COTIDIANO

Rio Acre ultrapassa cota de alerta e deixa moradores temerosos

Em Rio Branco, água começou a entrar nos quintais no fim de semana

 


Renata Brasileiro

Os moradores de bairros alagadiços em Rio Branco temem que uma nova enchente, semelhante a ocorrida em 1997, quando o Rio Acre atingiu seu maior nível, aconteça mais uma vez. É que episódios semelhantes com o que aconteceram naquela data, estão sendo novamente presenciados, segundo a dona de casa, Ana Paula Urbano, 31, moradora do bairro Triângulo Novo.

“Foi assim que aconteceu em 97. No começo do ano não houve alagação. Mas quando chegou abril a água do rio subiu como nunca e passou dos 17 metros. A gente tem medo que isso se repita porque tudo está parecido com aquele ano”, reforçou.

De acordo com a Defesa Civil Estadual, o Rio Acre atingiu ontem a cota de 13,91 metros, 41 centímetros acima da cota de alerta. O afluente foi tendo acréscimo no nível das águas ao longo do dia, aumentando cerca de dois centímetros a cada três horas.

Pelos registros feitos pelo órgão, 13 famílias em Rio Branco foram atingidas pelo transbordamento da água, mas sem necessidade de terem que abandonar suas casas. Já no interior, a situação ficou um pouco mais grave no fim de semana.

“Em Sena Madureira o rio atingiu a marca de 15,20 metros e 65 famílias foram atingidas. Em Tarauacá a situação também é delicada, onde 33 famílias estão desabrigadas”, disse o capitão Batista, da Defesa Civil Estadual.

Contudo, o capitão disse que não há motivos para desespero entre moradores de bairros alagadiços, pois o rio já vem apresentando vazão em alguns municípios, como em Xapuri, Assis Brasil e Brasiléia. Ele disse que a previsão é de que nos próximos dias o rio também comece a perder água em Rio Branco, já que não tem mais chovido nas cabaceiras do afluente desde o dia 4.

“Nossas previsões são as melhores possíveis. Tudo indica que não teremos mais chuvas nos próximos dias e isso significa que o rio terá uma redução no nível das águas. A região do Riozinho do Rola, por exemplo, que é a de maior impacto no Rio Acre quando chove, nunca mais teve chuva. Isso é muito bom”, completou o capitão.

Enquanto isso, as famílias que estão com os quintais das casas atingidos pela água do rio, o otimismo não é tão grande. “Já passei por muitas alagações e tenho que estar preparado para uma nova a cada ano. Por isso já estou atenta porque sei que posso dormir hoje e acordar amanhã com a água entrando na minha casa”, disse a dona de casa, Alice de Paula Gouveia, 58.

Ela é moradora do bairro Triâgulo Novo, onde pelo menos 15 casas já sentiram as conseqüências do transbordamento do rio em seus quintais. A caixa d’água da dona de casa está quase submersa e por isso ela tratou de retirar alguns objetos que estavam em seu quintal, ontem, por medo de perde-los. “Já estou me prevenindo. Não quero perder nada nessa alagação”, completou.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de abril de 2008
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