próxima semana o DNA do assassino, o que facilita a sua condenação”, revela.

Mulher do acusado deve ser retirada do Estado

Segundo o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Monteiro, o depoimento da mulher de Raimundo Nonato foi esclarecedor. Ela contou à polícia que o marido chegou em casa ensangüentado e disse que havia feito “uma grande besteira”.

“Ela está muito apreensiva e teme por sua segurança. Daremos total proteção a ela, podendo inclusive tirá-la do Estado”, revela.

O depoimento da esposa do acusado, somado aos objetos da pesquisadora encontrados na casa de Raimundo Nonato, é uma das principais peças da acusação.

Na próxima semana, deverá chegar ao Acre o resultado do exame de DNA, que está sendo realizado em Curitiba (PR). “Na próxima sexta-feira, estaremos com os laudos que irão possibilitar a comprovação da autoria do crime”, conclui.

Homenagem se estende a toda a polícia

Para o capitão militar, Messias, comandante da equipe que atendeu ao chamado de desaparecimento da pesquisadora, a homenagem não é só para os policiais que trabalharam no caso, mas se estende a toda a polícia, seja ela Militar ou Civil.

“Lamentamos o fato e preferíamos não estar sendo homenageados nessas circunstâncias, mas esse reconhecimento vai estimular nossa companhia a desenvolver cada vez melhor nosso papel”, afirma.

A mesma opinião é compartilhada pelo delegado de polícia de Sena Madureira que presidiu o inquérito policial. João Augusto Fernandes garante que essa era a resposta que a Polícia Civil precisava dar à população do município onde ocorreu o assassinato.

“Esse caso não irá se transformar em casos do passado, que quando a perícia chegou à cena do crime, ela tinha sido alterada e nunca se chegou a um culpado”, revela.

A morte da pesquisadora Vanessa Anabela, que estava no Acre realizando pesquisas com comunidades rurais para sua tese de doutorado, aconteceu na tarde do último domingo, dia 3 de setembro, no Projeto de Assentamento Joaquim de Matos, situado a 36 quilômetros do município de Sena Madureira, dentro da comunidade denominada de “Toco Preto”.

O principal suspeito, identificado como sendo o presidiário em liberdade condicional Raimundo Nonato Rocha de Lima, o “Demanaus”, está sob custódia da polícia.

 

 
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