COTIDIANO

Direção de Arte no Curso de Cinema

Numa maratona de filmes e aulas teóricas, alunos puderam entender a relação da história da arte com o cinema

 


Rose Farias

O diretor de arte, cenógrafo, fotógrafo e arquiteto Carlos Liuzzi, ministrou o curso de Direção de Arte - Introdução à História da Arte e Cenografia, durante cinco dias, aos alunos do Curso de Cinema e Vídeo da Usina de Arte João Donato. A didática abordada começou pelo Renascimento e desenrolou-se até a Segunda Guerra Mundial fazendo uma íntima ligação da história da arte com o cinema.

“A coisa não sai do nada, cultura é fundamental. Então a base do curso foi essa, mesclar cultura com cinema fazendo ilustrações através dos filmes que foram exibidos, desde o Renascimento até a 2ª Guerra Mundial, mostrando diferentes épocas”, ressalta Liuzzi ao falar do foco que tiveram suas aulas teóricas e práticas.

O estudante de engenharia florestal, Lucas Souza de 20 anos, participou da oficina para entender melhor como funciona toda a parafernália que se esconde por trás das câmeras.

“Eu tenho interesse pelo cinema, não com o desejo de ser cineasta, mas por curiosidade de saber como as câmeras são posicionadas, por exemplo. Na oficina vimos muitas coisas e deu para absorver o que foi passado em relação à história da arte, como influenciou no cinema, e a iluminação. Não imaginava que pudesse ser preciso passar de duas horas a um dia inteiro até achar um tipo de luz que favoreça o trabalho que vai ser realizado. Isso foi possível pela metodologia que o professor utilizou, conseguindo passar muita coisa do que ele sabe aos alunos.”

A dica que fica de Liuzzi para ser um bom diretor de arte é de que é preciso ser um eterno curioso, buscar conhecimentos e principalmente cultura, que é o fator enriquecedor das boas idéias. Na visão do professor os alunos responderam bem a proposta. “Achei todos muito interessados, era uma coisa visível pelo olhar”.

Tecnologia digital é um processo natural - Questionado sobre a revolução tecnológica que acontece em todos os segmentos da arte e sobre os empecilhos de se fazer cinema no Brasil, Carlos Liuzzi acredita que esse é um processo natural, que o digital ainda não superou o nível da película, que tanta parafernália em nada atrapalha na criação e que o maior problema do cinema no Brasil ainda é a falta de investimentos na área.

“Podemos ter a tecnologia que for, mas a maneira de ser fazer cinema nunca vai mudar, a essência vai ser sempre a mesma. Sobre a maior dificuldade de se fazer cinema entra a questão de não termos uma indústria cinematográfica brasileira e a falta de capital que a acaba limitando as produções. Você pode fazer um ou dois filmes muito bons com baixo orçamento, mas chega uma hora que é preciso investir. Fazer cinema custa caro, coisa que se comprova com o número de pessoas envolvidas num longa-metragem, que em média chega a 50 profissionais”.

A última aula desafiou os alunos a ambientarem em Rio Branco uma cena mostrada no Rio Janeiro, montando fielmente o figurino dos personagens e o lugar onde se passava o take apresentado.

Coordenado pelo cineasta Maurice Capovilla, o Curso de Cinema e Vídeo já ofereceu em quase um ano de funcionamento cerca de 20 oficinas nas mais diversas linguagens e técnicas do audiovisual. O projeto é financiado pelo Ministério da Cultura/Lei Rouanet, governo do Estado do Acre, por meio da Fundação Elias Mansour com o patrocínio do Banco da Amazônia e Avon.

O diretor de arte - Carlos Arthut Liuzzi começou sua carreira como fotógrafo, na época da ditadura militar, como ele mesmo diz, auto exilou-se em Roma no final da década de 60 onde estudou arquitetura e começou a pintar. Quando voltou ao Brasil no começo da década de 70 não tinha mais pretensões de trabalhar com cinema, mas foi convidado para fazer a direção de arte de um longa e não parou mais. Liuzzi não é professor de carreira, mas dá aulas há oito anos no Rio de Janeiro.

Mesmo com tantos trabalhos e com a agenda apertada entre sets de filmagem e aulas - inclusive já ministrou oficinas na Globo, o multifacetado diretor ainda faz projetos de arquitetura até hoje. “Já que aqui no Brasil não há uma estabilidade, então fica difícil de você ficar somente atuando em uma dessas profissões”. No cinema, fez a direção de arte de filmes como “Matou a família e foi ao cinema” de Neville de Almeida e “Lembranças do Futuro”, de Ana Maria Magalhães. Na televisão fez a direção de arte do seriado “Mulher” e no Teatro a cenografia de “O Analista de Bagé”, de Paulo César Pereio, só para citar alguns exemplos. Realizou recentemente os filmes “Harmada” e um documentário sobre o arquiteto Afonso Eduardo Reidy. (Agência de Notícias do Acre)

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de abril de 2008
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