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Ações práticas em defesa da Amazônia Jorge e Angelim empossam conselho consultivo da APA do Lago do Amapá |
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O governador Jorge Viana e o prefeito Raimundo Angelim empossaram anteontem, Dia da Amazônia, os membros do conselho consultivo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago do Amapá, uma das mais belas regiões de Rio Branco. Integram o colegiado, cuja responsabilidade é gerir os destinos da APA como zona de conservação, nove entidades da sociedade civil organizada e nove organismos do governo do Estado. O presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Carlos Edegard de Deus, baixou a portaria instituindo o conselho. “A APA do Amapá é uma área de alta biodiversidade e condição ambiental especial”, disse Edergard de Deus. A cerimônia foi realizada na tarde desta terça-feira, no Palácio Rio Branco, e fez parte das comemorações ao Dia da Amazônia, encerradas no começo da noite com a inauguração da Praça da Revolução Coronel José Plácido de Castro, o novo cartão-postal da cidade. A APA foi criada no dia 26 de dezembro de 2005. A comunidade de 130 famílias, grande parte de pequenos produtores rurais, começou a ser formada há mais de quarente anos numa área de cinco mil metros quadrados. O lago tem extensão de seis quilômetros e há anos sofre com a pesca predatória. A criação da APA reforça o trabalho que a prefeitura de Rio Branco e o governo do Estado estão fazendo contra a degradação ambiental. A região do Amapá tem dois significados importantes para a população - um histórico e outro ambiental. Ali se encontra o túmulo de Plácido de Castro, o herói da Revolução Acreana, morto durante uma covarde emboscada. Sob a ótica ambiental, é um dos locais de grande diversidade biológica no município de Rio Branco. A APA do Lago do Amapá é a terceira criada através de uma grande parceria com a sociedade civil, governo e prefeitura - Irineu Serra e São Francisco são as outras. A Associação dos Moradores do Lago do Amapá crê que a criação da área de proteção ambiental já está evitando uma série de problemas relacionados à questão ambiental. Segundo Célia Pedrina, é possível que a situação do lago melhore a partir da ação do conselho consultivo. O grupo tem a missão de construir o plano de manejo da região. Entre os pontos que podem ser apresentados está o do fortalecimento da política de ecoturismo no lago. “O governador Jorge Viana disse que era um sonho dele participar de um projeto de proteção ao lago”, disse ela. “Vamos tentar harmonizar os interesses que ali estão”, completou, ressaltando o desafio que serão estes novos tempos. “Vamos de porta em porta conversar com cada família e buscar resolver todos os conflitos.” Ilha – De acordo com o Rodrigo Cunha Forneck, o lago possui uma ilha cuja vegetação ainda é 90% nativa. Essa ilha tem duas trilhas que poderão ser usadas para ecoturismo controlado. A APA do Lago do Amapá é um importante corredor florestal que se avizinha à reserva extrativista Chico Mendes, daí sua grande relevância ecológica. No Plano Diretor de Rio Branco, a APA está sendo configurada como ‘área rururbana’, termo criado para definir a característica ao mesmo tempo rural e urbana da região. COMPOSIÇÃO DO CONSELHO CONSULTIVO DA APA AMAPÁ Sociedade civil Alto Santo e casa de Chico Mendes são patrimônio do Estado Ainda para marcar o Dia da Amazônia, o governador tombou como patrimônio histórico do Estado a casa localizada no número 492 da rua Dr. Batista de Morais, no Centro de Xapuri, onde o ambientalista Chico Mendes viveu parte de sua vida. No mesmo local, Chico Mendes tombou, covardemente assassinado pelo capitalismo ganancioso. “Estamos preocupados com o que pode acontecer ao entorno da casa. Por isso, o tombamento é fundamental”, disse Elenira Mendes, filha do ambientalista e presidente da Fundação Chico Mendes. Júlia Feitosa, do Comitê Chico Mendes, e vários envolvidos com a questão ambiental, estiveram presentes. O representante acreano do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Fernando Figalli, acompanhou o ato de tombamento. Na mesma cerimônia, o governador e o prefeito Raimundo Angelim tombaram como patrimônio histórico do município de Rio Branco o conjunto de edificações