COTIDIANO

Central de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos

Unidade vai evitar contaminação no solo e nascentes de água

Regiclay Saady
Evento contou com a presença de autoridades das áreas agrárias


Daniele Albuquerque

A solenidade de inauguração da Central de Recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas foi definida como “o início de uma nova era no Estado do Acre”. Foi isso que disse Jorge Récio, superintendente federal de Agricultura no Acre em meio ao seu discurso. Além dele, representantes do governo, iniciativa privada e Ministério Público também falaram sobre importância da central de recebimento e o que ela significa para o Acre.

A Central de Recebimento é um galpão construído para armazenar todas as embalagens vazias de produtos agrotóxicos que forem vendidas no Estado, dando a elas o destino apropriado. O Acre foi o último Estado da federação a implantar esse sistema de recolhimento e vai, a partir de agora, começar um trabalho de conscientização com os revendedores e produtores agrícolas e rurais.

“A inauguração dessa central significa o início de um processo de responsabilidade social e ambiental porque antes disso não existia esse recolhimento e essas embalagens estão espalhadas por aí ou sendo reutilizadas de forma inadequadas”, explica Meri Cristina do Amaral, promotora de justiça.

Com a inauguração da central uma nova medida vai ser adotada para que seja assegurada a devolução das embalagens vazias. Fica a cargo das empresas revendedoras do produto informar aos clientes o local e o prazo de devolução. Os produtores terão até um ano para realizarem a devolução, segundo a legislação de agrotóxicos. Caso contrário os mesmos poderão sofrer algumas restrições como, a não emissão de certidão que comprova que o seu plantio é ambientalmente seguro e respeita as normas de utilização de agrotóxicos.

“É importante frisar que esse trabalho só terá resultado se todas as partes estiverem empenhadas em cumprir suas ações. Nós cobraremos das revendedoras que, por sua vez, trabalharão no sentido de informar para os clientes sobre a importância, local e prazo da devolução das embalagens e o produtor deve dar o destino correto para elas que é devolvendo as embalagens na central, explica Paulo Viana, diretor presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF).

O gerenciamento da central será feito pela Associação das Revendas Agrícolas do Acre (Araacre), em parceria com o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InPEV), órgão responsável pela destinação final das embalagens além de dar orientação à indústria, canais de distribuição e agricultores.

Graças a iniciativa pioneira do instituto em procurar destino ambiental adequado para as embalagens vazias de defensivos agrícolas, o Brasil é tido como referência mundial no assunto, já que o país destina mais de embalagens do que os trinta maiores países do mundo juntos, com programas similares. Com a Central do Acre, o Brasil passa a ter 110 centrais de recebimento e 265 postos.

“O Acre representa um percentual muito pequeno no termo de embalagens, diferente das demais regiões como São Paulo ou Minas Gerais, que chega a representar 12%. O mais importante é que daqui pra frente a produção agrícola do Estado vai crescer mas já fazendo correto, respeitando a legislação do agrotóxicos e a do meio ambiente, diz Paulo Ely Nascimento, gerente de operações da ImPEV.

A central está localizada na BR-364, km 4, Distrito Industrial, e irá funcionar às segundas, terças e quartas-feiras, das 8 às 12 e das 14 às 17 horas.

 

 
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