OPINIÃO
   CRÔNICA DE DOMINGO

José Augusto Fontes

 

Gente que perde

Gente pequena e simples, que o olho não mente

Que quer cumprir obrigação, conquistar cada dia

Andando aí pela vida, beirando, sem sair do chão

Gente que tem muitas fomes e tem simples nome

Vontade de subir na vida, andando pra não chegar

Olhares dispersos, meio perdidos na multidão vazia

Confusão que não vai acabar, na idéia que consome

No meio do nada absoluto, relativamente, meia gente

Um número identifica, outro voto significa condição

Para essa gente estar num programa e na verificação

Do nosso frio olho que não sente, e apenas fotografa

Do nosso jeito ausente que silencia, fingindo emoção

Do nosso gesto que tropeça e cala, enquanto escreve

Na nossa sensibilidade perdida, muda e insuficiente

Essa gente é assim deixada para perder, e se desfazer

Gente que parece estar no nosso olhar, simplesmente

Parecia estar, depois passou, mudou, ficou sem graça

Nesse olhar que não sente nem vê, enquanto disfarça

Num qualquer sistema feito para perder, a gente perde

Para nosso jeito de ganhar, que vence, enquanto mente

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de julho de 2007
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