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Roberto Nicolsky * |
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Imitando é que se aprende Todos nós temos, entre as lembranças da infância, imagens bem vivas de como aprendemos as coisas. São momentos mágicos, de descoberta e sentimento de conquista. Copiando palavras rabiscadas no quadro da escola ou impressas na cartilha, aprendemos a ler e a escrever. Desmontando e montando brinquedos, aprendemos a fazer outros iguais e até melhores. Consagrada pela pedagogia de todos os tempos, esta forma de absorção de conhecimento é a base do conceito de inovação tecnológica. Ao falar em inovação o que nos vem à cabeça é a novidade absoluta, como a invenção do computador ou do telefone celular. Esta é a inovação radical, que muda paradigmas tecnológicos. Mas não é menos importante a inovação incremental, fruto da atividade paciente de tentarmos melhorar aquilo que já existe. É desta que se trata quando, para queimar etapas e abrir espaço no mercado, descartamos “reinventar a roda” e partimos para criar variações de produtos existentes. A Suíça, hoje o maior beneficiário per capita de direitos de propriedade industrial, postergou durante décadas a adoção de um sistema de patentes para copiar tecnologias alemãs e inglesas. Para ficarmos com um exemplo mais recente, basta lembrar Taiwan, que inova incessantemente em produtos microeletrônicos, o que lhe rende todo ano US$ 150 bilhões em exportações e 5.000 novos registros de patentes. O Brasil ainda tem posições confusas nessa área: queremos estar na ponta do conhecimento – e nossas universidades realmente brilham em algumas áreas da ciência – mas nossa indústria ainda está assimilando tecnologias ultrapassadas. Na contramão do mundo, cultivamos o mito de que ciência se transforma naturalmente em tecnologia, bastando para isso integrar universidades e empresas. Nada mais equivocado: enquanto a universidade atende demandas do conhecimento, a empresa atende demandas do mercado. Nem toda descoberta científica se transforma em tecnologia e nem toda inovação tecnológica, sobretudo a incremental, provém de conhecimentos de ponta. Apesar desses descaminhos, o conceito da inovação baseada na indústria vem se disseminando e já faz parte, por exemplo, da cultura do BNDES, que dispõe de diversas linhas de financiamento com esse enfoque. Nossa mais importante instituição de apoio ao desenvolvimento já entendeu que não adianta sonharmos com estrelas enquanto enveredamos por um atoleiro - PIB crescendo abaixo da média mundial e produtividade industrial decrescente. Inovação incremental se faz em chão de fábrica, poupando tempo e recursos escassos. Surge para resolver problemas práticos: baratear um processo industrial, produzir com maior eficiência, adaptar um produto a novas necessidades do consumidor. A cópia inovadora, no atual sistema patentário, pode e deve ser convertida em ativo empresarial, sob forma de patentes dependentes ou modelos de utilidade. É fundamental não confundi-la com a pirataria e a falsificação, que se situam não no campo das patentes, mas no das marcas e do direito autoral, e que consistem basicamente em reproduções mecânicas ou eletrônicas não autorizadas. O conhecimento puro não é patenteável, mas sim o produto ou a tecnologia que nele se apóia. Por isso, cada tentativa de imitação de um produto dá origem, naturalmente, a uma cópia criativa. Este é o mais genuíno motor da produtividade e do desenvolvimento de um país, e que merece maior estímulo no Brasil para crescermos e criarmos empregos qualificados. * Físico, professor da UFRJ e diretor da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC) |
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