| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
Francisco Gregório Filho * |
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Correspondência XIX – Ajuda De: Morgana Gonçalves morgana.avalom@hotmail.com Olá Senhor Gregório! Meu nome é Morgana, trabalho na Fundação Municipal de Cultura de Paranaguá, litoral do estado do Paraná, cidade histórica e onde o Paraná começou. Povo hospitaleiro e simpático, mas com uma certa carência de cultura. Em um ano de mandato estamos tentando mudar esse quadro, procurando saber as principais carências, e constatamos que o hábito de leitura anda muito fraco por aqui, muitos alegam que por falta de dinheiro, não podem ter acesso a bons livros. Não temos uma casa de leitura, temos na cidade uma biblioteca, mas acho que as bibliotecas para atraírem jovens e crianças são sombrias, não muito atrativas, como os vídeos games e computadores. Uma casa de leitura bem arejada, com almofadões espalhados, flores, um lindo jardim, sacadas, varandas, seria o point ideal, para ler e sonhar. Temos esse espaço que se chama Casa Efrida Lobo, construída no século XIX, ela é linda, falta alguns cuidados para que possamos ter um belo espaço para leitura. E, além disso, gostaríamos de ter uma Kombi que rodasse os bairros, oferecendo a população mais carente acesso a leitura. Mas como fazer, quais os passos, como agir? Por favor, me dê uma luz, me ajude. Estou montando o projeto, mas os outros passos: como conseguir os livros e o restante necessário, preciso muito contar com sua ajuda, no sentido de me orientar. Vontade e coragem de correr atrás tenho, só me falta alguém indicar o caminho, e por tudo que li a seu respeito, acho que falo com a pessoa certa. Leio também o que o senhor escreve no Jornal Página 20 aí de Rio Branco aos domingos. Gostaria que publicasse novamente um texto sobre o contar e ouvir histórias. Preciso lê-lo mais uma vez. Será possível? Obrigada Morgana Gonçalves Olá Morgana! Agrada-me as suas boas notícias dessa sua Paranaguá.
Firmeza nas suas intenções de criar uma casa de leitura
viva. É assim mesmo, temos que buscar alternativas, e também
pedir ajuda. Claro, que você pode contar com minha participação.
Vamos pensar juntos e ir atrás de outras ajudas, pode ser assim? Agradecido Leitura, oralidade e cidadania Somos aquilo que vamos adquirindo ao longo da vida. Os primeiros jogos, as brincadeiras, as cantigas, os contos vão imprimindo em nós um pouco daquilo que vamos ser quando adultos. Não somos passivos às experiências e, a cada uma aprendida, incorporamos informações, transformamos, acrescentamos parte de nossa própria “herança” e vamos construindo nosso jeito de nos olhar e de olhar o mundo. Produzindo saberes, fazeres, comprometidos com nossa época e lugar. Criando um processo para desnaturalizar o olhar. As muitas histórias ouvidas na infância passam a constituir pequenos acervos que, interagindo com nossas vivências, vão contribuindo significativamente para o exercício da crítica acerca das coisas que presenciamos, permitindo apurar nosso papel de cidadão. Não se trata de entender “a moral da história”, mas de perceber que o contar e o ouvir histórias podem ser fortes componentes para formar o sentido da responsabilidade social de cada um de nós. Mesmo antes da escrita, o homem lia. Lia o mundo com seu olhar, com suas experiências sensoriais e, utilizando-se da linguagem oral e das imagens, trocava idéias, refletindo sobre tudo que o cercava. E, mesmo com a escrita, continua se utilizando da palavra oral e das imagens para fazer suas observações, e principalmente, argumentar. Escrevendo e dando voz. Não só falando ou contando histórias, mas ouvindo o outro contar também outras histórias, ouvindo a voz do outro, o homem partilha suas impressões sobre a vida e discute as questões que ocorrem a sua volta. Vamo-nos tornando cidadãos à medida que conhecendo a realidade que nos cerca, por meio de troca de notícias e de argumentos, adquirimos não só a sensibilidade necessária para perceber nossos acertos, nossos erros, os erros e acertos do outro, mas principalmente a capacidade de intervir e transformar esta realidade. Assim procuramos qualificar nosso exercício diário de discernimento: lançando múltiplos olhares sobre as mesmas imagens e questões que nos são postas na relação com o outro e com a natureza e, desse jeito, participando da gestação de um mundo que desejamos justo e, portanto, melhor na escolha e formação de repertórios. * Contador de histórias ajuda |
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