COTIDIANO

Acre mais próximo de fazer gestão florestal

Câmara aprova projeto de lei e Zico Bronzeado destaca geração de emprego e renda na floresta acreana

 


Romerito Aquino

Brasília – O Acre está mais perto, desde quarta-feira à noite, de poder começar a explorar sustentavelmente 1,5 milhão de hectares de floresta, que vai dar dividendos financeiros para os prefeitos, o governo do estado e a União investir ainda mais no desenvolvimento sustentável da floresta acreana e amazônica.

A possibilidade se concretiza com a decisão tomada naquela noite pela Câmara de aprovar o projeto de lei de gestão de florestas públicas, proposto pela ministra Marina Silva e o governo Lula como forma de gerar renda e emprego nos estados da Amazônia e combater o desmatamento crescente da região. Pelo projeto de lei, que agora será votado pelo Senado e depois sancionado pelo presidente Lula, o Acre terá inicialmente à disposição, segundo informou o governador Jorge Viana, o total de 1,5 milhão de hectares para ser explorado em regime de concessão por empresas e entidades comunitárias.

A aprovação do projeto na Câmara foi muito comemorada pelo deputado federal Zico Bronzeado (PT-AC), que tem feito do uso múltiplo sustentável dos recursos da floresta acreana uma das duas principais bandeiras de luta de seu mandato. “Sabemos que, se não fosse feito algo como este projeto de Lei n º 4.776, seria quase insustentável resolver o problema de desmatamento que tanto está prejudicando a imagem do nosso país e da nossa querida Amazônia lá fora e aqui também. Somos defensores de que a floresta possa ser utilizada de forma racional e nesse projeto está inserida essa utilização, o manejo florestal sustentável que eu tanto defendi muitas vezes na tribuna da Câmara”, disse o deputado Zico Bronzeado. Ele destacou que conhece os projetos de manejo que estão dando bons resultados, gerando emprego e renda e mantendo o homem na floresta.

Segundo Zico Bronzeado, o projeto de lei é fruto de uma luta histórica da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, que se esforçou ao máximo como senadora e ministra para encontrar formas de combater o desmatamento e pregar o uso sustentável dos recursos florestais. Bronzeado lembrou que, com a sensibilidade do relator do projeto de lei, conseguiu incluir um parágrafo na futura lei que vai permitir o manejo da fauna silvestre.

“Já temos o manejo da fauna silvestre em alguns regiões deste país, inclusive no meu estado. Não poderíamos proibir o manejo, porque ele vai permitir a continuidade da existência da fauna. Não vai haver o abate predatório, e nós, como ex-seringueiros, vindos da floresta, sabemos da importância da fauna para os seringueiros, para aqueles cidadãos que moram no meio da floresta, porque é uma fonte de alimentação, e só o manejo vai permitir a existência da fauna por mais alguns anos”, disse o deputado.

Bronzeado destacou, também, a aprovação pela Câmara do referendo popular em que, em outubro próximo, a população brasileira vai dizer se quer ou não a proibição de venda de armas no país. “Essa é a melhor forma de combater a utilização das armas ilegais, inclusive é cultura, principalmente na Amazônia e das pessoas que moram na floresta, ter sua arma em casa, e, graças a alguns deputados desta casa, nós garantimos dentro do projeto do desarmamento o direito de os seringueiros continuarem tendo a sua espingarda para poder fazer as suas caçadas”, concluiu.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de julho de 2005
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