OPINIÃO
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José Tadeu de Souza Marinho *

 

Difusão e transferência de tecnologia: uma missão difícil

Para que ocorra transferência, adoção e desenvolvimento completo de uma determinada tecnologia, o pesquisador utiliza diversas ferramentas, as quais são imprescindíveis para o sucesso do trabalho. A identificação do problema a ser estudado é fundamental e este pode surgir a partir de uma demanda geral ou específica de produtores ou de consumidores. Após definir o problema, a equipe de pesquisa elabora a proposta, implanta experimentos, realiza avaliações, analisa os dados coletados e define o melhor serviço, produto ou processo. Por último, um dos principais pontos do processo é o de transferência, difusão e adoção da tecnologia gerada pela pesquisa.

Reportando-se especificamente à pesquisa agropecuária, para que se viabilize a transferência e adoção, é necessária uma articulação perfeita da pesquisa com extensionistas rurais, que irão selecionar os agricultores em nível individual e coletivo. Torna-se também imprescindível a articulação da pesquisa com os agricultores aliados, para que o trabalho ocorra com o sucesso almejado. Após selecionar os locais onde serão conduzidos os trabalhos de transferência de tecnologia, as instituições de pesquisa e de extensão rural passam a utilizar diversos métodos, que permitem a pesquisadores e extensionistas validarem os resultados de pesquisa. Posteriormente, as seguintes ações são realizadas de forma seqüencial: instalação de unidades de observação ou de demonstração; visitas técnicas ou de acompanhamento; demonstração de métodos ou de resultados; excursões; palestras; dias especiais e dias de campo.

Por último, é feita a recomendação em definitivo da tecnologia para adoção e apropriação pelo conjunto de usuários e beneficiários. Um exemplo bem sucedido é o Projeto Fogo, idealizado e conduzido pela Pathamama Amazônia em parceria com a Embrapa Acre e diversos outros parceiros, que visa à redução do uso do fogo na pecuária em pequenas propriedades. Nesta atividade, desenvolvida em 11 municípios do Estado do Acre, já foram capacitadas aproximadamente 1.500 pessoas. O projeto está sendo executado por diversas parcerias, sendo os insumos, a assistência técnica e a capacitação disponibilizados a grupos de produtores que se comprometem a abolir o uso do fogo em suas propriedades.

Durante a implantação e condução dos trabalhos de campo, outros atores, além dos próprios agricultores e extensionistas, são direta ou indiretamente envolvidos e influenciam de forma muito positiva no processo de adoção e disseminação em massa da tecnologia. Assim, a comunicação falada, escrita e televisiva são meios indispensáveis para a consolidação de qualquer método de difusão e transferência de tecnologia.

Toda logística acima mencionada tem se mostrado eficiente sob o ponto de vista metodológico. Entretanto, em termos práticos, o que muitas vezes ocorre nas fases seguintes é a falta de compromisso e envolvimento de outros atores. Estes fatores estão aquém do controle da pesquisa, da extensão rural e dos produtores, mas são considerados grandes entraves, visto que ocorrem justamente no momento em que a tecnologia passa da fase de adoção para a de desenvolvimento propriamente dita.

Problemas de ordens diversas acontecem de maneira individual ou conjunta, e são capazes de prejudicar ou interromper todo um trabalho de anos de dedicação, que envolveu gastos públicos e esforços de equipes. Dentre estes problemas, destacam-se a ausência de política agrícola, a falta de fomento à produção de sementes e mudas, falta de políticas de crédito e assistência técnica, defasagem no armazenamento da produção, ausência de uma agroindústria de alimentos e derivados, falta de apoio à comercialização, deficiências na política de preços e falta de apoio ao desenvolvimento do associativismo e cooperativismo.

Como se pode observar, são problemas de grande magnitude que envolvem diversas instituições e esferas governamentais. No entanto, necessitam de soluções definitivas para que as tecnologias geradas pela pesquisa possam ser efetivamente adotadas e para que cumpram seu papel fundamental de geração de emprego e renda, bem como de estímulo ao desenvolvimento local, regional e nacional.

* M.Sc. Fitotecnia, pesquisador Embrapa Acre

 

 
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Rio Branco-AC, 7 de outubro de 2006
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