ESPECIAL
   ENTREVISTA

Um papo sobre a educação para saúde

Divulgação


Andréa Zílio

Desde que se formou em medicina, Meira Souza sempre se preocupou com a causa das doenças e buscou interferir nelas por meio da educação ao corpo.

Ela garante que, ao ouvir a história de vida de um paciente, é possível prever quais doenças ele terá. É sobre isso e muito mais que a médica conversará com o público do projeto Sempre um Papo nesta terça-feira, 10, no auditório do Conselho Regional de Medicina (CRM), lançando também seu livro “Obesidade: vire essa página de sua vida”.

Meira se apresenta como a profissional que desmistifica as receitas milagrosas que surgem cada vez mais nas prateleiras, causadas pela própria medicina. Saindo da opção de medicar após a enfermidade, ela busca ensinar como se prevenir para não adoecer. Em entrevista ao Página 20, ela conta mais. Confira.

Como funciona a educação para a saúde? Ela pode evitar doenças?

A educação para a saúde funciona através da conscientização do paciente a respeito do que protege e do que maltrata o corpo. Quando nasce uma criança, os pais fazem planos para o futuro dela, pensam na profissão, na estabilidade financeira e afetiva, também pensam em saúde, mas geralmente esse pensamento se restringe a fazer um bom plano de saúde e acreditam que ela estará protegida. Poucas vezes pensam que podem educá-la para ser saudável, cuidando de questões simples.

Quais, por exemplo?

Oferecer um ambiente harmônico em casa, onde a criança se sinta amada e segura, alimentação saudável, cuidado com a higiene do ambiente, dar à criança noção de limites e consumo necessário. No futuro tudo isso fará muito mais diferença para a criança do que o pai trabalhar excessivamente, privar-se da companhia dos filhos, viver estressado, consumir álcool excessivo... A criança terá uma consciência que com certeza resultará em saúde.

Educação para saúde é um conceito muito amplo, pois interfere em todos os segmentos da vida de uma pessoa. Ela é exatamente para produzir saúde verdadeira e liberdade do indivíduo.

Como funcionam os pilares nesse processo de reeducação?

O cuidado com os cinco pilares surgiu da minha experiência na clínica de dor, onde eu percebi que o paciente que chegava trazendo uma dor crônica, de difícil tratamento, geralmente apresentava uma degeneração [alteração da forma] de alguma estrutura do corpo e fazendo uma avaliação minuciosa das causas que levaram àquelas destruições, e chegava em alguma fragilidade que recaia sobre um dos cinco pilares. Ou o paciente tinha uma alimentação deficiente ou respirava muito mal, ou vivia muitos conflitos emocionais, tinha uma postura deficiente em função de fragilidades da organização músculo- esquelética ou sofria de insônia. Então para ter resultados mais efetivos e verdadeiros, ou seja, conseguir retirar meus pacientes do processo doloroso, sem dependência de tantos medicamentos ou procedimentos, eu comecei a cuidar dos cinco pilares, resgatando a autonomia do paciente na construção da sua saúde e dando a ele liberdade.

O que se torna mais difícil nessa disciplina em prol da saúde?

A própria medicina, pois hoje a medicina promete uma mágica para curar todos os males, isso não é verdadeiro, ao contrário isso cria uma grande fragilidade no paciente, pois ele perde o estímulo do investimento verdadeiro nele.

Este assunto é muito delicado, em relação à clínica de dor, eu poderia citar vários exemplos em que a promessa da solução mágica só cria uma fragilidade maior no futuro que muitas vezes nem é um futuro muito distante, mas vamos no deter na questão da obesidade citando como exemplo a cirurgia de redução do estômago ou mesmo o medicamento que existe no mercado para evitar a absorção da gordura. A medicina precisa acreditar mais na capacidade do indivíduo de se organizar para ser saudável, acreditar que o paciente pode sim tomar consciência do processo que o adoeceu e evoluir disso, mas isso geralmente é menos rentável e demonstra menos poder. É um processo que exige uma parceria entre paciente e médico.

O brasileiro tem uma vida saudável?

Infelizmente não. Falo infelizmente porque poderíamos, pois temos um país com recursos naturais que nos permite uma vida muito saudável, mas o brasileiro acha chique copiar o estilo de vida americano e têm tido grandes prejuízos na saúde com essa conduta. Está fazendo opção por alimentos processados e refinados, escolhendo um estilo de vida estressante muitas vezes por necessidade de ostentação e não porque seja necessário para uma vida digna. Está buscando recursos sofisticados para garantir saúde e esquecendo que cuidados disciplinares demonstram muito mais sabedoria na construção da saúde.

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 8 de julho de 2007
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A