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Jovens e catequese: laços fortes no século 21 Números: Diocese de Rio Branco conta com 1.060 catequistas evangelizando mais de 26 mil adolescentes na região |
![]() Catedral Nossa Senhora de Nazaré conta com duas salas para melhor atender os catequizandos |
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“Entrei achando que seria uma coisa chata, a pedido dos meus pais, e vi que não era nada do que eu estava pensando”, relata o estudante Victor Augusto Farias, 17. Aos 14 anos, começou a freqüentar a catequese na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, fez a Primeira Comunhão e atualmente está se preparando para ser crismado no ano que vem. Numa idade em que geralmente as baladas da sexta-feira à noite são quase uma obrigação, ainda existem jovens – e muitos – que preferem acordar cedo aos sábados para absorver os ensinamentos de Jesus, por meio da catequese. Segundo a catequista Maria Auxiliadora Souza (Dôra), a procura dos jovens pelo Catecismo da Igreja Católica tem se mantido estável em pleno século 21 – quando o leque de opções mundano e a concorrência com a religião evangélica são cada vez maiores. “Nossos encontros são lotados de jovens. Acho isso muito louvável. Na catedral, atendemos o limite máximo de pessoas por turma, que é de vinte e cinco”, afirma Dôra. E ela tem uma bagagem de 25 anos para sustentar o que diz: desde 1979 vem fazendo esse trabalho com adolescentes em Rio Branco. De acordo com os dados da Diocese de Rio Branco, existem 1.060 catequistas atuando nas 23 paróquias (25 em 2005) da região. Para se ter uma idéia de quantos adolescentes freqüentam as catequeses ministradas em cada uma delas, basta multiplicar o número acima por 25, que é a média por turma – o resultado: mais de 26 mil jovens buscando a evangelização. “Eu sinto um bem-estar quando chego aqui [na Catedral]. Passei a conhecer melhor os ensinamentos, a religião. Os católicos acolhem qualquer pessoa”, declara Victor. Como que unindo o útil ao agradável, da catequese ele partiu para a ação e passou a fazer parte do grupo de jovens do Rotary Club, o Interact, que se dedica a ações filantrópicas. Victor Augusto está há cinco anos do Interact e em 2003 assumiu o cargo de governador da região Norte. A equipe se mobiliza para fazer festas beneficentes e ajudar instituições, comunidade ou famílias carentes. “Na Páscoa deste ano conseguimos arrecadar duzentos e cinqüenta quilos de alimentos para uma família no bairro Santa Inês”, conta. Esse é um exemplo do objetivo que a catequese visa atingir. “Queremos fazer com que eles [os catequizandos] sigam adiante e vivenciem o que aprenderam exercendo outras atividades”, define Dôra. Mesmo afirmando não ter o dom da palavra, Augusto encontrou uma maneira de dar continuidade ao que vem absorvendo durante a caminhada na igreja. “Não sou muito de falar, mas de agir. E o bom é que estou usando os ensinamentos da catequese e da crisma no grupo do Rotary.” Catequese x Catecismo Há uma certa confusão em torno desses dois verbetes. Não é raro ouvir alguém usar o termo catecismo pensando se tratar de um sinônimo para catequese. “Mas não é. Catecismo é a própria doutrina, as normas, as verdades da Igreja Católica – cada igreja tem a sua. Já a catequese é o ato de doutrinar, de transmitir esses ensinamentos”, esclarece Dôra. Essa espécie de aula surgiu ainda no tempo dos apóstolos e era uma preparação para o batismo, com duração de três anos. “Tão importante que quem preparava era o próprio bispo”, relata a catequista. Atualmente, esse processo dura dois anos e passou a ser a preparação para a Eucaristia (Primeira Comunhão). A irmã Nair Mucelini, coordenadora-geral da Catequese Diocesana de Rio Branco, diz que a idade mínima para começar é aos dez anos. De acordo com ela, o objetivo maior desses encontros é o aprofundamento da fé ao conhecer Jesus e seguir Seus ensinamentos. “Com isso, você vai participar e se integrar mais na comunidade. É muito mais do que um simples encontro. É o processo permanente da educação da fé.” A caminhada tem quatro estágios: Pré-Eucaristia (a partir dos 10 anos), Eucaristia (por volta dos 12) – ou seja, quatro anos de catequese –, Pré-Crisma (14) e Crisma (16). “Na Pré-Crisma é onde mais acontece evasão de adolescentes”, revela Nair. “Não é fácil trabalhar nessa etapa.” Catequese com adultos Mucelini revela que há uma grande busca de crianças e adolescentes pela catequese, mas a preocupação maior da Diocese é com os pais, os adultos. “Muitos pais enviam os filhos para a aprender os ensinamentos de Jesus na igreja, mas eles mesmos não vivem a própria fé.” Por isso, a Diocese, junto com as paróquias, está começando a executar o projeto Catequese Com Adultos. “Lançamos o primeiro volume do manual com temas para que os catequistas trabalhem com os pais dos catequizandos”, conta Nair. “Já temos um grupo bom de adultos sendo catequizados e sendo protagonistas desses ensinamentos na comunidade.” CATECUMENATO – Outro projeto que a coordenação da Diocese iniciou nesta semana é voltado para os adultos não-batizados. Chama-se Catecumenato e consiste em preparar os participantes para o batismo, eucaristia e crisma – tudo de uma vez só. A intenção é que essa cerimônia se realize na Páscoa de 2005. “Acho que é um trabalho inédito nesta Diocese, mas, na verdade, estamos retomando as raízes da igreja. Antigamente o Catecumenato era muito comum. As pessoas eram batizadas só depois de adultas”, explica Mucelini. Para esse trabalho, que começou na última quinta-feira na Catedral, foram destacados dois diáconos e a própria irmã Nair. Para participar dos encontros, basta comparecer à Diocese ou telefonar (223-2200 ou 223-2201) para se informar quanto aos dias dos encontros. Escola Diocesana de Formação Catequética Mas não são só adolescentes e adultos leigos que buscam o conhecimento. Os próprios catequistas sentem uma carência na própria formação, o que resultou em mais um projeto a ser iniciado em 2005 – a Escola Diocesana de Formação Catequética. “Nossa intenção é fazer um grande trabalho de evangelização, mas constatamos que o maior problema da nossa Diocese está na formação e acompanhamento de lideranças”, diz Nair. Por isso, segundo ela, o projeto da escola já está encaminhado e vai funcionar por regiões pastorais a partir de abril. Com isso, está se atendendo o pedido dos próprios catequistas, que pedem por mais preparação e qualificação. “A catequese é muito exigente”, reconhece a irmã. Além de preparar melhor os já existentes, a instituição também visa formar novos catequistas. A equipe da Diocese já está se organizando para constituir uma coordenação junto com as futuras 25 paróquias. “Já temos os objetivos gerais, específicos, conteúdos e recursos humanos. Pretendemos trabalhar uma vez por mês durante o dia todo”, especifica Mucelini. Para quem, como a catequista Dôra, trabalha há 25 anos no ramo e já catequizou os três filhos (de 23, 18 e 15 anos), esse será um estímulo a mais para continuar abraçando novos “alunos”. “Esse é um trabalho que a gente faz com alegria, sem receber nada por isso”, assegura. O retorno, como se pôde constatar, é garantido. |
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