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POLÍTICA

Cazumbá: o seringal que dá certo

 


Juracy Xangai

A comunidade seringueira do Cazumbá, em Sena Madureira, que vem recebendo destaque nacional e até internacional por sua capacidade de organização, vai ser estudada em detalhes, a partir dos próximos dias, por equipes da Ufac, Ibama, Embrapa e Pesacre, que querem conhecer a chave de seu sucesso e propor novas fontes de renda.

Tudo começou quando aquelas 27 famílias de seringueiros estimulados pelo padre Paolino Baldassari e liderados pelo presidente da associação, resolveram deixaram suas colocações para formar uma agrovila, somaram suas terras e começaram a defender interesses comuns a exemplo das primeiras comunidades cristãs.

Juntos e defendendo um interesse de cada vez, suas reivindicações foram sendo atendidas pela prefeitura, depois governo do Estado e federal. Como resultado, hoje todas as famílias têm casa com água encanada, banheiro, luz elétrica, antena parabólica e um telefone comunitário em pleno seringal localizado a duas horas de voadeira acima de Sena Madureira.

A união e o entendimento daqueles seringueiros na defesa de bens comuns é o seu capital social e o principal segredo do sucesso que vem alcançando. Além da produção de couro vegetal, esculturas e outros objetos decorativos produzidos com borracha sem cheiro, eles produzem artesanato e castanha. Depois que pediram orientação do Sebrae e receberam treinamentos, passaram a fabricar a melhor farinha do Vale do Purus, única comparável à de Cruzeiro do Sul.

Depois de conseguir aprovar seus projetos para a instalação de criadouros de capivara, tracajá, porco do mato e jabuti, a comunidade foi presenteada pelo Ibama com a única autorização do Brasil para a realização do manejo de pacas e araras que vivem livres na floresta.

Técnicos e pesquisadores da Ufac, Embrapa, Pesacre e Ibama vão trabalhar em parceria realizando um levantamento completo da comunidade desde seus aspectos econômico e social, passando por seu sistema organizacional. Haverá um inventário completo das espécies animais e vegetais existentes em suas terras, como também do potencial econômico destes como produtores de perfumes, medicamentos e até para combustíveis.

Nesse trabalho serão levantados o potencial para o manejo de fauna e flora. Outra preocupação será com a documentação dos conhecimentos etnobotânicos, ou seja, dos saberes daquelas pessoas sobre o uso de plantas, ervas e outros recursos naturais para a alimentação, saúde, como inseticidas ou produtos de beleza.

 
 
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Rio Branco-AC, 7 de novembro de 2004
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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