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Na embolada do tempo Alceu promete um show de brasilidade passeando pelas melhores músicas e ritmos de todos os tempos |
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Uma viagem pelos sons e ritmos com o melhor da música popular brasileira é o que promete Alceu Valença na apresentação que realiza hoje e amanhã, no Teatrão, com show promovido pelo Circuito Cultural Banco do Brasil. Os ingressos já estão esgotados. Todos querem ver Alceu e ouvir os cantos e ritmos de sua música que se embolam através do tempo em idas e vindas pelo Brasil de qualquer momento, fazendo de seu ofício uma arte atemporal que prende uma legião de fãs num raro fenômeno que passa de pai pra filho. “Nesse show, trabalho com uma visão filosófica do tempo sem meio nem fim ou começo. Resgato sucessos como Tropicana e Noite Vazia, uma das primeiras lá de 1970. Vamos fazer uma viagem pelas várias épocas recordando musicas de sucesso e divulgando as lançadas mais recentemente, como a própria Embolada do Tempo”, explica Alceu. Da feira aos palcos Nascido em São Bento do Uma, Pernambuco, em primeiro de julho de 1946, desde menino ele tinha grande atenção pelos cantadores de embolada nas feiras. Em casa era influenciado pelo avô poeta e violeiro, já na adolescência teve contato com o rock, formou-se em direito em 1969 e como jornalista era correspondente do Jornal do Brasil. A sensibilidade musical falou mais alto: abandonou tudo para, junto com Geraldo Azevedo, descer ao Rio de Janeiro e participar dos festivais universitários da TV Tupi, onde nada aconteceu porque a orquestra não conseguiu tocar seu arranjo musical. A ousadia é uma das marcas de sua personalidade. “Hoje estou reinventando a própria arte. Esse é um processo permanente, faço isso sempre. Minha música parece comigo, carregada de cocos e forrós, maracatus, emboladas congo e outras tantas manifestações populares que traduzem a musicalidade dos nossos muitos brasis que se identificam e se gostam. Isso me dá um público seleto que passa de pai para filho e que muito me alegra”, disse. Prova de seu prestígio por esse público seleto é que, embora esteja fora da grande mídia de TV e rádios do Brasil, Alceu tem em seus shows um fenômeno de público como os 25 mil pagantes embalados recentemente no Asbac, em Brasília, ou os 125 mil que há poucos dias agitaram o centro de Recife, situada aos pés de sua amada Olinda dos maracatus. Show atemporal Mas Alceu gosta mesmo é de falar da sua música e cultura, destacando sua arte que não tem tempo nem lugar, é simplesmente Brasil. “Nosso show será uma verdadeira comunhão porque a música brasileira real é um encantamento em todo lugar. O maracatu é irmão do afoxé, que é irmão do samba, e por aí vai. Vamos fazer uma viagem pelos ritmos musicais brasileiros e gravações de sucesso das várias épocas.” Um dos primeiros a introduzir equipamentos eletrônicos para embalar ritmos populares do Nordeste, ele esclarece: “Uso a modernidade a serviço de minha arte, de meu som, sem perder a brasilidade. O mais importante é a linguagem, o som a serviço da arte”. Cultura Brasil Durante os anos 70, ele fez músicas que combatiam a ditadura, mas tão-logo aconteceu a abertura , como afirma, “deixei a política para os políticos resolverem e fui fazer o que gosto: pesquisar e trabalhar para fazer conhecida a arte popular brasileira. A arte que faço está acima de mim mesmo”. E é com todo esse sentimento de brasilidade popular que ele protesta contra o fato de que a indústria fonográfica hoje centralizada no eixo Rio - São Paulo prefere os arremedos de bandas e músicas americanas ou grupos estrangeiros de maior sucesso, relegando a um último plano os bons músicos nacionais. “Gosto do rock e de boas músicas estrangeiras, mas sou contra a americanização de nossa indústria musical, que deveria priorizar muito mais a boa música nacional. Lamento que essa indústria e a grande mídia estejam promovendo uma desaculturação do Brasil ao trabalhar na generalização da arte. A chave que cria e alimenta a cultura está justamente na característica regional que dá origem a cada ritmo, este expressa os sentimentos e os valores da população de cada região do pais ou do mundo”, afirma ele num sonoro protesto. Continuando, ele enfatiza: “Assim como o baião nasceu no Nordeste, o rock e o pop são músicas regionais norte-americanas. Temos de reagir valorizando nossa arte. Artistas brasileiros fazem sucesso na Europa e em todo o mundo pela qualidade de nossa música regional, não atuam como o rock que nos enfiam goela abaixo. Devemos reagir valorizando nossos mestres de congo, embolada, cocos, maracatus e tantas outras manifestações culturais que fazem parte da identidade brasileira”. Alceu também protesta contra o fato de que o dinheiro pago pelos brasileiros em impostos convertidos em favor da cultura através da Lei Rouanet acabe sendo gasto para bancar apresentações de grandes bandas de rock norte-americano, que faturam alto com cada apresentação. “Sei que no Acre, a exemplo do que acontece com outros Estados do Nordeste e de todo o Brasil, há ótimos cantores e artistas que nunca tiveram uma chance de poder apresentar seu trabalho. Enquanto isso, milhões são gastos para bancar a apresentação de bandas estrangeiras que já são milionárias”. |
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