construídas no início da década de 40 do século passado que fazem parte do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Alto Santo, fundado pelo mestre Irineu Serra. Em meados dos anos 40, mestre Irineu obteve a doação da Colônia Custódio Freire, numa região era zona rural de Rio Branco, onde fundou o Centro de Iluminação Cristã Universal (CICLU), a igreja-sede do culto, mais conhecida como Alto Santo. Dali, ampliou-se o conceito espiritual do Santo Daime. O Alto Santo se constitui no mais importante centro daimista, conservando vestígios que remontam à década de 40, ou seja, à construção da doutrina do Daime por seu fundador. A decisão do poder público faz parte da estratégia do governo estadual e da prefeitura em reconhecer, salvaguardar e promover a diversidade cultural do Acre junto às comunidades tradicionais. O tombamento foi solicitado pela madrinha Peregrina Gomes Serra, dignitária do centro. O processo de tombamento como patrimônio histório nacional está em aberto. Os bens a serem preservadados são a casa na qual ela e Raimundo Irineu Serra moraram; a sede do templo, onde são realizados os trabalhos espirituais; a casa do feitio; o poço, aberto pelo próprio Irineu Serra; o túmulo, onde ele está enterrado; a escola por ele fundada e a casa onde viveu Lêoncio Gomes da Silva, presidente eterno do centro. O governador e o prefeito destacaram a doutrina fundada pelmestreIrineu Serra como a única religião genuinamente brasileira. A viúva de mestre Irineu, Peregrina Serra e o orador do Alto Santo, o jornalista Toinho Alves, e integrantes da religiaão, como o juiz federal Jair Facundes, estiveram presentes. O prefeito Raimundo Angelim já havia baixado decreto transformado o bairro Irineu Serra em área de proteção ambiental. “É um ato muito importante para nós”, disse madrinha Peregrina. Grande comunhão – Depois de ouvir de Toinho Alves o relato de como se estabeleceu a relação entre mestre Irineu e o então governador Guiomard Santos, Jorge Viana falou na “grande comunhão” que estava sendo consolidada naquele momento entre pessoas e instituições -todos envolvidos com a questão do Acre, sua cultura e o destino do povo. “Muita gente ajudou para esta celebração, que considero uma grande comunhão, um grande encontro”, disse Viana. Casa virou atração turística depois do assassinato do líder ambiental Às 18h45 de 22 de dezembro de 1988, o barulho de um tiro no coração da floresta amazônica ecoou por todo o mundo. Era o assassinato de Chico Mendes, covardemente morto em frente a sua casa porque sua luta confrontava os interesses dos poderosos que imperavam no Acre até pouco tempo. O local de sua morte, uma pequena casa de madeira, acabou virando atração turística e já chegou a receber uma média de 13 mil visitantes anualmente. O governo do Acre já ajudou em sua restauração e ontem editou o decreto número 15.025 tombando o imóvel como patrimônio histórico do Estado. A reforma manteve as características originais da casa, mantendo as caracteríticas de quando o líder seringueiro foi executado. A casa de Chico Mendes é hoje o mais importante ponto turístico de Xapuri e possui grande relevância no contexto estadual. Personalidades importantes da cultura e da política já visitaram o local. Por iniciativa do senador Tião Viana, Chico Mendes está hoje na galeria dos heróis brasileiros, bem como o revolucionário Plácido de Castro. Francisco Alves Mendes Filho, seringueiro desde criança, dedicou praticamente toda a sua vida à defesa dos trabalhadores e povos da floresta. Participou da fundação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia e Xapuri, além da fundação do Partido dos Trabalhadores do Acre e do Conselho Nacional dos Seringueiros. Chico Mendes tinha completado 44 anos no dia 15 de dezembro de 1988, uma semana antes de ter sido assassinado. Acreano, nascido no seringal Porto Rico, em Xapuri, se tornou seringueiro ainda criança, acompanhando seu pai. Sua vida de líder sindical inicia com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, em 1975, quando é escolhido para ser secretário geral. Em 1976, participa ativamente das lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos através dos “empates”. Organiza também várias ações em defesa da posse da terra. |
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