OPINIÃO
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Fátima Rúbia Messias Cadaxo *

 

A saúde tem pressa...

Há alguns dias, eu tinha decidido que não iria escrever mais artigos, enquanto não concluísse minha monografia, mas diante de fatos que me deixaram profundamente entristecida, manifesto a minha indignação através destas linhas, acreditando não serem somente minhas, mas de toda a população de Cruzeiro do Sul, que tanto sofre com o descaso no único Hospital público que a cidade tem. Um Hospital que atende não só pacientes de Cruzeiro do Sul, com uma população de mais de 70 mil habitantes, mas de municípios vizinhos como Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e de municípios de outros estados como é o caso de Guajará, Ipixuna dentre outros do estado do Amazonas, pois é considerado “melhor estruturado”. Eu fico imaginando o pior!

Recentemente fui com meu pai fazer uma visita no Hospital Geral. Da entrada do Hospital nos dirigimos para a enfermaria onde ficam os leitos e a visão que tivemos foi de tristeza, abandono, descaso. Só Deus mesmo para fazer com que aquelas pessoas recuperassem sua saúde num ambiente tão propenso a proliferação de mais doenças. Por quê? Vou tentar descrever superficialmente: as paredes das enfermarias estão cobertas de mofo; as camas estão “comidas” de ferrugem, assim como alguns utensílios na enfermaria, um potencial agente transmissor de doenças; alguns pacientes reclamavam da demora para que os médicos viessem vê-los trazendo notícias de quando poderiam retornar aos seus lares.

Ao sairmos da enfermaria, percebi meu pai um pouco apreensivo, inquieto e pedi para que uma enfermeira medisse sua pressão arterial: estava bastante alta. A enfermeira sugeriu que ele fizesse uma consulta com o médico que estava de plantão que logo nos atendeu, prescrevendo algumas injeções para normalizar sua pressão arterial. Quando estava sendo medicado meu pai me confidenciou que se sentiu mal quando viu a situação das pessoas naquele ambiente. Mencionei este fato que aconteceu, apenas para mostrar que as pessoas que não estão doentes, que vão até lá apenas para visitar se sentem mal, imaginem a situação das que estão recuperando sua saúde!

De repente, dois policiais militares são chamados para conter a crise de uma mulher que segundo comentários é doente mental, e se debate violentamente numa enfermaria, e tenta agredí-los com chutes e arranhões. Ela estava internada juntamente com outras pacientes, pois na cidade não existe um Hospital para doentes mentais. Depois de contida pelos policiais, a mulher foi sedada pelos enfermeiros.

Conversando com o médico que atendeu meu pai, perguntei a ele por que tantas pessoas eram encaminhadas a Rio Branco, especialmente quando precisavam ser internadas numa UTI – Unidade de Terapia Intensiva, para se tratar. Ele me respondeu que em Cruzeiro não tem alguns equipamentos, e os que tem, alguns faltavam os cabos, nem tem pessoas capacitadas para operá-las e por este “pequeno” detalhe não funcionavam. Havia também a falta de médicos em diversas áreas, que segundo ele, trabalham numa escala “apertada” para poder “dar conta” de atender todos os pacientes, e nessa época muitos tiram férias.

Sei que áreas como educação, segurança pública, infra-estrutura e saúde ao mesmo tempo que são estratégicas para qualquer administração, são também críticas e precisam de toda a atenção de seus administradores. Sei também que a área da saúde tem problemas e carências em todo o Brasil, mas também sei que quando existe um problema, ele precisa ser exposto para poder ser resolvido pela autoridade competente.

Vejo isso não como um problema administrativo, mas de falta de vontade política, de cobranças mais eficazes e eficientes dos nossos representantes do Poder Legislativo, da esfera federal, estadual e municipal, ou seja dos nossos deputados e vereadores, que são quem “deveriam fiscalizar” as ações do Executivo. Da união de forças dos parlamentares com o Conselho de Saúde, órgão normativo e fiscalizador.

Não costumo fazer críticas gratuitas, entendo que as críticas quando fundamentadas devem ser analisadas e ter as pendências sanadas. O que não pode é continuar do jeito que está, como se estivesse tudo dentro da normalidade, e a população insatisfeita, órfã de representantes que defendam seus interesses.

A saúde lida com a vida das pessoas, e por isso não pode ser tratada com descaso, não pode esperar, o tempo não é seu aliado. A população de Cruzeiro do Sul está muito satisfeita com a construção de um novo hospital na cidade, mas infelizmente não pode ordenar ao seu corpo que só adoeça quando esse novo hospital for inaugurado, para poder ser tratada com um pouco de dignidade.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de janeiro de 2005
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